A mídia e o jornalismo golpista que traiu o compromisso com a verdade

Mídia e Jornalimo golpista

Não são as más ervas que sufocam o grão, é a negligência do cultivador; jamais se deixem que sua consciência seja escravizada por uma mídia tão fascista como a nossa. Portanto, as nossas ações serão postas em dúvidas. O poder da palavra é real em nosso dia a dia, quer tenhamos ou não consciência disso. Se tivermos de concordar com algo contrário a nossa índole, ao nossos ideal, devido às circunstâncias, vamos avaliar se vale a pena ser falso; onde cada fracasso nos ensina aquilo que precisamos aprender. Não podemos fugir ao confronto ideológico das ideias ou, simplesmente cederemos o lugar da verdade ao boato e à mentira.

O jornalista William Waack não escondeu aquele sorriso cínico de quando Lula foi condenado a nove anos e meio de prisão em primeira instância pelo juiz Sérgio Moro, acusou Dilma de fazer discurso moralista, ao denunciar o golpe. Tratou a turbulência política como uma falha de comunicação da ex-presidente Dilma Rousseff com aliados e ex-aliados.

Somos umas das raras democracias em que os meios de comunicação agem sem limites, atuando apenas segundo os interesses de quem os controla. As vozes dissonantes ainda são sufocadas. Dessa forma, a democracia deixa de funcionar plenamente por não contar com um de seus principais instrumentos: a ampla circulação de ideias. Para enfrentar o problema é necessária uma regulação da mídia, capaz de ampliar o número de pessoas que têm o privilégio de falar com a sociedade.

Cabendo ao Estado impedir apenas que controlem artificialmente o mercado tornando-se monopolistas ou oligopolistas. já são proibidos pela Constituição com o objetivo de garantir a liberdade de expressão de toda a sociedade e não apenas daqueles que controlam os meios.

A regulação pode e deve ir além dos limites econômicos. Deve haver regras para garantir o equilíbrio informativo, o respeito à privacidade e à honra das pessoas. É importante que sejam assegurados espaços nos grandes meios de comunicações de massas tal como no rádio, na TV aberta e fechada, nos movimentos sociais, na promoção da cultura nacional, na regionalização da produção artística e cultural. E que seja garantida a proteção de crianças e adolescentes diante de programas e programações inadequadas à sua formação e agressivas  à sua dignidade.

Bertold Brecht afirmava – “que se continuemos a nos omitir da política é tudo o que os malfeitores (políticos e mídia/fascista) da vida pública mais querem; com a manipulação dos fatos e dizimando o ódio entre as classes sociais. Mais só unidos vamos tornar-se mais forte. Pois, característica da nossa sociedade é a capacidade de resistir sem perder o espirito de um povo guerreiro é ser resiliente. O pior analfabeto, é o político. Ele não ouve, não fala, não participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que é o custo de vida, do preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio, depende das decisões políticas.

O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia política. Não sabe o imbecil, que da sua ignorância nasce à prostituta, o menor abandonado, o assaltante e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e o espoliador das empresas nacionais e multinacionais”.

O golpe de 2016 teve uma contribuição vital do jornalismo de guerra. Com um serviço sujo que fizeram para desestabilizar o governo de Dilma Rousseff. As grandes empresas de mídia brasileiras praticaram um jornalismo de guerra desde que Lula e o PT ascenderam ao poder, em 2003. Foi inegável que foram bem-sucedidas em seus projetos macabros. Os governos do PT não entenderam que faziam uma guerra contra eles, e não reagiram à altura. Que era preciso responder no tom que com guerra é respondido com guerra. Nem o Lula e nem Dilma enxergaram a guerra até que fosse tarde demais. Às bombas lançadas contra eles em quantidade progressivamente opuseram um “republicanismo” oco, míope e suicida. Gilberto de Carvalho, um dos homens fortes do PT no poder, admitiu: “Financiar a mídia foi provavelmente nosso maior erro.”

Quando a mídia imprensa e televisiva percebeu que podia fazer guerra sem sofrer nenhuma consequência, ampliou até o limite extremo a força de seus ataques. O apogeu deste jornalismo de guerra se deu na campanha de Dilma para seu segundo mandato. Um segundo marco vital do jornalismo de guerra viria, meses depois, com Dilma já afastada, à espera da votação final do Senado. A Folha de São. Paulo promoveu uma fraude com uma pesquisa Data Folha que pretensamente avaliaria dois meses de Temer; simplesmente omitiu dois dados que constavam da pesquisa. Um deles apontava que 62% dos brasileiros queriam novas eleições, e não a permanência de Temer. Outro mostrava que para quase 40% dos ouvidos o processo de impeachment vinha sendo movido com má fé. O objetivo dos golpistas era enfraquecer Dilma, e fortalecer Temer, às vésperas da votação final do Senado.

A mídia cometeu um sem-número de ações criminosas em suas reportagens com manchetes de guerra a serviço da plutocracia golpista. A mídia escrita, televisiva e revistas fizeram em 2016, o papel dos militares em 1964 com apoio dos empresários. Do quanto caminharam fazendo promessa de ‘primeiro crescer o bolo para depois dividir’, do quantos vocês ficarão satisfeitos? Jamais estaremos satisfeitos enquanto haver o desnível social tão acentuado em nossa sociedade; onde pessoas passam fome e poucos esbanjam.

É desprezível que em pleno século XXI ainda morrem pessoas de fome nesta nação que caminharemos para frente. Não podemos retroceder. Há quem esteja perguntando aos devotos dos que pregam do primeiro se diz o celeiro do mundo na produção de alimentos.

Mas a mídia continuar fazendo o seu papel avalizando e defendendo o patronato que patrocina nestes pais a corrupção, com o aval da justiça pacionalista, do STF, do Executivo e Legislativo.  Onde rendem fortunas em assinaturas e mercado publicitário, em detrimento dos trabalhadores ou seu representante. Portanto, o que vemos no dia a dia é uma perseguição ferrenha ao Lula e, esta perseguição já vem desde as greves no ABC durante a ditadura militar.

Nossa mídia, em sua maioria é alimentada pelas agências de notícias norte-americanas. Portanto, atacar o Lula e o PT é como atacar cada trabalhador e trabalhadora deste país. Onde um insurgente, pobre, arrimo de família, proletário parou, durante o governo golpista de 1964, todas as montadoras instaladas na época no ABC paulista, com uma greve geral por tempo indeterminado, o pânico tomou conta dos grandes industriários e conglomerados econômicos, grandes multinacionais. Que, há séculos exploram mão de obra barata sem ninguém para cobrar melhorias para os trabalhadores e trabalhadoras.

Na visão das elites paulistana, Lula é um maltrapilho, beberrão de cachaça e iletrado, mas tem o poder de levantar as massas indiscutíveis, com sua expertise, seu carisma e habilidade oratória. Esta é a visão de nossa elite dominante, com demonização do Lula, começou a ser atacado diuturnamente pela grande mídia porque, claro, precisavam defender os interesses de seus patrões e barões midiáticos. Lula representa uma ameaça, pois tem liderança na grande massa dos trabalhadores e em diversas classes sociais, inclusive na alta.

Então, podemos afirmar que Lula é um mito. Porque, mesmo com toda essa perseguição virulenta, foi deputado constituinte, tentou se eleger pelo partido do PT ao governo de São Paulo e, após três tentativas para presidente em um país habituado com a política do “café com leite”, foi eleito na quarta tentativa. Em seu governo conseguiu provar que os seus antecessores mentiam ao dizer que “melhorar salários e a vida dos trabalhadores e trabalhadoras era impossível”, e desmontou a tese de que essas melhorias de base não cabiam no Orçamento da União, mas cabiam, por exemplo, para socorrer banqueiros com o famigerado PROER.

Não é hora de dar-se ao luxo de esfriar os ânimos ou tomar a droga tranquilizante do liberalismo. Agora é a hora de fazermos promessas reais e, da inclusão social e democrática. Agora é a hora de sairmos do vale escuro e desolado, da omissão para o caminho ensolarado da justiça social; unidos por um só ideal e, pela dignidade deste povo tão sofrido.  É hora de arrancar nossa nação da areia movediça da injustiça social e levá-la para a rocha sólida da igualdade, fraternidade e principalmente da liberdade, acesso aos bens que produzimos, mais não podemos nos usufruir. Agora é a hora de fazer da justiça para toda a sociedade brasileira.

A participação entusiasmada dos grandes empresários, classe média, dos donos de mídia, articulistas, editorialistas e chefes de redação na conspiração e retirada da presidenta Dilma Rousseff.

As revelações de Lúcio Funaro exigem uma resposta: afinal, quem eram os correntistas do banco de corrupção de políticos?

É um imperativo para o Estado de Direito identificar se, dentre os 367 integrantes da “Assembleia geral de bandidos [como definiu a imprensa internacional] comandada por um bandido chamado Eduardo Cunha” que aprovaram a fraude do impeachment naquela deplorável sessão da Câmara de 17 de abril de 2016, encontram-se aqueles que pertencem à “bancada de Eduardo Cunha” financiados e comprados pelo “banco de corrupção de políticos” do sócio de Temer que está encarcerado em Curitiba.

Se ficar confirmado que o impeachment fraudulento da Presidente Dilma foi assegurado pela “bancada do Eduardo Cunha” comprada pelo “banco de corrupção de políticos”, o STF tem o dever constitucional de anular a fraude do impeachment e devolver o poder à Presidente Dilma. Pois saímos do mapa da fome, o salário mínimo, que equivalia a 100 dólares na época de FHC, subiu acima da inflação, numa média de 300 dólares.

Só resta a sociedade tomar medidas que possam mudar esse roteiro. Já que não houve a regulação da mídia, ela pode continuar manipulando as notícias, sem ser molestada. Onde o ódio é a mola propulsora e que consumou o golpe de 2016. Os empresários da mídia podem até pagarem indenização mais o estrago na imagem já foi feito e os resultados recolhidos.

Como alternativa, só a uma alternativa para as esquerdas deste país, a criação nas redes sociais de militância virtual para solapar a força da direita odiosa, que nos superou nesse campo.

Vejo canais de youtubers com 100 mil inscritos e vídeos de até 700 mil visualizações pregando o ódio contra o PT e as esquerdas, como se o cidadão soubesse sobre os girondinos e jacobinos: 14 mil pessoas gostam, contra apenas 400. Existem milhares de jovens militantes do partido que podem mudar esse quadro de horror.

Pelo amor à verdade com a frase de Josué de Castro, autor da grande obra “A Geografia da Fome”, que rezava: “um terço da humanidade não dorme de medo dos dois terços que passam fome.

 Só nos resta o grito que é a força que se diferencia da miséria moral dos traidores que desonram e, tantos anônimos que ainda hoje se calam sob as pressões e torturas da mídia golpista apoiada pelas confederação do patrões, para não dar fôlego aos entreguistas e algozes da Pátria e do povo brasileiro.

O grito dos excluídos não é mero desabafo. É o grito contra a estes fascista golpistas que se deu com alta destrutividade nacional, da democracia, dos direitos sociais e humanos de nossos trabalhadores e pobres.

O grito dos excluídos tem que ser de sentimento intenso e de raiva e aversão, pela profundidade e consequência prática de sua organização e mobilização na luta. Excluídos somos todos nós povo brasileiro. O projeto golpista neoliberalista que nos foi imposto pela elites dominante; não abre sua mesa para o povo e sua sagrada classe operária.

Nossa luta ultrapassa o desabafo dos slogans e palavras de ordens para buscar o sentido da organização com método, com objetivos claros, com unidade no essencial e com disposição ao sacrifício e entrega da vida pela libertação do povo.

No Brasil, na madrugada do dia 31 de março de 1964, um golpe civil-militar foi deflagrado contra o governo legalmente constituído de João Goulart; em 31 de agosto de 2016, O afastamento definitivo de Dilma Rousseff da Presidência da República é sem dúvida o capítulo mais vergonhoso da história política brasileira. Acusada de praticar uma manobra contábil, as chamadas “pedaladas fiscais”, contra ela não foram levantadas quaisquer suspeitas de enriquecimento ilícito ou aproveitamento do cargo em benefício próprio, ainda que sua vida, privada e pública, tenha sido vasculhada com lupa por seus adversários.

A Ex-presidente Dilma Rousseff afirma: “Eu não sou Getúlio Vargas; não sou João Goulart (Jango); não sou Collor; não vou me suicidar. Não faço acordo. Não renuncio. Os nossos adversários terão de assumir que não passam de um bando de golpistas que não respeitam a vontade soberana do povo brasileiro”.

Veja a íntegra do pronunciamento de Dilma Rousseff após o impeachment. A ex-presidente Dilma Rousseff (PT) afirmou em um pronunciamento no Palácio do Alvorada, em Brasília, na tarde desta quarta-feira (31), que o impeachment é um “golpe parlamentar” e promete fazer forte oposição ao governo Michel Temer (PMDB), que assume agora a Presidência como efetivo.

Discurso da Presidenta Dilma Rousseff (PT) o primeiro pronunciamento após a aprovação do impeachment em 31/08/2016:

Traíram o compromisso com a verdade e com a independência por desinformação, conservadorismo e ideologia. Alberto Dines, Antônio Callado e Carlos Heitor Cony ajudaram a derrubar Jango. O poeta Carlos Drummond de Andrade sujou as mãos com algumas mal traçadas crônicas destinadas, pós-golpe, a chutar cachorro morto.

Em 1954, a mesma imprensa havia empurrado Getúlio Vargas ao suicídio. Nas únicas três vezes em que o Brasil teve governos do centro para a esquerda – 1951-1954- 1961-1964 e 2003, até hoje –, a mídia aliou-se aos mais conservadores ao agitar os mesmos espantalhos: corrupção, anarquia, desgoverno, aparelhamento do Estado, tentações comunistas e outras ficções mais ou menos inverossímeis.

Por mais subserviente que a mídia golpista possa ser, há fortes interesses econômicos em jogo. Por mais voltado ideologicamente para Washington que possa ser atualmente estes golpistas, não vejo a possibilidade de o Brasil sair ileso deste embaralhado político e econômico em que a sociedade foi levada. Acho que há aí um mínimo de pragmatismo que não permite que eles saiam tão ilesos como pensam. Só não vão tomar nenhuma iniciativa, até porque não têm nenhuma credibilidade para lançar alguma coisa nova. Vai indo na rabeira.

Que interesse a grande mídia tem com a verdade e, em informar sobre ligações que existem entre acontecimentos, que não são visíveis aos olhos da sociedade. Mas são visíveis aos olhos da grande mídia golpista. Sei também que a realidade do cotidiano da grande mídia nas redações, nos dias atuais, é cruel: a concorrência entre os noticiários é intensa, principalmente nas redes de comunicações. É fato também que o desmantelamento das redações foi recomendado para os proprietários das grandes redes de comunicação como caminho para salvar os seus negócios.

Já no século XV, o século do Renascimento, de Leonardo da Vinci, do início da era das grandes descobertas, de grandes pensadores e da formação das bases ideológicas da Reforma que revolucionou o Cristianismo. Da Idade… Moderna! O século da intolerância, da superficialidade, do individualismo exacerbado, das sociedades rachadas pelo predomínio absoluto das ideias conservadoras.

É por isso que Lula acende a esperança no coração justamente dos que mais precisam do Estado, embora o ex-presidente tenha larga aceitação também na banda progressista dos estratos médios da sociedade. Em que pese se constitua num fenômeno político intrincado e complexo, a teimosa liderança de Lula em todas as pesquisas, a despeito do massacre midiático diário que sofre, tem a ver também com o dia a dia do povo, com sua realidade cotidiana.

Basta uma caminhada pelos centros urbanos do país para se obter um retrato em preto e branco da deterioração das condições de vida dos integrantes da parte baixa da pirâmide social. O aumento da pobreza e da miséria salta aos olhos ante o número de moradores de rua, de pedintes, de vendedores ambulantes e de pessoas que simplesmente perambulam pelas ruas tomadas pelo desalento.

A volta do país ao mapa da fome é tida como certa, depois de ter saído em 2014. Os pobres estão sendo arrancados a fórceps do orçamento. A aprovação da PEC-55, que congelou por 20 anos os gastos sociais, a reforma trabalhista, a forte ameaça da reforma da previdência, os cortes no Bolsa Família e no Mais Médicos, o fim do programa Farmácia Popular, da política de valorização do salário mínimo, a venda a preço de banana de estatais estratégicas, a redução do investimento público a patamares alarmantes e a  destruições pela Lava Jato do setor de petróleo e gás traçam um horizonte sombrio marcada pela penalização dos menos favorecidos.

Contudo, os governos de Lula e Dilma mostraram que esse país pode dar certo. O Brasil virou centro das atenções mundiais, visto como um país que superava suas dificuldades e seguia um caminho de prosperidade. A autoestima das pessoas estava elevada, havia otimismo em relação ao presente e fé no futuro. O desânimo, portanto, é um péssimo conselheiro. Mas a mobilização popular e a luta são as condições essenciais para que tenhamos o nosso Brasil de volta. Metade dos brasileiros sucumbiu na informalidade. E desigualdade, essa canoa vai virar.

É pesquisar o tom das manchetes exultantes e os editoriais a favor da intervenção militar deram o tom. Em 1964, João Goulart, fervido no caldo borbulhante da Guerra Fria, enfrentou a ira moralista de veículos como o Correio da ManhãJornal do BrasilO GloboO Estado de S. PauloFolha de São PauloTribuna da ImprensaO Dia e dos Diários Associados de Assis Chateaubriand. A queda de Jango começou a se definir em 13 de março, uma sexta-feira.

O presidente cometeu o pecado de abraçar a reforma agrária e de encampar as refinarias de petróleo. A reação conservadora pôs nas ruas as Marchas da Família com Deus pela Liberdade. Consumado o golpe, o diretor de O Estado de S. Paulo, Júlio de Mesquita, não se constrangeu em publicar, em 12 de abril de 1964, o “roteiro da revolução”, que ajudara a preparar com auxílio do professor Vicente Rao, em 1962.

O patriarca da imprensa golpista clamava pelo fechamento do Congresso Nacional e das assembleias legislativas. “Há mais ou menos dois anos, o Dr. Júlio de Mesquita Filho, instado por altas patentes das Forças Armadas a dar a sua opinião sobre o que se deveria fazer caso fosse vitoriosa a conspiração que então já se iniciara contra o regime do Sr. João Goulart, enviou-lhes em resposta a seguinte carta…” Sugeria a suspensão do habeas corpus, um expurgo no Judiciário e a extinção dos mandatos dos prefeitos e governadores. A solução “democrática” contra o governo de Jango seria uma junta militar instalada no poder por, no mínimo, cinco anos.

A “Mensagem ao Congresso”, enviada por Jango em 15 de março, detonou o horror na imprensa golpista. O confronto com os marinheiros reunidos no Sindicato dos Metalúrgicos, no Rio de Janeiro, em 25 de março, deu nova e poderosa munição para o golpismo midiático: as Forças Armadas estariam minadas pela indisciplina. Os marinheiros da base da hierarquia tinham reivindicações subversivas, entre elas… O direito ao casamento. A mídia considerava tudo isso muito radical. Em 30 de março, Jango compareceu ao encontro dos sargentos no Automóvel Clube do Rio. Foi à senha para o autodenominado “vaca fardada”, o general Olympio Mourão Filho, dar o seu coice mortal, marchando com suas tropas de Juiz de Fora para o Rio. A mídia exultou.

O golpe partiu de Minas sob a liderança civil do governador Magalhães Pinto. Alberto Dines, hoje decano dos críticos de mídia e pregador de moral e cívica no seu Observatório da Imprensa, brindou o governador, no livro que organizou e publicou ainda em 1964 para tecer loas ao golpismo – Os Idos de Março e a Queda em Abril –, com o mais alto elogio disponível na época, um cumprimento aos colhões do pacato golpista: “Enfim, apareceu um homem para dar o primeiro passo. Este homem é o mais tranquilo, o mais sereno de todos os que estão na cena política. Magalhães Pinto, sem muitos arroubos, redimiu os brasileiros da pecha de impotentes”.

Correio da Manhã deveria constar no livro dos recordes como o mais rápido caso de arrependimento da história do jornalismo. Em 31 de março e 1º de abril de 1964, golpeava furiosamente. No editorial “Basta!”, decretava: “O Brasil já sofreu demasiado com o governo atual. Agora, basta”. De quê? “Basta de farsa. Basta da guerra psicológica que o próprio governo desencadeou com o objetivo de convulsionar o país e levar avante a sua política continuísta. Basta de demagogia para que, realmente, se possam fazer as reformas de base”.

O jornal iludia-se como uma senhora de classe média desinformada: “Queremos as reformas de base votadas pelo Congresso. Queremos a intocabilidade das liberdades democráticas. Queremos a realização das eleições em 1965. A nação não admite nem golpe nem contragolpe”. No editorial “Fora!”, saiu do armário: “Só há uma coisa a dizer ao Sr. João Goulart: ‘Saia!”’ Veredicto: “João Goulart iniciou a sedição no país”. E mais: “A nação não mais suporta a permanência do Sr. João Goulart à frente do Governo. Chegou ao limite final à capacidade de tolerá-lo por mais tempo. Não resta outra saída ao Sr. João Goulart senão a de entregar o Governo ao seu legítimo sucessor”. Como poderia de um golpe vir um “legítimo sucessor”? Mistérios do jornalismo: “Hoje, como ontem, queremos preservar a Constituição. O Sr. João Goulart deve entregar o Governo ao seu sucessor porque não pode mais governar o País”.

Os grandes jornais paulistas e cariocas atolaram-se com o mesmo entusiasmo. Apoiaram o golpe e a ditadura. A Folha de São Paulo ficou famosa por emprestar suas caminhonetes para a Operação Bandeirantes transportar “subversivos” para o tronco. Em 22 de setembro de 1971, o jornal de Octavio Frias tecia em editorial o seu mais ditirâmbico elogio ao pior momento da ditadura: “Os ataques do terrorismo não alterarão a nossa linha de conduta. Como o pior cego é o que não quer ver, o pior do terrorismo é não compreender que no Brasil não há lugar para ele. Nunca houve. E de maneira especial não há hoje, quando um governo sério, responsável, respeitável e com indiscutível apoio popular está levando o Brasil pelos seguros caminhos do desenvolvimento com justiça social, realidade que nenhum brasileiro lúcido pode negar, e que o mundo todo reconhece e proclama”.

Esse apoio explícito da Folha de São Paulo ao governo de Emílio Garrastazu Médici ganha nesse editorial um tom de confissão apaixonada: “Um país, enfim, de onde a subversão – que se alimenta do ódio e cultiva a violência – está sendo definitivamente erradicada, com o decidido apoio do povo e da imprensa, que reflete os sentimentos deste. Essa mesma imprensa que os remanescentes do terror querem golpear”. Em 2009, a Folha de S.Paulochamou a ditadura de “ditabranda”. O arrependimento nunca chegou.

O Globo, em editorial de 2 de abril de 1964, notabilizou-se pela bajulação surrealista: “Vive a Nação dias gloriosos. Porque souberam unir-se todos os patriotas, independentemente de vinculações políticas, simpatias ou opinião sobre problemas isolados, para salvar o que é essencial: a democracia, a lei e a ordem”. Em 7 de outubro de 1984, nos 20 anos do regime, Roberto Marinho reincidiu: “Participamos da Revolução de 1964 identificados com os anseios nacionais de preservação das instituições democráticas, ameaçadas pela radicalização ideológica, greves, desordem social e corrupção generalizada”. Só 49 anos depois do golpe, O Globo publicaria uma retratação contraditória e pouco convincente. Assim foi com outro representante do jornalismo carioca. Em 31 de março de 1973, o Jornal do Brasil comemorava: “Vive o País, há nove anos, um desses períodos férteis em programas e inspirações, graças à transposição do desejo para a vontade de crescer”.

Em 2 de abril de 1964, a Tribuna da Imprensa deu em manchete uma lição do mau jornalismo que sempre a distinguiu: “Escorraçado, amordaçado e acovardado, deixou o poder como imperativo de legítima vontade popular o Sr. João Belchior Marques Goulart, infame líder dos comuno-carreiristas-negocistas-sindicalistas”.

Se os jornais apoiaram o golpe e a ditadura, muitos intelectuais jornalistas marcharam na linha de frente do golpismo. Cony, que logo percebeu o tamanho da encrenca e passou a criticar o novo regime, admitiu ter participado da confecção dos editoriais “Basta” e “Fora” do Correio da Manhã: “Minha participação limitou-se a cortar um parágrafo e acrescentar uma pequena frase”. Quanta modéstia retrospectiva! Para Cony, João Goulart era um “homem completamente despreparado para qualquer cargo público, fraco, pusilânime e, sobretudo, raiando os extensos limites do analfabetismo”.

Dines vomitaria uma das maiores asneiras da época: “É preciso muita convicção para não se enredar pelo glamour de uma façanha esquerdista. Quem tem coragem para dizer que aqueles marinheiros, que arriscaram a vida com aquele motim por uma causa tão distante e abstrata, como reformas de base, eram oportunistas e agitadores”. Entre as causas distantes e abstratas defendidas naqueles tempos estavam o direito ao casamento e ao voto para os analfabetos. Em 1968, depois do AI-5, em discurso numa formatura, Dines criticou a censura. Enrolou-se com os velhos amigos. O Serviço Nacional de Informações forneceu-lhe um atestado de bons antecedentes descoberto pelo pesquisador Álvaro Laranjeira: “Sempre se manifestou contrário ao regime comunista. Colaborou com o governo revolucionário, escrevendo livro sobre a revolução e orientou feitura de cadernos para difundir objetivos da revolução”. Não foi denunciado. Perdoou-se o deslize.

Callado faz de Jango um bêbado, incompetente e inculto, casado com uma mulher fútil, e com um vício terrível, “o de aumentar o salário mínimo”. O futuro escritor atrapalhava-se com as palavras: “A Presidência da República foi transformada numa espécie de grande Ministério do Trabalho, com a preocupação constante do salário mínimo”. Chafurdava na maledicência: “Ao que se sabe muitos cirurgiões lhe garantiram, através dos anos, que poderia corrigir o defeito que tem na perna esquerda. Mas o horror à ideia de dor física fez com que Jango jamais considerasse a sério o conselho. Talvez por isso tenha cometido o seu suicídio indolor na Páscoa”. Raízes de certo jornalismo de nossos dias.

Estes são alguns dados de um jornalismo golpista. Portanto, se continuarmos a nos omitirmos da política é tudo que os grandes aglomerados industriais, agropecuários e as grandes oligarquias midiáticas mais querem. Por ter interesse em manipular a opinião pública. Frente a essa situação, o que nós podemos fazer? Não podemos nos sentar esperando que estes fascistas sejam coerentes e dignos de relatar os fatos apenas. A influência dos monopólios de comunicação sobre a sociedade brasileira e como essa visão única da cobertura da grande imprensa pode ser combatida.

A mídia cria padrões de comportamento e consumo sobre a população e a importância fundamental da democratização da comunicação. Muitas vezes, as pessoas enxergam a si mesmas pelas lentes dos meios de comunicação de massa. Esses são um pequeno grupo de empresas capitalistas que determinam o que é notícia e como ela será dada. Tornou-se possível ressurgimento dos discursos fascistas no País. Democratizar a mídia, não é só democratizar os grandes aglomerados de comunicações. É que haja outros meios de comunicações, com outros pensamentos e o poder de disputar a atenção da sociedade.

Para entregar a Petrobras, mexer no salário mínimo, nos direitos trabalhistas, na Previdência. As vísceras deste projeto golpista estão à vista de todos. Só com o apoio dos meios de comunicações é que estes fascistas golpistas irão conseguir concretizarem seus objetivos, unificando e blindando estes políticos corruptos, onde uma mão lava a outra, com cobertura dos que tem o poder político e, dos que não tem o apoio desta mídia golpista.

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