Washington Luís ou Getúlio Vargas?

Washington Luís x Getúlio Vargas
Washington Luís/Getúlio Vargas

Getúlio Vargas era um nacionalista, uma de suas marcas era sua defesa em pro dos pobres. Criador de leis que davam sustentação e garantia de subsistência, um lutador das causas populares.

A Revolução de 1930 trouxe ao centro do poder o gaúcho Getúlio Vargas, que, ao substituir Washington Luís pôs fim à República Velha.

As elites paulistas tentaram abafar e reverter as transformações que Getúlio começava a implementar. Ele partiu de trem rumo a capital federal do Rio de Janeiro, esperava-se que ocorresse uma grande batalha em Itararé, que não ocorreu, pois a cidade acolheu Getúlio na estação ferroviária, permitindo sua entrada no Estado de São Paulo, e os militares depuseram o presidente Washington Luís em 24 de outubro daquele ano. Com a perda da hegemonia da economia cafeeira, centrada principalmente em São Paulo e parte de Minas Gerais. As classes dominantes locais foram à luta em 1932.

Explodiu então a rebelião armada das forças insepultas da República Velha e da elite paulista, querendo recuperar seu domínio sobre o país. Tendo na linha de frente a Associação Comercial e a Federação das Indústrias (FIESP), o levante tinha entre seus líderes sobrenomes importantes do Estado, como Simonsen, Mesquita, Silva Prado, Pacheco e Chaves, Alves de Lima e outros. O movimento contou com expressivo apoio popular, uma vez que os meios de comunicação (rádio, jornais e revistas) reverberaram as demandas das classes altas.

Ninguém exerceu o poder no Brasil republicano por mais tempo do que Getúlio Vargas, com a deposição do presidente Washington Luís, e Vargas assumiu o cargo de presidente no mesmo ano.

A elite paulista insatisfeita com o governo central iniciou um movimento armado com o objetivo de derrubar o Presidente Getúlio Vargas, que terminou num conflito armado.

As tropas paulista foram derrotas pelo governo central e pelo menos 890 pessoas morreram em combate.

Portanto, em 9 de julho de 1932: as elites paulistas tentaram conter e reverter as transformações que Getúlio começava a implementar no Brasil.

Vargas não se opôs de forma explícita à ideia da constitucionalização. Em 9 de julho, São Paulo levantou-se em armas contra o Governo Provisório, iniciando a chamada Revolução Constitucionalista. Sob o comando do general Isidoro Dias Lopes e do coronel Euclides Figueiredo, tropas da Força Pública e do Exército ocuparam rapidamente os pontos estratégicos da capital, com a ajuda de elementos civis.

Pedro de Toledo aderiu à rebelião e foi proclamado governador do estado, assumindo a chefia civil do movimento junto com líderes do PD e do PRP. Quase todas as guarnições federais estacionadas em São Paulo aderiram à revolta. No dia 12, quando o general Bertoldo Klinger chegou a São Paulo para assumir o comando do exército constitucionalista, os rebeldes já controlavam todo o estado e posições fronteiriças em Minas, Paraná e no Estado do Rio.

Responsabilizou pela tragédia a classe dirigente paulista, acusando-a de arrastar a população para um movimento de revanche contra o de 1930 e denunciando também seus propósitos de separatismo.

Força Pública paulista acertou um acordo de paz em separado. A Força ficou incumbida de depor o governo revolucionário paulista, o que ocorreu no dia seguinte.
Em 2 de outubro, foi firmado o armistício que selava a derrota dos paulistas. Com o fim das hostilidades, o general Valdomiro Lima assumiu em 6 de outubro o cargo de governador militar de São Paulo.

Até hoje a elite paulista – do Estadão aos tucanos -, não digeriu aquela derrota. Continua a fazer a apologia de Washington Luís, colocando seu nome em tudo quanto é lugar público – de estradas a avenidas. Enquanto que o Getúlio, o maior estadista brasileiro do século XX, não tem nenhum lugar público com seu nome em São Paulo. Lula constatou isso, ao inaugurar um auditório no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, com o nome do Getúlio.

A elite paulista voltaria ao poder em 1994, pelas mãos de Fernando Henrique Cardoso (FHC) e do PSDB. Seu mote foi dado no discurso de despedida do senado, em 1994: “Um pedaço do nosso passado político ainda atravanca o presente e retarda o avanço da sociedade. Refiro-me ao legado da Era Vargas, ao seu modelo de desenvolvimento autárquico e ao seu Estado intervencionista”. Os objetivos desse setor continuaram os mesmos, décadas depois: realizar a contrarrevolução de 30.

Fonte/Carta Maior: “Hoje é o dia que as elites paulistas usam para comemorar a memória de um dos seus ícones fundamentais – o outro é Borba Gato e os
Bandeirantes. Porque em um dia como hoje as elites paulistas tentaram
Conter, e reverter as transformações que Getúlio começava a implementar no Brasil.

Washington Luís, político de origem carioca, cooptado pelas elites paulistas – exatamente como o FHC -, se havia notabilizado por, além de dar continuidade ao domínio das elites primário-exportadoras, por duas de suas afirmações: “A questão social é questão de polícia” e “Governar é construir estradas” – para facilitar as exportações.

Nada mais contrastante do que o governo que o Getúlio iniciava, com a reivindicação pelo Estado dos direitos sociais dos trabalhadores e pela interpelação dos brasileiros como ‘Trabalhadores do Brasil’.

O paradoxo não poderia ser maior: FHC, ao instaurar seu programa neoliberal de governo, disse: “Vou virar a pagina do getulismo”. Ele sabia que a centralidade do mercado que seu governo buscava, só poderia ser feita contra o Estado construído por Getúlio, que afirmava os direitos sociais, fazia do Estado uma alavanca para o crescimento econômico, incentivava a industrialização, reconhecia o direito à sindicalização dos trabalhadores, lançava as bases do nacionalismo e do Estado nacional.

Até hoje se pode dizer que essa é uma linha demarcatória das forcas políticas e das ideologias no país: quem está pela continuidade do ideário getulista se situa à esquerda; quem está contra ele, é a direita brasileira”.

 

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