CARTA CONSTRUÍDA COM OS ALUNOS E ENVIADA À PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA PARA FALAR DA INFÂNCIA E JUVENTUDE NO BRASIL

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Presidenta Dilma Rousseff

Fonte do  Site: http://www.ufrgs.br/projetoamora

CARTA CONSTRUÍDA COM OS ALUNOS E ENVIADA À PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA PARA FALAR DA INFÂNCIA E JUVENTUDE NO BRASIL

 Excelentíssima Presidenta da República Dilma Rousseff

Me chamo Maíra Suertegaray Rossato e sou professora de Geografia nas turmas de 5a e 6a séries do Colégio de Aplicação da UFRGS em Porto Alegre. Eu e meus alunos estamos fazendo um trabalho de pesquisa sobre a infância e a juventude no Brasil. Em uma das nossas atividades conhecemos o Índice de Desenvolvimento Infantil o seu comportamento nos estados brasileiros. A partir de um mapeamento feito pela turma, a tarefa era escrever textos com as conclusões dos alunos destinados aos nossos governantes. Os estudantes adoraram a ideia de lhe escrever, mas não acreditaram que a sra. pudesse receber e ler as suas cartas.

Me comprometi com a turma em enviar as cartas, via este canal de comunicação com a Presidência da República. Acreditamos que assim começamos a construir nos estudantes e cidadãos brasileiros o sentimento de que podem fazer alguma coisa para transformar a realidade do país. Abaixo, estão trechos das cartas.

“Presidenta Dilma, através desta carta, peço que, se possível, melhore as condições de vida no nordeste, pois é lá que a infância de várias crianças está sendo prejudicada por falta de estudo e de educação. Isso dificulta muito a entrada em bons empregos e faculdades e influencia no envolvimento com drogas em seu tempo de desocupação. Como mostram os dados do IDI de 2006, os estados de São Paulo, Rio de janeiro e Santa Catarina, são aqueles em melhores condições, enquanto os demais estados do norte e nordeste têm medidas miseráveis. As providências terão de ser tomadas para que não piore a situação nesses locais.” (aluno Daniel)

“Olá Presidenta Dilma, meu nome é Anna Júlia, tenho 11 anos, estou na quinta série do Colégio de Aplicação da UFRGS em Porto Alegre. Quero falar sobre um assunto um tanto delicado: a fome e a miséria de algumas crianças do Brasil, como, por exemplo, as crianças do Acre, Alagoas e Pará. Muitas crianças, em vez de ir para a escola, trabalham para ajudar  a sustentar sua família, ou até mesmo se sustentar. Sei que a senhora está tentando amenizar a situação, tenho uma ideia de pauta para a próxima assembleia: a miséria brasileira. Eu e minha colega Kauanne estamos tentando fazer uma campanha para arrecadar dinheiro, comprar comida e água e mandar para os brasileiros mais pobres.” (aluna Anna Júlia)

“Cara presidenta, sei que tem muitos compromissos, mas eu quero fazer uma pergunta: O que você está fazendo para ajudar as crianças do Brasil? Só espero que estejas se esforçando para ajudar. Espero que estejas se esforçando para colocar todas as crianças na escola e que todas tenham comida na mesa, afinal, elas são o futuro do Brasil, não é? Se estiver fazendo isso, continue assim para que o Brasil seja um exemplo aos outros.” (aluna Fernanda)

“Dilma, a situação das crianças no Brasil é bem complicada. Têm crianças  que possuem condições de estudar, mas não têm transporte para leva-las até a escola. Umas chegam atrasadas, umas não vão por causa da chuva que faz lama, enchem os barracos d’água. Isso, tirando as crianças que não têm condição de ir à escola e nem ganhar bolsa escola e ficam em casa sem educação e quando vão crescendo, se têm alguma família, têm de estudar na EJA e deixar seus filhos em casa” (aluna Jordana).

“Cara Presidenta Dilma, eu, Amanda, lhe envio esta carta que trata sobre a situação das crianças brasileiras e o IDI de seus estados. Observo eu, que no Brasil, apenas 3 estados têm o IDI ótimo. Uma das minhas curiosidades é saber por que os estados de IDI mais baixo  são os da região norte e nordeste? E outra coisa é: se esse IDI é tão baixo, por que as crianças brasileiras não recebem boas condições? Se fores resolver esta situação, dou a dica de começar pelo norte e nordeste.” (aluna Amanda)

“Presidenta, o IDI (Índice de desenvolvimento infantil) dos estados está muito ruim, principalmente, o do Acre. Você pode melhorar este índice em alguns estados, como o Pará, Piauí e Bahia que estão com o IDI muito baixo. Para isso tem de melhorar a escolaridade dos pais, a imunização das crianças menores de um ano, cobertura pré-natal é matrículas na pré-escola. Se isso não for feito, as crianças acabam na rua, podem se tornar marginais, destruindo o patrimônio público do país e vidas.” (aluno Matheus)

“Cara presidenta, estou decepcionado com o seu desempenho para ajudar as crianças necessitadas no Brasil. Gostaria que pudesse dar um lar ou pelo menos comida para o povo menor de 12 anos. Peço, por favor, que nos ajude com esse problema.” (Aluno Christian)

“Olá presidenta Dilma, meu nome é Nicole, tenho 12 anos, estudo no Colégio de Aplicação da UFRGS que se localiza no estado do Rio Grande do Sul. Bom, escrevo esta carta para relatar a situação das crianças brasileiras. Quero dizer que têm muitas crianças passando fome e frio, se drogando, roubando e matando, em vez de estar estudando. Então, gostaria que a senhora faça algo para essa situação, porque nós pagamos impostos de montão e não vemos muita mudança na prática.” (aluna Nicole)

“Presidenta Dilma, tendo em vista o que a senhora já sabe, quero ressaltar a atual situação de estudo e moradia das crianças brasileiras. Antes disto, gostaria de me apresentar, meu nome é Ana Clara, tenho 11 anos e sou estudante do Colégio de Aplicação localizado no estado do Rio Grande do Sul. Bom, vamos ao assunto principal. De acordo com um relatório realizado em 2008 pela UNICEF, o número de crianças de ambos os sexos até seis anos que vivem em famílias com menos de meio salário mínimo per capta é de 11, 5 milhões de crianças. Há vários outros problemas: de moradia, alimentação, estudo que realmente me assustam.” (aluna Ana Clara)

“Olá presidenta Dilma, sou Júlia e estou no Colégio de Aplicação da UFRGS. Tendo em vista que em algumas regiões muitas pessoas, principalmente os adolescentes, estão passando fome, estou te pedindo para dar uma taxa maior de dinheiro. Algumas mães tem apenas 112 reais para sobreviver em um mês com seus filhos.” (aluna Júlia)

“As crianças do Brasil não merecem as dificuldades por que estão passando. Elas, muitas vezes, não têm brinquedos, o que para adultos e crianças maiores não têm importância, mas para os pequenos faz diferença não ter uma infância igual a das outras crianças, tendo que trabalhar em pequenas coisas para ajudar a família etc. Por isso, peço a sua ajuda para melhorar o Brasil em relação não só às crianças, mas a todos.” (aluna Ana Carolina)

“Querida presidenta, sou aluna da 6a série do Colégio de Aplicação da UFRGS (Porto Alegre, RS) e estou estudando sobre a pobreza. Gostaria de lembra-la que 11,5 milhões de pessoas recebem menos de metade de um salario mínimo. Do total de crianças pobres, 66% são negros. A senhora sabia que apenas 15,5% de crianças até 3 anos estudam em creches? No norte este número cai para 8%.” (aluna Gabriela)

“Certamente a pré-escola está se tornando cada vez mais necessária, pois, diversas famílias brasileiras não possuem condições monetárias suficientes para pagar uma pré-escola para seus filhos. Há poucas vagas para pré-escolas públicas e, por isso, alguns pais tendem a se demitirem de seus trabalhos para cuidar dos filhos ou forçar seus filho a trabalharem para poder sobreviver. As pré-escolas são extremamente importantes, pois os pais destas crianças poderiam trabalhar e, como muitas vezes as crianças que as frequentam não possuem comida suficiente para sua sobrevivência e vitalidade, o fornecimento de merendas das pré-escolas são, também, muito importantes. As crianças que as frequentam também obterão acesso a informações básicas importantes para seu desenvolvimento futuro”. (aluno Pedro André)

Agradecemos a oportunidade de expressar nossas ideias, algo muito importante na construção de cidadãos conscientes e participativos.

Atenciosamente

Professora Maíra e alunos do Colégio de Aplcação da UFRGS

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