Aniversário do centésimo ano da revolução Russa, levando a classe trabalhadora ao protagonismo das lutas políticas.

russa

A Rússia, pais transcontinental foi fundado pelos povos Viking. Durante milênios a Rússia transitou por uma cultura Bizantina e Eslava que por ocasião do Principado de Kiev, se desintegrou em pequenos Estados Feudais e Principado. Sua História é longa para ser contada em poucas palavras. Quando chegou ao Império Russo, da Czarina Catarina a Grande, quando em 1917, com a Revolução Russa, colocou um fim à era Czarina onde apenas os Nobres tinham boas condições de vida.

A Revolução Russa de 1917 foi um período de conflitos, iniciado em 1917, que derrubou a autocracia russa e levou ao poder o Partido Bolchevique, de Vladimir Lênin. Recém-industrializada e sofrendo com a Primeira Guerra Mundial, a Rússia tinha uma grande massa de operários e camponeses trabalhando muito e ganhando pouco. Além disso, o governo absolutista do czar Nicolau II desagradava o povo que queria uma liderança menos opressiva e mais democrática. A soma dos fatores levou a manifestações populares que fizeram o monarca renunciar.

Tinha consciência da necessidade de se promover reformas modernizadoras no país para aliviar as tensões sociais internas e transformar a Rússia num Estado mais respeitado internacionalmente. Com sua política reformista.

Portanto foi de suma importância a Revolução Russa de 1917, especialmente a Revolução de Outubro, pode ser identificada não apenas pelo conteúdo das transformações realizadas na Rússia semifeudal, mas principalmente pela inspiração que elevou a classe trabalhadora ao protagonismo das lutas políticas em diversos países.

Ao varrer do mapa o czarismo e junto com ele a burguesia inepta, a Revolução de Outubro abrigou em seu interior profundos significados que inspiraram as organizações operárias que atuaram na vaga revolucionária aberta naqueles anos.

Em que pese às condições objetivas favoráveis e a esperança das principais lideranças revolucionárias na vitória da revolução mundial, esta não vingou. Contribuíram para o fato, a articulação das forças da contrarrevolução, que marchavam ao lado da revolução, e a traição da socialdemocracia, especialmente na Alemanha, onde compunha o governo burguês e tinha ajudado a liquidar as principais lideranças revolucionárias abrigadas na Liga Espartaquista, como Rosa Luxemburgo e Karl Liebcknecht.

Com efeito, Lenin e Trotsky, os mais importantes líderes bolcheviques (agora chamados de comunistas), reunidos no III Congresso da Internacional Comunista, em 1921, avaliaram os aspectos parciais da derrota e exortaram os Partidos Comunistas que se haviam criado em diversos países, influenciados pelo sucesso da experiência soviética, a formarem a Frente Única Proletária para avançar na direção das grandes lutas se armando para os novos combates.  A consigna definitiva daquele importante congresso foi às massas.

Por mais que a Rússia não apresentasse direitos democráticos ou eleições, e estivesse sob a égide de uma monarquia absolutista, houveram alguns partidos de oposição ao czarismo que se definem mais como organização de correntes político-ideológicas.

Entre eles, o mais importante foi o POSDR (Partido Operário Socialdemocrata Russo) que se opunha ao regime monárquico e se inspirava em ideias marxistas. Em um dos Congressos do POSDR em 1903, surgiram duas correntes opostas e muito significativas para a revolução posterior: a primeira, os mencheviques, eram a minoria e defendiam que a revolução socialista só deveria ser feita após o amadurecimento do capitalismo.

Ou seja, uma revolução burguesa abriria caminho para uma posterior tomada de poder proletária. Seu principal líder foi Iulii Martov.

Já a segunda, os bolcheviques (a maioria) contra argumentavam que a revolução socialista e a ditadura do proletariado, para tirar a Rússia do atraso em que vivia, eram imediatamente necessárias a partir de uma união entre a classe operária e a camponesa; uma vez que a burguesia russa além de fraca não possuía verdadeiro interesse em derrubar o czarismo. Seu líder era Vladimir Ulianov, mais conhecido como Lênin.

Revolução Russa de 1917:

Da Agência Sputnik

27 de fevereiro de 1917, uma hora da tarde em Petrogrado, ou São Petersburgo, então capital do Império Russo chefiado pelo Czar Nicolau II.

Insatisfeitos com a falta de trabalho, alimentos e dinheiro, militares e operários invadem o Palácio Tauride e pedem a deposição do czar, o fim do absolutismo monárquico na Rússia e a proclamação da República, que deveria seguir uma linha esquerdista, contemplando iguais oportunidades para todos.

Os manifestantes são recebidos então pelo Deputado Alexander Kerensky, que mais tarde viria a exercer funções de comando ao assumir o Ministério da Defesa.

Acuado, Nicolau II tenta fugir e renuncia em favor do irmão, Mikhail Alexandrovich Romanov, mas este declina do cargo, alegando não se sentir em condições de chefiar o Império Russo. É a oportunidade que Kerensky percebe para, aliado aos insurgentes, derrubar a monarquia e entregar o cargo de primeiro-ministro (provisório) ao Príncipe Georgy Lvov.

Estava deflagrada a primeira fase da Revolução de 1917 na Rússia, movimento que só iria se consolidar em outubro/novembro daquele ano, em sua segunda fase, liderada por Vladimir Lenin.

No centenário da Revolução de Fevereiro de 1917, entre seus vários aspectos, discute-se a influência que a Revolução Comunista teve em todo o mundo, em particular no Brasil. Especialista em Rússia e conhecedor dos temas históricos brasileiros, o Professor Ângelo Segrillo, da USP (Universidade de São Paulo), opina: “A Revolução Russa teve influência direta no Brasil.”

“No Brasil houve a greve geral de 1917”, lembra Segrillo. “Foi a primeira grande greve geral organizada, mais pelos anarquistas. Inicialmente, aqui no Brasil, eram os anarquistas que tinham mais força no meio operário, e em 1917 foi concomitante à Revolução Russa. Não foi a Revolução Russa que causou essa greve geral no Brasil, mas os impactos das notícias da Revolução Russa deram uma grande força para esse movimento de 1917. Em 1918 ainda houve outros movimentos que vieram da greve de 1917.”

O especialista da USP acrescenta que “já em 1917, as notícias da Revolução na Rússia, tanto de fevereiro quanto de outubro, tiveram impacto concomitante, não que uma causasse a outra – todas elas estavam no bojo do mesmo movimento trazido pela desorganização da Primeira Guerra Mundial, que deu grande força para esses movimentos”.

O comentário do Professor Ângelo Segrillo avança na História da Rússia e em sua influência no Brasil:

“Depois, com os bolcheviques já no poder, a influência foi bastante forte, já na década de 1920. Logo após, tivemos a formação do Partido Comunista Brasileiro, no início da década de 1920, sob influência direta da União Soviética. E continua por aí a influência no movimento brasileiro. A Revolução Russa, assim como em outros países, teve influência direta no Brasil.”

Além da fundação do Partido Comunista Brasileiro, a Revolução Comunista da Rússia produziu no Brasil outras importantes influências:

“Acho que principalmente nos meios sindical e político. Em sentido mais amplo do que o meramente partidário, há essa influência ideológica. O célebre historiador inglês Eric Hobsbawm escreveu um livro cujo subtítulo é ‘O Breve Século 20’, porque ele considera que o século 20, na verdade, começou com a Primeira Guerra Mundial e a Revolução Russa e terminou com a desagregação da União Soviética.”

Assim, segundo o historiador britânico, nas palavras do Professor Ângelo Segrillo, “a experiência soviética balizou o século 20 porque foi o contraponto ao capitalismo. Esse embate entre o capitalismo e o socialismo soviético praticamente balizou a História do século 20, segundo Hobsbawm. E aqui no Brasil também isso foi fundamental, não apenas na política, também na cultura. Há toda uma série de escritores, artistas. Essa foi uma influência muito grande. No mundo como um todo, como Hobsbawm colocou, a experiência soviética, o socialismo em geral balizou a existência do Brasil e do mundo ao longo do século 20”.

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