O legado deixado por Fidel, que a história o absolveu ficando para sempre…

 

fidel che cuba

Com a consolidação da revolução e consequentemente a derrubada do sanguinário Fulgêncio Batista, só a partir de 1959 viajou a uma infinidade de países da América Latina, Europa, África e América do Norte, para representar Cuba em congressos e conferências dos mais diversos tipos e organizações, assim como em outras atividades oficiais e visitas amistosas. Em 1959 foi ao Brasil, onde foi recebido pelo presidente Juscelino Kubitschek. Anteriormente já havia se encontrado com o deputado Jânio Quadros (que depois viria a ser presidente do Brasil).

Acalentou o desejo e convicção, com base na história deixada, este grande líder conduziu sem abrir de seu ideal nacionalista; não vendeu a nação cubana ao império do norte como estão fazendo o governo golpista do Temer e seus aliados. Conduziu seu povo para uma vida de realizações e, como resultado a liberdade.

O fato que ele estabeleceu para a nação cubana foi alcançado pelo seu esforço e determinação de superar a degradação social da sociedade cubana, que era vista pelos visitantes como lugar para se praticar orgias, jogatina e outras mazelas e principalmente lavagem de dinheiro da máfia americana, ou melhor, um paraíso fiscal para ocultação de fortunas.

Fidel Castro Ruiz nunca brincou com os ideais de seu povo que eram de ser livre, era benevolente com as classes sociais da base piramidal; sincero e bem claro em seus discursos e palestras pelo mundo afora. Ele expressava em seu coração o carisma do grande líder que foi e, suas ideais ficaram para sempre, o seu nacionalismo por uma nação grande.

No julgamento que se seguiu pelas ações, assumiu sua própria defesa e defendeu o direito dos povos de lutarem contra a tirania. Condenado a quinze anos de prisão, começou a cumprir a pena na prisão de Boniato (Santiago de Cuba) e depois foi transferido ao Presídio Modelo (Isla de Pinos), onde reelaborou sua autodefesa que levou o nome de A História me Absolverá, e teve sua primeira publicação e distribuição clandestinas em 1954 e desde então foi editada numerosas vezes em Cuba, como em muitos outros países e traduzido nos mais diversos idiomas.

Não só lutou contra ela e resistiu, mas passou por essa longa jornada sempre trabalhando e lutando, escrevendo e estudando, pesquisando e recebendo os companheiros de luta de todo o mundo.

Fidel era um sobrevivente de inúmeros atentados e tentativas de assassinato, hoje comprovadas pelos próprios documentos oficiais do governo dos Estados Unidos – da luta estudantil, do ataque a Moncada, do desembarque do “Granma”, da guerrilha e, depois, vencendo a batalha de Girón e enfrentando a longa luta para consolidar a revolução nos anos 60/70.

Um líder revolucionário e estadista colocou Cuba e seu povo na história do século 20. Participou e foi protagonista, mesmo governando uma ilha de 100 mil km² e 10 milhões de habitantes, de todos os grandes acontecimentos mundiais e esteve presente em todas as grandes lutas de independência e contra as ditaduras nas décadas de 60, 70 e 80, na América Latina e na África.

Enfrentou e não se rendeu à maior potência do mundo, os Estados Unidos da América.

Como ninguém, encarou a aspiração do povo cubano e latino-americano à independência e à soberania, seguindo a herança do pai de Cuba, José Martí, e dos grandes da América Latina, como Bolívar. Foi um símbolo de esperança e fonte de inspiração para os pobres, deserdados, explorados e oprimidos de todo o mundo.

Fonte: Revista Fórum/Blog do Rovai

Fidel morre num dos piores momentos da esquerda.

Este 2016 é um dos piores anos para a esquerda dos últimos tempos. E aí, de repente, pra completar, morre Fidel.

O líder mais importante e mítico da esquerda ainda neste pequeno pedaço do universo.

O líder que conseguiu sobreviver 49 anos no poder sofrendo todo tipo de boicotes e ataques do mais poderoso e vil país do planeta.

O líder que fez multidões ficarem horas lhe ouvindo contar histórias sobre a revolução.

O líder que conseguiu ver na década passada boa parte da América Latina sendo governada por partidos de esquerda e de centro esquerda, depois de tê-la visto sendo governada por décadas por ditaduras sanguinárias.

O líder que colocou seu povo para lutar nas independências africanas.

O líder que construiu um dos sistemas de saúde mais humanos e eficientes do mundo.

O líder que esteve e foi respeitado por todos os líderes do século XX sem precisar ter que dar a mão a um presidente americano.

O líder que agora vira mito.
Sua morte, porém, como disse na abertura deste texto, se dá num dos piores momentos da esquerda.

Em dias de vitória do discurso xenófobo, temperado com ódio e altas taxas de violência, que levaram Trump a ganhar a eleição dos EUA, que estão colocando Le Pen na França à beira de uma vitória histórica, que levou à rejeição do acordo com as Farc na Colômbia, que impôs a derrota à União Europeia na Franca, que faz milhares de refugiados sírios e de outros tantos países como o Haiti, perambularem sem destino e morrerem à busca de um canto com paz e comida para viver.

Fidel também morre num dos momentos mais duros dos partidos de esquerda da América Latina. Quando o PT tem a sua pior eleitoral e seus líderes são caçados e perseguidos como bandidos por uma justiça mais do que seletiva, quando o mesmo de alguma forma também já começa a acontecer com o peronismo na Argentina, quando o legado do chavismo se desfaz na Venezuela, quando golpes como os de Honduras, do Paraguai e mesmo o do Brasil são dados sem resistência.

Fidel morre e a gente fica pensando, será uma era que vai?

Será um tipo de esquerda e de forma de lutar pelo mundo que se despede?

Será um recado para as novas gerações de que vai ser preciso fazer diferente?

Será o velho morrendo para deixar o novo crescer?

Ou será que tudo já estava morto e só estamos vivendo um rito de passagem.

E de repente depois deste rito, depois deste luto a gente vai ver outras flores brotarem por aí.

Com a força e os sonhos do Fidel mais jovem, daquele Che que o acompanhava.

Com um discurso mais leve, menos bélico e ao mesmo tempo tão empolgante e mobilizador.

Fidel morre, mas continuamos.

Orai por nós, Fidel.

Nunca foi tão necessário o legado deixado por Fidel

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Em meio a tantas dificuldades e desafios que afligem a classe trabalhadora no mundo todo, quis o destino que 2016 fosse marcado também pela partida de Fidel Castro, o último grande líder revolucionário socialista do século passado que ainda convivia entre nós.
Viveu 90 anos lutando contra a opressão do capital e do imperialismo, tornando-se com o seu exemplo uma figura quase que lendária para as gerações de jovens que se inspiraram nos ideais da revolução cubana.

Mais do que nunca, o legado de Fidel se faz imprescindível. Acreditar na justiça e igualdade social não é utopia. É o combustível que nos faz seguir adiante, resistindo aos golpes que tentam ceifar nossos sonhos.

Reafirmar a identidade de classe como trabalhadores em luta permanente contra o opressão do sistema capitalista é levar adiante o exemplo que Fidel Castro e tantos outros revolucionários nos deixaram como inspiração e legado.

“Os homens passam, os povos ficam; os homens passam, as ideias ficam”.

Hasta la vitoria siempre, comandante!

Federação Única dos Petroleiros

Fidel pelo olhar do escritor uruguaio, Eduardo Galeano

Seus inimigos dizem que foi rei sem coroa e que confundia a unidade com a unanimidade.

E nisso seus inimigos têm razão.

Seus inimigos dizem que, se Napoleão tivesse tido um jornal como o Granma, nenhum francês ficaria sabendo do desastre de Waterloo.
E nisso seus inimigos têm razão.

Seus inimigos dizem que exerceu o poder falando muito e escutando pouco, porque estava mais acostumado aos ecos que às vozes.
E nisso seus inimigos têm razão.

Mas seus inimigos não dizem que não foi para posar para a História que abriu o peito para as balas quando veio à invasão, que enfrentou os furacões de igual pra igual, de furacão a furacão, que sobreviveu a 637 atentados, que sua contagiosa energia foi decisiva para transformar uma colônia em pátria e que não foi nem por feitiço de mandinga nem por milagre de Deus que essa nova pátria conseguiu sobreviver a dez presidentes dos Estados Unidos, que já estavam com o guardanapo no pescoço para almoçá-la de faca e garfo.

E seus inimigos não dizem que Cuba é um raro país que não compete na Copa Mundial do Capacho.

E não dizem que essa revolução, crescida no castigo, é o que pôde ser e não o que quis ser. Nem dizem que em grande medida o muro entre o desejo e a realidade foi se fazendo mais alto e mais largo graças ao bloqueio imperial, que afogou o desenvolvimento da democracia a la cubana, obrigou a militarização da sociedade e outorgou à burocracia – que para cada solução tem um problema –, os argumentos que necessitava para se justificar e perpetuar.
E não dizem que apesar de todos os pesares, apesar das agressões de fora e das arbitrariedades de dentro, essa ilha sofrida mas obstinadamente alegre gerou a sociedade latino-americana menos injusta.

E seus inimigos não dizem que essa façanha foi obra do sacrifício de seu povo, mas também foi obra da pertinaz vontade e do antiquado sentido de honra desse cavalheiro que sempre se bateu pelos perdedores, como um certo Dom Quixote, seu famoso colega dos campos de batalha.

(Do livro “Espelhos, uma história quase universal”)

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