O que há por traz da prisão do Ronaldinho Gaúcho e seu irmão, Roberto Assis?

Vivemos em uma sociedade na qual as pessoas em sua maioria possuem claramente uma mágoa e indolência do mundo político, a mídia, na maioria das vezes, transmite e veicula notícias e informações que desestimulam as pessoas a se envolver com a política. Como, por exemplo, os escândalos de corrupção e os casos de descaso do poder público para com a população. Em muitas dessas matérias não há uma análise construtiva de como está à atmosfera política no Brasil ou citar casos de empreendedorismo político e de boas práticas de gestão do poder público, a fim de motivar ou gerar na população um interesse pelo que realmente é a Política!

O Brasil é percebido como um país extremamente corrupto, ele ocupa o 79° lugar no Índice de Percepções de Corrupção. Nas questões de comportamento, no entanto, o brasileiro mostra-se mais à direita do que à esquerda. Mais que a sociedade aos pouco vem acordando da série de fatos graves praticados pelo ex-juiz-político, hoje no Ministério da Justiça do governo de extrema direita do Jair Messias Bolsonaro. Em suma, pode-se ser considerado um desiquilibrado, que se acha acima da lei. Não interpreta a lei segundo as regras determinadas pela magistratura, que não demonstra apreço pela independência judicial.    

Quem já não o ouviu falar da velha expressão que alguém foi “boi de piranha”, em uma situação que alguém se submete ou é submetido a um sacrifício para livrar alguém de uma dificuldade ou de culpa. A historinha começa assim: “O boiadeiro deve escolher um animal velho ou doente e colocá-lo na água em local acima ou abaixo do ponto de travessia da boiada no rio. Enquanto as piranhas devoram o boi escolhido, os demais passam pelo rio e seguem a caminhada sem dificuldade”.  A expressão originou-se do meio pecuarista, ao atravessar um rio infestado de piranhas, o fazendeiro abate um velho e doente touro atira seu corpo, sangrando no rio, com esta isca atrai os peixes carnívoros (piranhas) enquanto os peões cruzam o rio com o restante do rebanho são e salvos.

Em qualquer sociedade alguém comete seus deslizes, seus crimes, pequenos, médios e grandes sem exceção. Para que não sejam percebidos, se faz necessário um “boi ou uma vaca de piranha”. No estágio atual conjuntura o boi/vaca de piranha escolhido foi o Ronaldinho Gaúcho e o irmão Roberto Assis. A explicação é simples, e vamos a ela. Estas notícias sobre a prisão dos irmãos com passaportes falsos serão com toda a certeza efêmera, e logo todos esquecerão, os bois gordos atravessaram os rios, isso lembra algo a vocês?

Passamos analisar o caso do Ronaldinho demonstra que nossas instituições são muito vulneráveis ao suborno e ao tráfico de influência e a mais enigmas que precisa ser desvendado. O caso escancarado com a prisão do ex-jogador Ronaldinho Gaúcho e de seu irmão Roberto Assis, que está tendo uma grande repercussão na imprensa internacional, foram detido pela polícia nacional do Paraguai, por entrar no país com passaportes falsos. O ex-jogador estava no país para lançar seu livro “Gênio da vida” e de um programa social com crianças da Fundação Fraternidade Angelical.

Há questões em aberto neste grotesco caso que já circulou ao redor do mundo. Foi invocada a intenção de fazer investimentos no país, segundo os quais os irmãos precisariam ter documentos nacionais, como se a maneira de obtê-los fosse irrelevante. Tanto ele, como seu irmão declarado visitante ilustre pelo prefeito de Assunção, teria ignorado que já estavam em processos de naturalização, de acordo com seus passaportes e carteiras de identidade nova. É difícil acreditar em tal tolice.

Twitter: Florestan Fernandes ✔@florestanjr– publicou no dia 10 de mar/20 > “Moro, que correu para condenar Lula, agora corre pra socorrer Ronaldinho Gaúcho. O embaixador do Turismo de Bolsonaro foi preso em Assumpção, acusado de usar passaporte falso. A pressa é uma constante na vida de Moro: no segundo turno da eleição já negociava uma cadeira no STF”. Aos pouco está vindo ao conhecimento da sociedade quais foram os indivíduos que convidaram os irmãos, foi o tal Nelson Belotti brasileiro, dono de cassino no Paraguai, que já esteve envolvido no Brasil pela Operação Lava-Jato e, uma senhora paraguaia que é especialista em lavagem de dinheiro segundo os meios de comunicações. O Bellotti já teve seu sigilo bancário quebrado no Brasil pela Lava-Jato de Curitiba, que descobriu que ele tinha negócios com o doleiro Alberto Yousseff, o mesmo da delação premiada que o ex-juiz-político e atual ministro da Justiça e Segurança do Brasil, deixou cumprir a pena em sua residência de luxo na capital de São Paulo. O Moro simplesmente deixou de lado e não investigou o sujeito.

O paladino dos costumes e da moral vem tentando tirar os irmãos da prisão no Paraguai. O ministro da justiça e segurança do Brasil Sérgio Moro vem ligando diariamente várias vezes ao ministro paraguaio, se uma fiança resolveria a questão. Se os irmãos estão sendo bem tratados e se há previsão de libertação. O que mais assusta é sua tibieza, hipocrisia ou até receio que os irmãos abram o jogo. Sobre o elo em torno do dono de uma rede cassino Nelson Luiz Belotti dos Santos e do doleiro Alberto Yousseff, que eram peça central em todas as investigações críticas de Sérgio Moro com sua conduta ativista partidária quando esteve comandando a 13ª Vara Federal de Curitiba. Por várias vezes foram beneficiado com a delação premiada e até suprimidos de investigação.

O ministro do Interior do Paraguai, Euclides Acevedo acusou o Moro de inconformidade com a decisão de o Paraguai ter prendido os irmãos Ronaldinho/Assis, se o Brasil fosse sério, Sergio Moro estaria explicando agora a preocupação com rematado pilantra, a ponto de interferir em país alheio. A participação de Moro não está encerrada com as ligações diárias, feitas muitas vezes, segundo Acevedo, a missão de defender o jogador pode se aprofundar, porque o ex-juiz poderá está em Assunção em missão oficial, para intercâmbios na área penitenciária. Devido ao agravamento da pandemia de coronavírus atualmente em curso, Moro cancela viagem ao Paraguai que faria em 26 e 27 de março.

O governo paraguaio adotou medidas restritivas para que não aumente a crise no país, como o fechamento de fronteiras e o controle da circulação de pessoas e de veículos. Moro tinha palestra marcada na Câmara de Comércio Brasil-Paraguai, em Assunção. Quem sabe se o Ministro da Justiça e Segurança do Brasil tente cruzar a ponte da amizade ou entre por aeroporto no Paraguai, seja obrigado há fazer um teste de sua temperatura corporal e, se estiver acima de 37 graus será encaminhado para uma triagem. Tenha que responder as perguntas dos entrevistadores, se está com sintomas da doença, sua origem e destino ficando em quarentena no Paraguai.

Poderá se quiser visitar o embaixador do turismo do Brasil na cadeia e dizer que acompanha seu caso, o que seria apenas mais um vexame do ex-chefe da Lava-Jato. Um ministro da Justiça não precisa como denunciou Acevedo com alguma sutileza, ficar telefonando e enviando mensagens para autoridades de outro país para saber o que se passa com um ex-jogador de futebol encarcerado sob suspeita de lavagem de dinheiro.

Moro expõe uma interferência estranha num caso de repercussão internacional. O Paraguai faz questão de usar o episódio a seu favor, mostrando ao mundo que, ao contrário do estigma que carrega, não quer mais compactuar com grupos mafiosos. Mas o ex-juiz acha que pode tudo. Um debochado poderia dizer que Sergio Moro acha que o Paraguai é o Brasil. Não imagine que o Ministro da Justiça Sérgio Moro telefonou a autoridades do Paraguai meramente por seu deslumbramento de ser amigo das estrelas, para dar apoio a um ídolo nacional, embaixador honorário do Turismo de Jair Bolsonaro. A reação do próprio promotor do caso Ronaldinho, reafirmando a independência do Ministério Público local, mostra que havia pressão na conduta.

Por que o caso Ronaldinho inquieta Sergio Moro? Por Moisés Mendes Publicado no Blog do Autor > A Globo e Dráuzio Varella perceberam que a nota sobre o caso da transexual, lida no Fantástico, não havia sido suficiente para esclarecer a posição da TV e do médico em torno da controvérsia. Tanto que Dráuzio teve de fazer o vídeo divulgado ontem com o pedido de desculpas à família do menino assassinado pela transgênero Suzy.

Sergio Moro terá de fazer o mesmo em relação ao caso de Ronaldinho no Paraguai. Moro emitiu uma nota em que afirma que “manteve contato com autoridade paraguaia com o intuito de conhecer os fatos”. Contato, assim mesmo, no singular? O ministro do Interior do Paraguai, Euclides Acevedo, diz que foram vários contatos. O argumento de Moro é fraco. O ex-juiz diz que buscou informações porque Ronaldinho e seu irmão, Roberto Assis, “são cidadãos brasileiros”.

Moro telefona para autoridades de todos os países em que brasileiros estejam presos? Ou só quando o preso é o “embaixador do turismo”, o que não significa nada? Diz a nota: “Em nenhum momento, houve interferência na apuração promovida pelo Estado paraguaio. O Ministério da Justiça e Segurança Pública preza pela soberania dos Estados e pela independência dos órgãos judiciários”.

É pouco. Como fez Dráuzio Varella, dando inclusive detalhes de como foi o abraço em Suzy, o ex-juiz deve falar para dizer mais, em nome da transparência. Moro sempre foi rigoroso com pessoas encarceradas, e muita vez foi acusado por juristas brasileiros e estrangeiros de tratar seus presos como se já tivessem sido condenados.

O ex-juiz teve a chance de explicar por que telefonou para o Paraguai. A jornalista Marta Magadan entrevistou no Central Globonews, às 23h na quarta-feira dia 11/03, diz o Facebook da Globonews: “Na pauta, a segurança pública, o motim de policiais no Ceará e a Lava-Jato, entre outros temas”. Uma entrevista sobre a Lava-Jato numa hora dessas? E nada sobre a lavagem de dinheiro no Paraguai? A bancada toda é de gente da claque de Moro, mas alguém terá de perguntar: por que o senhor está tão interessado no caso do Ronaldinho?

Porque o Ministro Sérgio Moro não fica inquieto, nervoso e injuriado com as milícias espalhadas Brasil afora? Em entrevista ao programa Central Globonews, quando foi abordado por Merval Pereira sobre a morte do miliciano Adriano da Nóbrega morto pelas forças de seguranças da Bahia. O Merval porta voz das Organizações Globo mesmo fazendo uma grande volta, inqueriu o ex-juiz e atual Ministro da Justiça/Segurança, quis saber ou seus patrões queria perguntar como via a execução e morte do miliciano, os comentários do presidente, de que era preciso investigar tudo sobre a morte do homem que ele homenageou como herói. Como sempre o Ministro enrolou e nada disse, ou melhor, nada explicou.

Porém, assegurou com toda a veemência que o Jair Messias Bolsonaro não tem ligações com milicianos, que o presidente deseja investigar o crime onde estiver e que ele mesmo, o ex-juiz, incluiu as milícias no seu pacote anticrime como um dos grupos que devem ser investigados e punidos com mais rigor. A Cristiana Lobo quis saber o que Moro acha de Adriano até sua morte, foi financiado por milicianos de acordo com a reportagem da Folha de S. Paulo e a conversa ficou nisso mesmo, ficou mais uma vez sem resposta. O que esta entrevista à Globonews trouxe de novo é que jornalistas de direita, todos lavajatistas, finalmente apontaram o juiz como parte de um sistema de poder moralmente corrompido.

Moro é parte de um governo em que o líder e seus filhos têm envolvimento comprovado com milicianos e homenageiam milicianos. Mas Sergio Moro não liga muito e já fala dessa relação com certa naturalidade. Diz que admira Jair Bolsonaro; não nega que deseja ser ministro do Supremo apadrinhado pelo chefe, mas nega, para não provocar o chefe, que pretenda fazer carreira política ou se filiar a partidos. Moro perdeu até a capacidade de irritar quem condena suas atitudes desde o tempo da Lava-Jato. Parece sem força para produzir algo mais inventivo como protagonista da extrema direita. Falta a Sergio Moro o brilho dos direitistas médios, nem precisa ser dos grandes. O ex-juiz pode até vir a ser candidato em 2022 e pode, tudo é possível, até ser eleito. Mas até lá não se livrará da condição de simplório que flana na fama da Lava-Jato e repete platitudes, apresenta-se de maneira inexpressiva e medíocre. Repete dezenas de vezes em entrevistas. “Não interessa a cor do gato, interessa que o gato cace o rato”. Dizem que seria uma frase de Deng Xiaoping, mas agora já é propriedade de Sergio Moro. Para a extrema direita, os bichos estão tão misturados que nem interessa mais saber o que é rato e o que é gato.

O jornalista Leandro Fortes, publicou em seu Facebook e no site Brasil 247 – afirma que a questão central para entender o interesse de Sérgio Moro no caso Ronaldinho Gaúcho é Nelson Luiz Belotti dos Santos, “que circula pelo universo de Moro, desde o escândalo do Banestado”. “É um baronete da indústria da contravenção, dono de um cassino no Paraguai e anfitrião de Ronaldinho e Assis, no Paraguai”. Desde a incursão de Sérgio Moro nas entranhas do condomínio Vivendas da Barra, para intimidar o porteiro que ligou Bolsonaro aos assassinos de Marielle Franco e Anderson Gomes, sabemos todos, a que veio o ministro da Justiça e da Segurança Pública. Sem a máscara do vingador da República de Curitiba, a caricata personagem criada pela mídia para defenestrar Dilma Rousseff da Presidência da República e prender Luiz Inácio Lula da Silva, às vésperas das eleições de 2018, Moro desnudou-se nessa gelatina moral, ao mesmo tempo triste e risível: o ministro de porta de cadeia.

Não bastasse a atuação diuturna como advogado da família Bolsonaro, obrigado a compactuar com as teses da milícia que gravita em torno da família presidencial, Moro, agora, comporta-se como um estagiário de direito escalado para infernizar os funcionários do Ministério Público e da Justiça do Paraguai para libertar Ronaldinho Gaúcho e o irmão Assis. O ministro do Interior do Paraguai, Euclides Acevedo, tem dito a jornalistas paraguaios e brasileiros de seu constrangimento diário com o assédio de Sérgio Moro pela libertação da dupla, como se se tratasse de uma questão de segurança nacional. Juízes e promotores envolvidos no caso – falsificação de passaporte, lavagem de dinheiro e evasão cambial – também têm mostrado desconforto com a insistência de Moro em soltar à dupla.

A chave para entender o súbito interesse de Moro por Ronaldinho não é, claro, futebol. O ministro tem toda pinta de entender tanto do esporte bretão quanto entende de direito penal. A questão central se chama Nelson Luiz Belotti dos Santos, picareta que circula pelo universo de Moro, desde o escândalo do Banestado, no início dos anos 2000, envolvido em fraudes cambiais, corrupção e pagamentos de propinas. Trata-se de um baronete da indústria da contravenção, dono de um cassino no Paraguai e anfitrião de Ronaldinho e Assis, naquele país.

Belotti tem ligações com o doleiro de estimação da Lava Jato, Alberto Youssef, epicentro da engrenagem de delações premiadas que serviram para colocar petistas na cadeia, sem nenhuma prova concreta. Ele foi investigado pela patota de Curitiba após ser flagrado com 24 milhões de reais numa conta e ter repassado quase meio milhão de reais para outra, vinculada a Youssef, para beneficiar o ex-senador José Janene, do PP, já falecido. Ainda assim, Belotti jamais foi denunciado pela Lava Jato. É um arquivo vivo, portanto, girando nas roletas da Justiça paraguaia, pronto para quebrar a banca. 

Porém a história continua conforme o artigo “Xadrez de Ronaldinho, Sérgio Moro e as conexões com a indústria da contravenção”, por Luis Nassif. As informações já disponíveis mostram um país cada vez mais exposto ao pior tipo de corrupção: a que vem do crime organizado e da contravenção.

O caso Ronaldinho expõe um dos esquemas mais barra-pesadas da infiltração do crime organizado na administração pública. Não imagine que o Ministro da Justiça Sérgio Moro telefonou a autoridades do Paraguai meramente por seu deslumbramento de ser amigo das estrelas, para dar apoio a um ídolo nacional, embaixador honorário do Turismo de Jair Bolsonaro. A reação do próprio promotor do caso Ronaldinho, reafirmando a independência do Ministério Público local, mostra que havia pressão na conduta.

Desde o caso Banestado, o doleiro Alberto Yousseff se tornou peça central em todas as investigações críticas de Sérgio Moro. Por várias vezes foi beneficiado com a delação premiada, voltou a operar no mercado, sendo beneficiado novamente, atropelando todos os princípios que regem o instituto da delação. Que é anulada e os benefícios concedidos cancelados, quando comprovado que o delator voltou a delinquir. Em 2016, depois de ter se validado das delações de Yousseff para fazer deslanchar a Lava Jato, o implacável Moro o autorizou a cumprir pena em casa.

Logo depois, o delegado da Polícia Federal Gerson Machado apurou que, solto por Moro, Youssef voltou a operar no mercado. Imediatamente, Machado foi alvo de retaliações barras-pesadas pelo grupo da PF do Paraná, sob o comando de Sérgio Moro, conforme reportagens exemplares do repórter Marcelo Auler. Esse mesmo comportamento criminoso foi utilizado contra o advogado Pedro Serrano, quando solicitou documentos que comprovariam manipulação de provas pela Lava Jato. Trata-se de um modo de operação similar ao das organizações investigadas por eles.

Yousseff saiu do acordo com um patrimônio entre US$ 20 milhões e US$ 25 milhões. Logo voltou ao mercado. Intrigado com o renascimento rápido do doleiro, o delegado federal Gerson Machado decidiu investigar e indagou dele a razão de ter preservado o patrimônio. Sua resposta foi a de que nenhuma autoridade havia lhe perguntado. Gerson Machado alertou pessoalmente o juiz Sérgio Moro e o procurador Deltan Dallagnol. Nada fizeram. Yousseff continuou na ativa até 2014. Messer permaneceu intocado.

Machado foi mandado para a Sibéria da PF, transferido para Portugal e não se falou mais nessa estranha simbiose entre um juiz símbolo da luta anticorrupção e um doleiro, permanentemente beneficiado pelas decisões do juiz e as represálias contra o delegado que ousou investigar a volta do doleiro à atividade ilícita.

Nelson Belotti Conforme suas próprias declarações, Ronaldinho foi ao Paraguai a convite do empresário carioca Nelson Belotti, figura carimbada dos salões do Rio de Janeiro, que passou a investir no ramo de cassinos no Paraguai. E também com a empresária paraguaia Délia Lopes. Sobre Délia já escrevemos aqui. Há todos os indícios de trabalhar com lavagem de dinheiro, valendo-se de holdings fantasmas e ONGs beneficentes. Mas o elo central da história é o empresário Nelson Belotti. A história de Belotti permite encaixar duas peças no nosso xadrez do crime organizado.

A principal empresa para as operações de Yousseff era a holding CSA Project Finance e Intermediação de Negócios Empresariais Ltda. Seu papel era identificar grandes jogadas em contratos públicos e oferecer para investidores. Os sócios principais eram o deputado federal José Janene, com a participação de Yousseff e, em algumas operações, de Nelson Belotti. Assim como Carlinhos Cachoeira, Yousseff especializou-se em grandes tacadas de corrupção, que entravam como valor agregado nos seus serviços de consultoria de lavagem de dinheiro. Nos parágrafos 86 a 88 da ação penal envolvendo o grupo CSA e o ex-deputado José Janene, lê-se: O quadro social da CSA era composto por Rubens de Andrade Filho e Carlos Alberto Pereira da Costa (inquérito 2006.7000018662-0, cópia no evento 3, anexo 131, fls. 63-70). Rubens de Andrade Filho assinou o memorando de entendimento pela CSA, enquanto Carlos Alberto assinou o documento como testemunha.

Os investimentos realizados pela CSA encontram-se retratados em demonstrativo intitulado “CSA-Dunel” que foi enviado por mensagem eletrônica de Carlos Alberto Pereira da Costa para Rubens de Andrade Filho em 20/12/2010 (inquérito 2006.7000018662-0, cópia no evento 3, anexo 141, fls. 21-23 do arquivo eletrônico), totalizando R$ 1.165.600,08. 88. Apesar de José Janene não figurar no quadro social da CSA, nem no memorando de entendimento, a instrução revelou que o capital em questão era de sua titularidade. A CSA operava assim desde os anos 2000 e tinha como sócios dois ex-funcionários da Petrobras, engenheiros Marco Antônio Vaz Capute e Valter Luís Macedo de Carvalhaes Pinheiro fizeram carreira na Petrobrás. Capute foi por nove anos diretor na BR Distribuidora e Pinheiro, seu subordinado. Provavelmente seu papel aí era o conhecimento técnico para identificar as boas oportunidades.

A Lava Jato ajudou os EUA em troca de dinheiro tirado da Petrobras. A CSA participou igualmente da tentativa de adquirir energia excedente do Paraguai, no escândalo caso Itaipu, que está abafado. Contratar um especialista em energia, de preferências dos quadros da Petrobras (aliás, Belotti deve ter parentesco com Paulo Belotti, braço direito de Ernesto Geisel para a Petrobras, e um dos superburocratas do seu tempo). Montar projeto tendo a Petrobras como sócia minoritária. Identificar interessados e vender o projeto, acompanhado do know-how de lavagem de dinheiro de Yousseff. Na viagem ao Paraguai, não se iludam sobre qualquer deferência especial de Sérgio Moro a um craque fã de Bolsonaro e embaixador emérito do Brasil.

Vamos aos indícios colhidos até agora e aos dados expostos para um elemento a mais na indústria do crime organizado e o poder. A operação Ronaldinho tem todos os indícios de lavagem de dinheiro. Ronaldinho foi indicado por Bolsonaro embaixador emérito do Brasil. O Paraguai se tornou parceiro preferencial dos negócios obscuros, como ficou claro na tentativa de compra da energia excedente de Itaipu por grupos de lixo ligados a Bolsonaro e intervenção direta do Ministro das Relações Exteriores. Na ponta paraguaia, o empresário brasileiro Nelson Belotti, investidor em cassinos e termoelétricas enroladas, duas áreas de estimação da família Bolsonaro.

O grande doleiro de Belotti é Alberto Yousseff. Que é o doleiro preferencial da Lava Jato, já beneficiado por Sergio Moro em três delações premiadas e por voltar a delinquir. O caso já foi contado no “GGN”. A Petrobras participa de uma empresa de termoeletricidade na Bahia, a Termobahia. Quando começou a queima de ativos, na gestão Pedro Parente, foi vendido parte do capital para a francesa Total. Agora, se planeja a venda para japoneses. Flavio Bolsonaro montou então a Kryfs Participações, assim como a CSA com atuação apenas na montagem de negócios e na participação acionária. E trouxe como sócio Alexandre Rodrigues Tavares, funcionário de carreira da Petrobras e presidente do Conselho de Administração.

Já mostramos amplamente aqui os interesses diretos dos Bolsonaro com a legalização dos jogos no Brasil, o triângulo montado com Donald Trump e o primeiro ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. E o papel do grande campo da máfia de Los Angeles, Sheldon Adelson. Leia também: Bolsonaro dobra a aposta e conclama ao golpe, por Gilberto Maringoni. Aqui, alguns Xadrezes para entender a ligação dos Bolsonaro com a contravenção. O xadrez de como os cassinos financiaram a ultra-direita e negociam com os Bolsonaro. Jair enviando o presidente da Embratur para negociar com Sheldon, chefiada por Flávio Bolsonaro, para se encontrar com Sheldon, Jair vai aos EUA fechar acordos dos cassinos.

O império da contravenção, o avanço da indústria do crime e da contravenção no Brasil e no advento da ultradireita. Os diversos partidos de ultradireita foram financiados, globalmente, pela indústria das armas, do cassino, do lixo, das quais um dos expoentes é justamente Sheldon Adelson. Uma sucessão de episódios mostra que Moro já foi definitivamente cooptado pelo esquema Bolsonaro: A pressão sobre o porteiro do condomínio de Bolsonaro, valendo-se da Lei de Segurança Nacional para entrar nas investigações com a intenção precípua de desqualificar seu depoimento. A não inclusão do miliciano Adriano da Nóbrega na lista dos procurados pela Polícia. O recuo da Polícia Federal na repressão ao contrabando de armas. E, agora, essa misteriosa e inexplicada viagem ao Paraguai para tratar do caso Ronaldinho. Faltam algumas peças nesse Xadrez, que aparecerão com o tempo: O papel efetivo de Ronaldinho nesse jogo. As ligações de Ronaldinho com a família Bolsonaro ou afins. As relações concretas entre doleiros e o procurador Januário Paludo, decano da Lava Jato. De qualquer modo, as informações já disponíveis mostram um país cada vez mais exposto ao pior tipo de corrupção: a que vem do crime organizado e da contravenção.

O advogado Rodrigo Tacla Duran, investigado que denunciou irregularidades na Lava Jato em Curitiba, usou o Twitter para debochar da situação de Moro. “Russo [apelido de Moro entre procuradores] pensou que estava falando em Curitiba com Deltan Dallagnol. Esquema de juiz combinar com procurador não funciona nem no Paraguai.” Ronaldinho e Assis estão presos por entrarem no país com documentos paraguaios falsos. Os dois alegam que não sabiam que a documentação era irregular, e aguardam o julgamento detidos. Por que Moro tem interesse pessoal no caso Ronaldinho?

A novela envolvendo os irmãos Ronaldinho/Assis, a cada dia ganha novo capitulo, desde o dia 5 de março, o astro virou assunto nas páginas policiais e se encontra na prisão paraguaia, por suspeita de documentos falsificados. Ele já tinha um histórico de polêmicas, mas nada parecido com o que vive atualmente. Tudo começou quando ele chegou ao Paraguai para participar de dois eventos no país. Uma ação beneficente e o lançamento de um livro. Quando estava no hotel, com seu irmão, viu seu mundo desabar. Como a história cresce a cada dia, o promotor Federico Delfino, responsável pela investigação contra os dois irmãos, decidiu pedir a prisão por tempo indeterminado ao judiciário do Paraguai, que de pronto foi aceito pelo juiz responsável pelo caso. Presos no Paraguai desde o dia 4 de março, o ex-jogador Ronaldinho e seu irmão e empresário Roberto de Assis Moreira teriam entre seus interesses no país o ramo dos cassinos. Tendo como objeto de negócio uma “joint venture na área de administradora de jogos e entretenimento”.

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