Cidadania brasileira e a alienação política superam os limites florando as raízes da desigualdade social.

images 12.png

A desigualdade social é uma responsabilidade dos governantes deste país e da própria sociedade organizada, que possam combater a fome e a miséria, num primeiro momento.

É preciso pensar em investir nas pessoas para que tenham condições de competir em igualdade de condições no mercado de trabalho e esse trabalho não pode ser feito em apenas uma geração.

Enquanto analisamos a situação brasileira, vemos que, dos 204 milhões de pessoas, apenas uma pequena quantidade, ou menos de 20%, possui hoje condições de educação e padrão de vida que podem ser comparados a países desenvolvidos. Os outros 80%, ou a maioria da população encontra-se em níveis mais modestos, podendo em alguns casos ser comparados aos padrões africanos.

Como consequência da desigualdade social, temos os grandes problemas que nos afetam diretamente, podendo ser vistos a toda hora e todo momento:

1. Aumento das favelas nas grandes cidades, com proliferação nas cidades do    interior;

2. Crescimento de fome e de miséria em todos os centros urbanos;

3. Aumento da mortalidade infantil, do desemprego e da criminalidade;

4. Crescimento de classes sociais de menor poder aquisitivo;

5. Atraso no desenvolvimento econômico da nação;

6. Dificuldade de acesso a serviços básicos de saúde, transporte público, saneamento          básico e educação.

Como sociedade, o Brasil deve entender que, sem um efetivo Estado democrático, não teremos condições de combater ou reduzir a desigualdade social entre nós. Cabe ao conjunto da sociedade criar meios para o desenvolvimento social e estabelecimento de um conjunto de regras que possam minimizar a desigualdade social.

A cidadania plena só pode ser obtida a partir da superação dos limites impostos pelas contradições socioeconômicas que impedem o livre acesso à educação o que causa uma imensa lacuna na formação integral da população. A cultura humana é a mais sublime expressão de sua alma e deve ser forjada no sentido de valorizar a vida, sempre são desafios para estes novos milênios proporcionar, não somente condições de acessibilidade aos bens econômicos, mas também de conscientização quanto ao valor e a importância de sua identidade enquanto Nação.

Há hoje uma crescente corrente de interesses pelas questões educacionais, no seio da sociedade e nas universidades, na política e economia. E também – mas principalmente – no cotidiano da sociedade que clamam por um novo paradigma. Isso porque trata-se de uma questão que abarca tudo o que se refere à noção de mundo e do que significa respeito e dignidade humana. Não há forma melhor de fomentar a inclusão social do que por meio da educação.

Têm como premissa a valorização daquilo que cada um tem de melhor: sua capacidade de se reinventar e de traduzir o que pensa e sente por meio de sua criatividade. Cada ser tem como objetivo a lapidação das joias internas de seus integrantes de forma a surgirem daí, brilhantes seres humanos, cidadãos cônscios de sua responsabilidade enquanto partícipes da sociedade em que vivem.

A cidadania brasileira tem sido pesquisada por muitos estudiosos da Sociologia Política como Teresa Sales em seu artigo Raízes da Desigualdade Social na Cultura Política Brasileira e por pensadores como Oliveira Viana, quando trata da cidadania concedida, em alusão ao poder de dádiva dos detentores do poder político e econômico cuja base é o latifúndio, grandes fortunas, organisações empresariais e financeiras, ou ainda, os conceitos trabalhados por Murilo de Carvalho  que defendia que a liberdade de pensamento e voto, não é, necessariamente, a garantia de outros direitos como, por  exemplo, saúde,  educação, segurança e emprego, o que, historicamente, tem levado o Brasil a uma cidadania inconclusa.

As bases destas afirmações acerca da cidadania estão nas lentas e históricas conquistas do povo brasileiro, como, por exemplo,  o direito à liberdade, ligado  às nossas raízes escravocratas;  o direito à propriedade, numa sociedade dominada pelo latifúndio; o direito ao voto, apesar do coronelismo; o voto do analfabeto; o voto feminino;  o voto aos 16 anos de idade. Além disso,  tivemos a conquista de direitos trabalhistas obtidos na era Vargas e as garantias  individuais e  os direitos sociais assegurados pela Constituição  Federal de 1988, exatos 100 anos após a abolição da escravatura no Brasil. Enfim, à medida que a sociedade  brasileira foi se estruturando e se consolidando, vários direitos e deveres foram, aos poucos, sendo incorporados ao dia a dia das pessoas.

Mas a pergunta que se faz é: Até quando a nossa cidadania plena permanecerá como uma obra inacabada, concedida e com ares de uma “cidadania inconclusa”? Pois,  alguns mais céticos veem a cidadania plena como  algo ilusório ou  mesmo como uma peça de ficção.

A alienação política é uma realidade atinge de forma indistinta, os diversos segmentos sociais. Alguns se envolvem na política motivados  até pela extrema necessidade, tais como os mais pobres, que estão sempre suplicando  aos seus governantes políticas públicas básicas: saúde, segurança e educação, o que, numa análise mais pragmática, acaba por dar a eles, uma consciência política mais aguçada.

Nessa linha de pensamento, o alienado político é aquele que não quer ou se recusa a participar da vida política e de exercer de fato a sua cidadania; tem total desinteresse por todas as questões políticas; pouco se interessa em acompanhar ou investigar os atos de seus governantes e ainda confia cegamente o seu destino a alguns líderes políticos, pois afinal, em sua visão “são eles  que entendem  de política e  então farão o melhor para o bem de todos”. Enfim, ele não questiona e nem avalia o desempenho dos gestores públicos  e entende exercício do voto eleitoral mais como um peso e não como um direito legítimo ou mesmo como um passaporte para a mudança e  assim, não reconhece e nem valoriza a força de que realmente dispõe.

O que mais me incomoda nessa questão da alienação política é a atitude de pessoas que detêm grande conhecimento acadêmico e  que são profissionais de destaque e até  mesmo de renome em suas respectivas  áreas de atuação. Muitas dessas pessoas  em seu cotidiano denotam uma completa alienação ou mesmo um desprezo em relação aos benefícios que possam advir na esteira de sua participação política e de práticas de cidadania. Isso é um verdadeiro contrassenso, pois são pessoas que possuem grande potencial de influência. E no andar da carruagem, os alienados acabam sendo cooptados por espertalhões que vivem da política, estrategicamente embalados por suas falsas promessas ou pelos discursos falaciosos recomendados por suas assessorias de marketing político.

Tenho a firme convicção na validade e nos desdobramentos benéficos decorrentes da efetiva participação do cidadão nos destinos da nação brasileira. Por isso, conclamo e estimulo a todos a se alistarem nesse exército, por mais desanimado e cansado que o meu leitor esteja em relação a tudo que você tenha vivenciado até aqui, em termos políticos. Acredito no efeito “formiguinha” das atitudes individuais e na comprovada força da ação coletiva. No entanto, é fundamental e urgente, a  sua conscientização e envolvimento político. Não deixe de fazer parte desse processo de mudança, o que resultará, com certeza, em benefícios para todos os brasileiros.

images 12.png

Anúncios

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s