A condenação do ex-presidente Lula foi exposta a parcialidade da Lava-Jato no conluio e acerto do resultado

São tempos difíceis, mas para um revolucionário os tempos difíceis são o seu próprio desafio; independentemente de ter concebido a revolução como uma trincheira sem fim, rebelião pacífica do cidadão Luiz Inácio Lula da Silva ante a condenação ilegal. A operação lavajatistas do Paraná classifica de um Pária e insultam, injuriam, quando as provas não existem, eles as inventam, escondem e as apagam mensagens em seus Telegram conforme suas convicções revanchistas. No entanto, este grande líder tem se mantido em corpo e alma, paciente e resoluto, busca a qualquer custo provar sua inocência, após sua libertação do cárcere de Curitiba/PR, ressurgi triunfante, no campo político com força total a procura de justiça.

O que podemos entender por justiça como um conceito abstrato que só existe na ideia, coloquial, vago, impreciso; que por si só, deveria ser imparcial entre interesses de determinados grupos sociais, como o respeito à igualdade de todos os cidadãos. É o principio básico que mantém a ordem social através da preservação dos direitos em sua forma legal. A justiça tem como maior símbolo uma estátua, com olhos vendados, que tem um significado, onde “todos são iguais perante a lei” e “todos têm iguais garantias legais”; ela deve buscar a igualdade entre todos. Segundo Aristóteles, o termo justiça denota, ao mesmo tempo, legalidade e igualdade.

Assim, justo é tanto aquele que cumpre a lei ‘justiça em sentido estrito’ quanto àquele que realiza a igualdade ‘justiça em sentido universal’. Devido à carga dramática de quem é condenado por um crime que lhe eh imputado por motivo político. O que vou tentar ser o mais isento possível, nas condenações de Lula que foi acusado a meu ver como uma forma de afasta-lo da vida política brasileira. Pessoas celebrando, com fogos de artifícios, a classe média em sua grande maioria em festa transformando os justiceiros do Paraná em heróis detentores das mais altas condecorações, de ministros que salvou o mandato de Aécio do Temer.

Não é o caso de defender ou não Lula, mas as instituições democráticas de direito. Não vou me estender na questão das falhas legais, porque disso já se ocuparam 122 renomados juristas que publicaram o livro “Comentários a uma sentença anunciada. O Processo Lula“, disponível em PDF gratuito para quem realmente se preocupa em saber se a prisão do ex-presidente Lula foi um ato político. Uma grande parte da sociedade sem distinção de classe social com sua insana sede de justiça aplaudindo os justiceiros lavajatistas do Paraná prendendo o único presidente que se preocupou em dividir um pouquinho do bolo. Quando todas as pesquisas mostravam que ele seria eleito.

O fato de manipularem o uso da Justiça de acordo com quem se quer condenar é assustadoramente perigoso e deveria preocupar a todos. Junte a isso o ataque aos nossos direitos que vem comendo tudo desde o impeachment, teto de gastos para educação, retirada dos direitos trabalhistas, a reforma da Previdência em nome da qual se pode fazer qualquer acordo e, terá a real intenção por trás da prisão de Lula, interromper o processo democrático sobre o pretexto de combate a corrupção destes falsos heróis.

Essa obra é um dos maiores clássicos do direito contemporâneo brasileiro e uma das mais duras e embasadas denúncias contra o regime de exceção, cujo exemplo mais perigoso é justamente a sentença do ex-juiz Sergio Moro e atualmente Ministro da Justiça de um governo eleito devido suas manipulações de quando ainda era juiz, vazou na véspera da eleição delações mentirosas. O documento jurídico é resultado de um movimento de juristas brasileiros que examinaram cuidadosamente a sentença proferida por Sérgio Moro no âmbito do processo que tramitou na 13ª Vara Federal de Curitiba, no caso que ficou conhecido como “tríplex do Guarujá”. Os autores fizeram um profundo exame técnico da condenação, baseadas em meras convicções de um processo bastante problemático sob qualquer ângulo e, diagnosticaram de que a Justiça foi usada com objetivos políticos.

O livro é o que podemos chamar de “Carta Compromisso com a Cidadania, a Democracia e o Estado de Direito”. É inacreditável que a OAB, PGR e o STF, diante de uma obra dessa magnitude, com a participação de centenas de professores prestigiados, juristas famosos, ex-procuradores, juízes, não se manifestem sobre esse verdadeiro atentado à democracia, à jurisdição, à justiça e ao país que é a sentença da 13º Vara de Curitiba contra o ex-presidente Lula foi uma farsa e homologada pelo TRF-4, utilizou-se publicamente expressões que implica que já havia sido formada uma visão desfavorável do caso corrente; ante de iniciar o julgamento, é manifestamente incompatível com a imparcialidade exigida por qualquer tribunal. A justiça tinha a obrigação moral e ética de anula-la, dando ao ex-presidente Lula um julgamento justo e imparcial.

Desde que se iniciou a cobertura jornalística dos vazamentos de mensagens trocadas entre integrantes da Lava Jato em Curitiba e o ex-juiz Sergio Moro, as revelações promovidas pelo site Intercept Brasil e veículos parceiros têm desfeito a imagem pública construída pela operação criminosa. Tendo como principal tônica as revelações foram de uma parcialidade total nos julgamentos conduzidos pelo ex-magistrado e atual ministro da Justiça Sérgio Moro, seu envolvimento direto com a acusação, formalmente conduzida pelo MPF. O ex-juiz sugeriu inversão de fases de operações, indicou testemunhas ao MPF, questionou a atuação de uma procuradora que deixaria de exercer suas funções originais após a queixa, solicitou a inclusão de materiais que serviriam como embasamento de suas decisões.

A Lava Jato se valeu de lobistas e movimentos de direita para pressionar ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) contrários às posições defendidas em Curitiba. Até mesmo investigações de caráter financeiro contra cônjuges de alguns ministros foram iniciadas, vislumbrando a possibilidade de se constranger parte dos integrantes da Corte. Tinha um timing político em diversos momentos, os integrantes da operação debateram propostas de atuação para influenciar o cenário político, a partir de seus interesses. Como ficou claros a condenação do ex-presidente sem provas e a toque de caixa, para que sua candidatura ao cargo de presidente fosse indeferida, impedindo de concorrer nas eleições de 2018; a articulação lhe negando o direito de expressar depois de preso.

Revista Consultor Jurídico – Os processos, os julgamentos e a prisão a que é submetido o ex-presidente Lula configuram e simbolizam, em diversos sentidos e significados, uma tragédia típica brasileira. Representam e reproduzem a tradição das relações sociais, econômicas e políticas no Brasil: uma história de profundas desigualdades, violências, injustiças, perseguições e arbítrios. Por isso tudo, o “Caso Lula” é paradigmático e traumático.

Em suas tramas, ardis e arbitrariedades, os processos e seus julgamentos estão expondo a relação mal dissimulada e perpetuada entre o Direito e as estruturas jurídicas do Estado e o poder dominante, entre promotores, juízes, desembargadores e ministros de tribunais e os interesses políticos de grupos que compõem o “sistema hegemônico de poder”, cujas estratégias se utilizam da violência institucionalizada do Estado brasileiro sempre em proveito de interesses particulares e dissociados do interesse geral, notadamente para perseguir, condenar e prender, a qualquer custo, aqueles que ameacem ou ousem subverter, alterar ou modificar o referido “sistema” em proveito das classes ou setores desfavorecidos.

No Caso Lula compõe-se então um espetáculo farsesco, teatros jurídicos dos quais emanam, nas palavras “técnicas” dos funcionários do Estado – juízes e membros do ministério público, o drama inteiro de uma sociedade partida e presa em suas características formadoras: perseguição, injustiça, desigualdade, arbítrio. Com esse martírio judicial imposto a Lula, ainda que não queiram seus atores, os tribunais passam a ser a caixa de ressonância, a reverberar, intensa e explicitamente, os ecos que reafirmam e confirmam esses traumas coletivos que estruturam e afligem nossa sociedade.

No chamado “caso do triplex”, que resultou na prisão antecipada e inconstitucional do ex-presidente, por mais que tentem negar a perseguição judicial, o julgamento e a condenação imposta a Lula naquela brutal cerimônia judicial do Tribunal Regional Federal da 4ª Região simbolizam em diversas passagens e conteúdos esse trauma social. Na “peça teatral” encenada no TRF-4, a tragédia brasileira foi exposta em diversas dimensões: na parcialidade e nas arbitrariedades (antecipação do julgamento em relação a centenas de casos anteriores, que foi marcado em tempo recorde, na metade do tempo dos julgamentos mais rápidos já realizados naquele tribunal, no conluio evidente do acerto do resultado, em que os três desembargadores votaram unificados pela condenação e pelo aumento de pena desproporcional, na manifestação antecipada do presidente do tribunal em elogio à sentença objeto do recurso); no preconceito e discriminação (homens brancos, bem nascidos, tradicionais, da melhor estirpe burocrática brasileira julgando um nordestino submetido ao juízo universal da “lava jato”; e no autoritarismo e na violência (o desrespeito ao pacto constitucional pela violência pura e simples do poder judicial, subvertendo o sentido da lei e extrapolando os limites do processo e do caso, com desprezo e desconsideração com as alegações da defesa e aumento da condenação sem nenhumas bases jurídica e factual para tanto, o objetivo não declarado, mas explícito de utilização do poder judiciário para interferir nas eleições).

Infelizmente, o julgamento de segunda instância foi marcado pela combinação inaceitável do resultado entre os três desembargadores federais, inclusive na determinação odiosa de um aumento de pena, uma manobra feita à socapa com o objetivo malicioso de evitar a incidência da prescrição. Transmitido ao vivo pela TV, como um espetáculo, o julgamento não tratou das questões levantadas pela defesa, não apreciou as provas produzidas que inocentam Lula, não observou a necessária imparcialidade e serviu de palco para a reprodução dos argumentos principio lógicos que servem para um discurso político, mas não para um julgamento judicial.

Essa etapa do TRF-4, porém, somente consolidou a condição de um processo viciado e repleto de ilegalidades, conduzido com extrema parcialidade pelo juiz do caso. A expectativa, que agora se remete para os tribunais superiores, era que houvesse o mínimo de imparcialidade e observância do devido processo legal e outras garantias fundamentais, consagradas na Constituição e na tradição jurídica internacional, com a superação da etapa de arbitrariedades e ilegalidades contumazes praticadas na primeira instância pelo juiz Sergio Moro.

Com efeito, foram muitas as ilegalidades cometidas no curso do processo. Cabe citar, por exemplo, a espantosa e ilegal condução coercitiva a que foi submetido o ex-presidente Lula em março de 2016, efetuada sem respeito sequer da regra legal que disciplina a matéria.

Outro ato promovido pelo juiz do caso, repleto de ilegalidades e que por si só ensejaria, caso estivéssemos em um processo regido pelo devido processo legal, o seu afastamento imediato do caso, foi o vazamento ilegal (a lei de interceptação brasileira garante expressamente o sigilo) por ele de áudios captados após o término do período judicialmente autorizado de conversas do ex-presidente Lula com a então presidente Dilma Rousseff. O STF, em pronunciamento sobre essa situação, reconheceu a ilegalidade da divulgação e da captação, apesar de, inadvertidamente, não ter afastado o juiz.

Há outras demonstrações da perseguição a que Lula está sendo submetido. Entre elas, está a decisão arbitrária de outro juiz de proibir, inexistindo justificativa plausível, as atividades do Instituto Lula, sem que houvesse sequer pedido do ministério público nesse sentido, apenas como medida de exposição e humilhação públicas. De tão absurda, a decisão foi cassada rapidamente pelo tribunal competente.

Em suma, são muitas as medidas que estão sendo tomadas por parte do judiciário contra o ex-presidente Lula, com o intuito único de constrangê-lo. Agora, já preso antecipadamente, em situação inconstitucional, o ex-presidente Lula obteve um habeas corpus que, incrivelmente, não foi cumprido, com intervenções judiciais heterodoxas, para dizer o mínimo, de instâncias não vinculadas ao caso, notadamente do juiz acusador Sérgio Moro, cuja jurisdição já se encerrara e que despachou durante as férias para impedir o cumprimento do habeas.

Adotou-se contra Lula o chamado “direito penal do inimigo”, ou seja, uma guerra jurídica promovida contra uma pessoa, em que há abuso e desvios das competências estatais. Uma política judiciária de identificação prévia e criminalização total da pessoa, independentemente e antes mesmo da existência de crime. Em relação a Lula, agem como o “juiz que não quer perder o jogo”, como foi exposto pelo renomado jurista italiano Luigi Ferrajoli em audiência pública realizada no Parlamento de Roma em 11 de abril do ano passado, e em carta posterior, no qual denuncia enfaticamente a perseguição a Lula e a “impressionante” falta de imparcialidade do judiciário brasileiro.

Ante tal quadro, a defesa de Lula já acionou o Comitê de Direitos Humanos da ONU sustentando, com razão, que o ex-presidente não poderá ter julgamentos justos, que respeitem o devido processo legal e o amplo direito à defesa, no atual cenário político do Brasil, que passa por um perigoso momento histórico em que direitos e garantia constitucionais e a própria ordem democrática encontram-se em perigo.

A prisão de Lula, do mesmo modo, representa mais um duro golpe na democracia brasileira. Ainda sem o trânsito em julgado do processo em curso, a execução provisória da pena, com a prisão, constitui medida de exceção que deve ser rechaçada em face da violação que representa para a democracia e os direitos humanos.

A defesa de Lula já questionou nos tribunais superiores, em especial no Supremo Tribunal Federal, a possibilidade da prisão antecipada sem que tenham se esgotados todos os recursos cabíveis, o que representa uma violação do princípio constitucional da presunção de inocência, consagrado internacionalmente, inclusive em tratados internacionais dos quais o Brasil faz parte, notadamente a Convenção Interamericana de Direitos Humanos.

Contudo, o Supremo Tribunal Federal negou a soltura de Lula em julgamento polêmico, pois apesar da negativa, já se formou a maioria pela tese da impossibilidade da execução provisória da pena sem o trânsito em julgado. Porém, o STF não pauta os julgamentos de duas ações de caráter constitucional – ações declaratórias de constitucionalidade – que vão fixar esse posicionamento. Ao postergar o julgamento de tais ações, evita-se a imediata revogação da ordem de prisão de Lula, uma prisão inconstitucional e injusta, que viola a ordem jurídica nacional e internacional.

Na verdade, pelo aspecto traumático e simbólico de que se reveste, a perseguição judicial a Lula em processos e julgamentos eivados de vícios e arbitrariedades, em que fica explícita a utilização do Poder Judiciário em defesa de interesses políticos particulares, sendo o maior deles impedir que Lula dispute e se eleja novamente, marcará indelevelmente a história brasileira, e em particular a história judicial brasileira, como um caso relevante da nossa tragédia social. Essa “tarefa” imposta ao Poder Judiciário pelos poderes que não admitem Lula está cada vez mais clara e revelada ao Brasil e ao mundo.

Cristaliza-se, com isso, um mal-estar generalizado na sociedade, com a progressiva descrença do sistema judicial. É o inconsciente coletivo da sociedade que cada vez mais solidifica-se na desconfiança em relação ao Estado, à sociedade política. Um “trauma coletivo” que nos impele para a manutenção de uma ordem injusta, particular e escravocrata.

Consideradas as balizas constitucionais do Estado Democrático de Direito e da Democracia, a anulação do processo e a revisão dos procedimentos adotados em face do ex-presidente Lula, com sua absolvição, são uma obrigação constitucional dos tribunais superiores brasileiros. Do mesmo modo, deve-se garantir a possiblidade de Lula ser candidato a presidente da República. Caso isso não aconteça, a justiça brasileira pagará o eterno preço da desmoralização histórica e do descrédito institucional, adicionando mais um capítulo nefasto em sua trajetória.

O embaixador Samuel Pinheiro Guimarães sintetiza, em passagem de livro primoroso, esse triste trauma histórico brasileiro: “As questões que atormentam o quotidiano dos brasileiros – ignorância, pobreza, violência, poluição, racismo corrupção, arbítrio, mistificação, desemprego, miséria e opulência – são manifestações das extraordinárias disparidades, das crônicas vulnerabilidades e do desigual subdesenvolvimento que caracterizam a sociedade brasileira. Disparidades, vulnerabilidades e subdesenvolvimento que se encontram profundamente entrelaçados em relações circulares de causa e efeito cumulativas, que se agravam mutuamente com o tempo”. (Desafios Brasileiros na Era dos Gigantes, Rio de Janeiro: Contraponto, 2005, p.15).

Esse texto utiliza a abordagem e conceitos elaborados por Shoshana Felmam, crítica literária e professora de Literatura Comparada e de Literatura Francesa na Emory University e Yale (1974-2004), que em obra original e interdisciplinar traça os encontros entre direito, literatura, psicanálise, história e política. Intitulada Inconsciente Jurídico – Julgamentos e Traumas no Século XX (Trad. Ariani Bueno Sudatti, São Paulo: Edipro, 2014), a obra lança luz sobre a relação oculta, mas inevitável entre o direito, por meio de seus julgamentos, e os traumas individuais e coletivos. Segundo ela, “Em uma era na qual os julgamentos – televisionados e transmitidos em várias mídias – cessaram de ser um assunto de interesse exclusivo dos juristas e penetraram e invadiram de modo crescente a cultura, a literatura, a arte, a política e as deliberações da vida pública como um todo, a relação oculta entre o trauma e o direito foi gradualmente se tornando mais visível e mais dramaticamente aparente” (fls. 22). Como explica no prefácio do livro Márcio Seligmann-Silva, Shoshana Felmam em sua obra “mostra de que maneira podemos perceber os tribunais e os julgamentos jurídicos como uma via privilegiada de acesso aos traumas sociais, funcionando também como uma lupa, ou seja, uma lente que aproxima e dilata as fissuras da sociedade.” (fls. 8). Como exemplo, é indubitável que o julgamento de Lula no TRF-4 está prenhe de dimensões e significados políticos e sociais e se configura em julgamento histórico pelas consequências (negativas para o Brasil) que dele advirão.

Na explicação de Samuel Pinheiro Guimarães: “O poder da macroestrutura hegemônica da sociedade brasileira tem sua última instância no sistema jurídico, policial e penitenciário que permitia a repressão violenta e implacável daqueles que se rebelavam contra a autoridade portuguesa e mais tarde contra suas herdeiras, as autoridades imperiais e republicanas da República Velha e do Estado Novo, do regime democrático da Constituição de 1946, da ditadura civil-militar e da Nova República de 1985”. (Op. Cit., p. 34).

Shoshana Felmam, no capítulo introdutório de seu excelente livro, discorre em notas longamente sobre o conceito de trauma, citando diversos autores e teorias que no campo da psicanálise ainda disputam posições. Contudo, para o que interessa, explica que o trauma, no campo psicológico, serve para “designar um impacto para o eu (e para os tecidos da mente), um choque que cria uma quebra ou ruptura, uma lesão emocional que deixa danos permanentes na psique. O trauma psicológico ocorre como resultado de uma experiência insuportável, incontrolável e aterrorizante, normalmente um ou mais eventos violentos, ou a exposição prolongada a tais eventos. O dano emocional frequentemente permanece oculto, como se os indivíduos estivessem ilesos. (…) Hoje se compreende que o trauma pode ser tanto coletivo como individual e que comunidades traumatizadas são algo distintas de grupos de indivíduos traumatizados. (…). Grupos oprimidos que tenham sido continuamente sujeitos a abuso, injustiça ou violência sofrem de trauma coletivo…” (pag. 30, nota 1), e antecipa sua posição para dizer que entende o “trauma – tanto o individual quanto o social – é a realidade básica oculta do direito” (pág. 30, nota 2),

O processo de Lula passou à frente de mais de 237 recursos que aguardavam julgamento: Sistema interno do TRF-4 mostra que Paulsen acelerou processo de Lula

Um estudo conduzido na Universidade Federal do Paraná pelo professor de sociologia Ricardo Costa de Oliveira e outros intitulado Prosopografia Familiar da Operação “lava jato” e do Ministério Temer demonstra como os integrantes da “lava jato” (incluindo magistrados, procuradores e advogados) atuam de forma coordenada e em “rede”. A partir da prosopografia (biografia coletiva de determinado grupo social ou político) demonstra como os principais operadores, como o juiz Sergio Moro e o procurador Deltan Dallagnol, por exemplo, compõem uma elite política e judiciária, com posições políticas e ideológicas tradicionais e conservadoras. Em síntese, conforme consta do estudo: “Não se pode compreender, portanto, a “elite da ‘lava jato’” sem compreender a rede de relações sociais, profissionais, políticas e ideológicas que constituem estes agentes. Tais agentes não podem ser compreendidos dissociados de suas trajetórias e das trajetórias de seus familiares. Assim como não podem ser analisados de forma isolada, como indivíduos abstratos, que agem de acordo com o que “diz a lei”. São indivíduos concretos que possuem intenções e interesses em suas ações, além de pertencerem a famílias e classe sociais “privilegiadas”, possuidoras de uma cosmovisão de mundo, que, em muito, foi construída no decorrer do processo histórico nas principais instituições que formaram e formam as elites jurídicas e as elites políticas do país. Estas são conectadas e atreladas às elites do dinheiro, que em sua totalidade formam, com a elite midiática, a classe dominante em nosso país. Este seleto grupo de indivíduos, os operadores da “lava jato” e do ministério Temer, forma parte do 1% mais rico no Brasil e muitos até mesmo do 0,1% mais rico em termos de rendas.” Para acessar a íntegra do estudo: https://revistas.ufpr.br/nep/article/download/55093/33455

Foram horas de julgamento, no qual foram levantadas teses jurídicas discutíveis para a condenação, como a teoria do domínio do fato. O fato, porém, é que uma análise dos autos revela a simples ausência de provas e do próprio crime, indicando a fragilidade da sentença, que deveria ter sido reformada para absolver Lula. Conferir, com explicação detalhada, o excelente artigo do juiz federal Sílvio Luiz Ferreira da Rocha intitulado “O Juiz e a Construção dos Fatos

Recentemente a própria medida da condução coercitiva foi considerada, pelo STF, inconstitucional por violação da garantia constitucional do devido processo legal e ampla defesa, e do direito de permanecer calado.

Ver: Supremo declara inconstitucional condução coercitiva para interrogatórios

Supremo derruba decisão de Moro que divulgou grampo de Dilma

Juiz suspendeu atividades do Instituto Lula por conta própria

Liminar de desembargador do TRF-1 restabelece atividades do Instituto Lula

Decisão de Moro contra liminar de soltura de Lula foi proferida durante suas férias

Presidente do TRF-4 mantém Lula preso e diz que decisão final cabe ao relator

Ver também uma análise interessante: Professor de Direito de Portugal explica em detalhes o ‘lawfare’ contra Lula

Veja o vídeo em palestra do Professor Luigi Ferrajoli no Parlamento de Roma – com legenda. Ele participou de um painel no último dia 11/04 com os advogados Cristiano Zanin e Valeska Martins, que integram a equipe de defesa do ex-presidente Lula: A verdade de Lula – Aqui a reportagem, com o link direto para a carta do jurista italiano: Ferrajoli critica “impressionante” falta de imparcialidade em ação contra Lula

A pesquisa feita em Maio/2018 pela CNT/DMA revela: A avaliação sobre a atuação da Justiça no Brasil é negativa para 55,7% (ruim ou péssima) dos entrevistados. 33,6% avaliam a Justiça como sendo regular e 8,8% dos entrevistados avaliam que a atuação da Justiça no Brasil é positiva (ótima ou boa). 52,8,% consideram o Poder Judiciário pouco confiável; 36,5% nada confiável; e 6,4% muito confiável. Para 90,3% a Justiça brasileira não age de forma igual para todos. Outros 6,1% consideram que age de forma igual. Dos entrevistados, 44,3% acreditam que, mesmo após as recentes ações da Justiça na operação “lava jato”, a corrupção irá continuar na mesma proporção no Brasil. Enquanto isso, 30,7% avaliam que a corrupção irá diminuir e 17,3% acreditam que vai aumentar.

Ver a íntegra da pesquisa em: Resultados da 136ª Pesquisa CNT/MDA – Levantamento foi realizado entre 9 e 12 de maio e registrado no TSE sob o número 09430/2018. Por Agência CNT de Notícias em 14 de maio de 2018

Afrânio Silva Jardim: “refletindo os seus interesses no Poder Legislativo e no Poder Executivo, o grande capital, nacional e estrangeiro, penetra nos “intestinos” do Estado brasileiro e orienta ou determina as suas políticas públicas. Assim, os governos liberais são a expressão política da classe econômica dominante, não vemos saída para este tenebroso futuro senão através de drástica ruptura com este destrutivo modelo de sociedade, através de drástica ruptura com esta estrutura econômica e política hegemônica, de forma a que possamos ter, efetivamente, uma nova cultura e um novo homem, culto e crítico, inserido em uma sociedade generosa, democrática e fraterna”.

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