Lula recusa assinar manifesto por não definir critério em relação à política econômica ultraliberal do governo

No contexto atual, para se adaptar à nova ordem, a questão principal sobre a atualidade econômica e política; não há, neste movimento objetivos claro de mudança da política econômica  e, que tenha resultados eficiente em relação aos direitos da classe trabalhadora, sem o qual não é possível falar de uma luta firme contra o governo e, sim uma reação intensas da classe dominante simplesmente para afastar o Presidente troglodita que eles mesmo ajudaram a eleger manipulando a opinião pública. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva mais uma vez foi ao âmago do problema, disse: “Estou dizendo pra gente não pegar o primeiro ônibus que tá passando. Estão querendo reeducar o Bolsonaro, mas não querem reeducar o Guedes”, que é a parte mais íntima e fundamental deste governo. Não se pode entrar num ônibus sem primeiro nos certificarmos o destino. Vivemos em uma aceleração constante da história global, quando o dia encerra, os acontecimentos que impactam nossas vidas fortemente muda de direção, tomando rumos que a todos desconhecem o que vai ser o amanhar, a percepção política e a as relações sociais. Há, entre eles, quem se recuse a ser o óbvio, com a cabeça enfiada na areia das ambições pessoas, não enxergam a gravidade da crise. Como será o mundo pós-pandemia, o que incomoda é a previsão inepta sobre o futuro e não prestam atenção ao presente.

Estamos vivendo o ‘establishment tupiniquim’, as elites decidiram vamos colocar um sujeito no poder, vamos fazê-lo executar todas as coisas que precisa que seja ser realizada; ele irá acalmar o mercado financeiro e vai nos favorecer. Porém, algo está dando errado. Eles sabem que só será resolvido este problema político e econômico, se mudarem esta linha ortodoxa ultraliberal dos últimos governos neoliberal. A questão é que estamos vivendo em um estado de guerra contra um inimigo invisível e letal. Entretanto, o governo com sua grande teoria sobre a privatização a qualquer custo e do Estado mínimo. Está radicalmente destruindo a nação. Os movimentos sociais precisam opõem-se à ordem política e econômica vigente nestes últimos governos do Michel Temer ao de Bolsonaro/Guedes, este projeto de governo vai acabar por levar à revolta. Esta construção neoliberalista dominante, com a sua teoria sobre o desmantelamento do Estado. A falsa recuperação, a narrativa panglossiana, precisamente empenhados em apena salvar o sistema financeiro e, em nome desta austeridade justificada da recuperação econômica, porém, esquecendo de restabelecer condições aos que mais precisam da mão do Estado para sobreviverem, teremos custos altíssimos econômicos e sociais elevados.       

A esquerda tem que abrir os olhos nesta cruzada. A natureza ultraliberal da corrente econômica sobre a batuta do Paulo Guedes é o fator chave que obriga uma reflexão muito serena. Neste manifesto ‘Estamos Juntos’ não enxergamos resistência ao econômico e, sim uma blindagem muito forte pela classe abastada e rentista. É preciso ficarmos espertos com o que vem acontecendo no Chile, com a revolta da classe média atingida pelas reformas neoliberal do governo. Fantasiada de modernidade, como o mercado regulador das atividades econômicas, sociais e políticas da sociedade, a retirada do Estado da economia, a desregulamentação financeira e das leis de proteção social, as privatizações do patrimônio público e o estímulo permanente a um individualismo doentio na sociedade. O manifesto tem pouca clareza de interesse da classe trabalhadora, não cita em direitos perdidos. O texto só fala genericamente no que chamamos de cortes. Lula ainda afirmou que a sigla não pode se deixar ser usada por pessoas que são contra Bolsonaro, mas apoiam a política econômica do ministro Paulo Guedes. O petista disse não ter certeza se o objetivo das mobilizações é tirar o Bolsonaro, porque o que interessa para a elite brasileira é a política de desmonte das leis que rege a CLT e, que ainda dá uma proteção ao trabalhador.

Se a classe política não se conectar a uma nova sociedade que há de vim no pós-pandemia, pagará o alto preço de ser deixado para traz, na antessala escura e sinistra que a advir. A sociedade precisa ser ouvida e respeitada. Mas não é isso, que se tem ocorrido. Alguns podem achar que o ex-presidente Lula está pregando a divisão, em não assinar este Manifesto. Pois é exatamente o contrário, ao assinarem este manifesto da forma que foi posto para sociedade, apenas estamos dando legitimidade a esta política nefasta do que o Paulo Guedes pratica. A sociedade não pode ser usada como joguete, como escada de aspirações apenas rentistas. Se for para haver impeachment do presidente que haja mudanças profundas na economia.

A conjuntura atual é como se podem recriar condições para a superação dessa crise ‘Sanitária’ e da ‘Economia’ e de defender a ‘Democracia’. Lula simplesmente nos está alertando que mais uma vez a sociedade brasileira está comprando “gato por lebre”, de só precisar retirar o Presidente Jair Messias Bolsonaro e tudo mais uma vez vai melhorar, já se esqueceram do golpe de 2016 com o Impeachment e consequentemente a retirada da Dilma Rousseff do comando da nação, tudo passaria a melhorar como o raiar da alvorada. Criaram a tal famigerada “ponte para futuro”, retiraram direito da classe trabalhadora e nem de longe ao menos tocaram na mudança dos juros bancários, onde se mais consume os recursos da arrecadação de imposto pago pela sociedade para o sistema financeiro, da dívida pública, a relação entre o Banco Central e o sistema bancário, por meio de suas compras de títulos públicos que estão em posse do sistema bancário, estimula o déficit orçamentário do governo. Parece doidice? Parece insanidade? Parece não fazer sentido nenhum? Pois é exatamente esta a intenção; é assim que a sedução, o ocultismo funciona no sistema financeiro, com o banco Central realimentando esta ciranda financeira.

É com essa argumentação como meio para persuadir, para tentar convencer a sociedade, de que é preciso afastar o Presidente, porém estão mais uma vez esquecendo a causa que é o ministro da economia. O ex-presidente Lula se recusou a assinar o manifesto “Basta!” e também tem evitado participar de debates com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Brotou subitamente debates na grande mídia conservadora e nas redes sociais, com questionamentos sobre se a importância de insistir na dissidência em vez de unificar as forças contra o Bolsonaro, ainda que essas forças estejam em polos opostos. Para Lula, há um critério a ser seguido. E esse critério seria a oposição ao programa econômico neoliberal de Bolsonaro, adotado por Paulo Guedes. O ex-presidente petista disse que não há como se juntar com alas que defendem a saída de Bolsonaro, mas concordam em manter as reformas de Guedes, que seria o caso de FHC e da elite rentista e, de grupos midiáticos como Estadão, Rede Globo, FIESP defendido pelo atual presidente Paulo Skaf e outros que vivem da especulação financeira.  

Lula em um evento do PT disse. “Tem pouca coisa de interesse da classe trabalhadora nesses manifestos. O editorial do Globo é uma proposta de acordo pra manter o Bolsonaro”. Em sua coluna na Folha de S. Paulo, Mônica Bergamo nos traz a memória que não dá química política e pessoal entre o ex-presidente Lula e o FHC. Porque o Fernando Henrique exerceu uma forte influência nas articulações pelo impeachment, apoiou pautas antissociais de Michel Temer e, nunca se contrapôs à máquina de fake news bolsonaristas ou, ao que definem como perseguições judiciais a Lula. Ainda por cima há pessoas que assinaram o manifesto, mais que apoiaram conforme ficou demonstrado em suas redes sócias seu apoio a Bolsonaro e, induziram várias pessoas a voltarem nele.

Assista a fala de Lula na Reunião do PT, em vídeo – não dá pra aceitar a ideia de que o Bolsonaro é resultado de um processo amplamente democrático. Ele é resultado de um processo que se deu desde a cassação de uma presidenta sem crime. Agora perceberam que o troglodita que eles elegeram não deu certo. A gente quer tirar o Bolsonaro pra defender a vida. Porque ele não gosta de mulher, não gosta de preto, não gosta de índio, não gosta do povo trabalhador. É por isso que estamos dizendo Fora Bolsonaro. Tem pouca coisa de interesse da classe trabalhadora nesses manifestos. O editorial do Globo é uma proposta de acordo pra manter o Bolsonaro e principalmente não mexerem na política econômica:

O Brasil precisa continuar gerando riquezas e também redistribuindo aos seus cidadãos. Precisa, enfim, mudanças neste projeto excludente. A sociedade é um caldeirão de conflitos. Cada pessoa é fonte geradora de opiniões e estas, obviamente, se chocam com o pensamento de outros figurantes. É o inevitável, esta realidade, conduto, precisa ser intermediada, pois, caso contrário, se instalará o caos rompendo a possibilidade da convivência social. Lula tem razão de sobra para não se alinhar com esta frente. Este pacto do afastamento do atual presidente, só será possível uma vez presente e, que seja esclarecido às regras e as mudanças no rumo político, econômico e da política externa ou, será apena um pequeno feixe de luz em meio à escuridão.

É preciso destacar e evidenciar que a grande mídia conservadora com o apoio cristalino da classe dominante burguesa e rentista enganaram a sociedade. Ficaram silenciosas quanto à ameaça do ódio irracional ao Partido dos Trabalhadores e ao seu maior líder, manipularam o silenciosamente sonegando a informação dos fatos, pela opção ideológica em detrimento da razão e do dever social que lhes cabe. O ex-presidente Lula está querendo que fiquem bem claros quais serão os objetivos sobre o manifesto “estamos juntos”, não esclarece do por que querem o Bolsonaro fora da presidência e porque estão blindando a política do Guedes, será que os negociantes que tenta nos representar, simplesmente estão faltando com a verdade; a tática do Lula demonstra que sua atitude está correta em ralação ao manifesto.        

A mídia progressista e independente está com o ex-presidente Lula neste facto. Nosso maior problema não é o Presidente em si, embora ele seja um dos efeitos da destruição econômica. O maior dilema é o Sr. Paulo Guedes, sua turba e seus princípios e ações ultraliberal. O segundo indivíduo é o príncipe da privatária (FHC) que tomou parte num golpe de Estado e do traidor Michel Temer com o programa “ponte para o futuro”, que podemos dá uma melhor definição “ponte para fundo do poço”.

Lula interpretou corretamente, “eles que lutem” eles nunca aceitaram a sua liderança, porem já se esqueceram da aliança do Bolsonaro e Maia nas aprovações de leis que protegeram os grandes banqueiros, destruíram o pequeno cobertor social retirando direitos da classe trabalhadora, os projetos deles com certeza não será os da maioria da sociedade, eles sabem que não podem domesticar a fera, agora pedem ajuda para conter esta parte da causa, mais se esquece do principal, esta política econômica ultraliberal que está destruindo os pequenos e médios empresários levando a todos a falência tornando instável, sem garantias; deixa incerto os empregos formais, crescimento insignificante da Economia, desemprego elevado e em ascensão, fuga de capitais, desindustrialização, sucateamento dos serviços públicos e destruição do patrimônio nacional, como Petrobras, Eletrobrás, Embraer e bancos públicos.

O próprio ex-presidente, já admitiu ter passado da idade de voltar a brigar pelo comando do Palácio do Planalto. Ciro diz que quem não aceitar se unir para defender a democracia é “traidor”, em entrevista à jornalista Miriam Leitão, na Globonews, ao lado de Marina Silva (Rede) e do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) conclamou uma união suprapartidária em defesa à democracia e fez um ataque indireto ao ex-presidente Lula, que se recusou a assinar o manifesto que ganhou a adesão de artistas, políticos e intelectuais. Ministro da Integração Nacional do primeiro mandato do governo Lula, o pedetista atualmente é um crítico ferrenho que do que denomina como “lulopetismo”. Candidato derrotado no primeiro turno em 2018, Ciro costuma se colocar como uma terceira via na disputa antagônica entre o PT e Bolsonaro. Porém na última eleição presidencial ele ficou em terceiro lugar e, ao invés de buscar uma coalizão com Fernando Haddad (PT) para o segundo turno ele foi passear no exterior, facilitando a eleição do atual presidente pela sua omissão de participação no processo. Agora vem dar uma de Maria arrependida? Tenha paciência.

Revista FórumLula sabe o que faz” – {Leia na coluna de Rodrigo Perez: Lula leu perfeitamente o cenário. Entendeu que não dá mais ser conciliador, que não dá para ser estadista. Voltou, então, às origens, menos por convicção ideológica e mais por estratégia de sobrevivência.

Depois de alguns meses discreto, caladão, o ex-Presidente Lula voltou a ser destaque na crônica política. Primeiro, por uma canelada retórica. Depois, por um lance político genial.

A canelada retórica nem pede muito papel e tinta. No dia 20 de maio, em entrevista à carta capital, Lula disse que se há algum aspecto positivo na pandemia é a reabilitação do Estado como instância de planejamento de efetivação de políticas públicas. A fala de Lula foi pouco cuidadosa, se prestando facilmente às manipulações que desonestamente tentaram fazer parecer que o ex-Presidente festejava os efeitos da pandemia. A mídia hegemônica explorou o factoide para reforçar a narrativa de que Bolsonaro e Lula são opostos simétricos entre si. A avalanche de ódio foi assustadora e confirma aquilo que já tinha ficado claro nas eleições de 2016 e 2018: o antipetismo é a potência política mais poderosa no Brasil dos nossos tempos.

No dia 30 de maio, veio a público um “manifesto em defesa da democracia” que repudia os constantes e progressivos ataques do governo de Jair Bolsonaro aos outros poderes da República. O texto foi assinado por um amplo leque de lideranças, indo da “direita democrática” à esquerda socialista, passando, inclusive, por ex-aliados de Bolsonaro. Lula se recusou a assinar.

A recusa de Lula agitou o debate político nacional. Como sempre acontece, o ex-Presidente foi defendido por sua base orgânica e atacado por todo o resto, acusado de hegemonista por uns, de irresponsável e traidor por outros. Alguns chegaram a dizer que o trauma da prisão arbitrária, das mortes da companheira de vida, do irmão e do neto impedem Lula de cerrar fileiras com aqueles que colaboraram para a perseguição jurídica e midiática que resultou em sua prisão. Houve até quem achasse que a idade estava comprometendo sua lucidez. Poucos entenderam por que Lula não quis assinar o manifesto.

Um homem comum jamais se juntaria a seus algozes de véspera, aos algozes de sua companheira, de seu neto, de seus filhos. Lula não é homem comum. Lula é uma instituição. Não, definitivamente, não foi o trauma, não foi o ressentimento que impediram Lula de assinar o manifesto. Também não foi a senilidade. Lula está no melhor de sua forma política.

Lula não assinou porque entendeu perfeitamente o que está acontecendo e o papel que desempenhará a partir de agora.

Lula sabe que o antipetismo levou o PT a uma posição paradoxal: piso alto e teto baixo. O PT conta com pelo menos 25% de apoio popular leal. Parte pra qualquer eleição desse ponto, o que não é pouca coisa. Mas a coalização lavajatista pôs em marcha a mais violenta máquina de destruição de reputações que já vimos funcionando aqui no Brasil e fez o teto do petismo despencar.

No segundo turno das eleições presidenciais de 2018, Fernando Haddad teve 45% dos votos. Muita gente, muita gente mesmo, votou no PT com o nariz tampado, fazendo ânsia de vômito. Metade do capital eleitoral de Haddad em 2018 se deve ao veto a Bolsonaro. Essas pessoas só votam no PT de novo se estiverem diante de outro apocalipse. Farão tudo para não passar por isso outra vez.

A militância petista esbraveja, xinga, quando alguém diz verdade tão óbvia. Lula conhece perfeitamente essa verdade tão óbvia. Lula é perito na arte da política. A militância, seja ela qual for, quase sempre se comporta como torcida de arquibancada.

Lula sabe perfeitamente que o PT não conseguirá liderar um projeto nacional no médio prazo. Sabe que a reabilitação virá com o tempo, muito tempo, e que ele mesmo não verá sua reputação ser reparada.

O Lula que subiu a rampa do Palácio do Planalto em janeiro de 2003 era bem diferente do Lula que apareceu como liderança sindical lá no ABC Paulista, no final da década de 1970. Não era mais o sindicalista maltrapilho, de barba desgrenhada, grevista, que desagradava ricos e pobres. Pois sim, leitor e leitora, pobre não gosta de greve, não gosta de instabilidade. O povão não votava no jovem Lula.

Lula aprendeu, se reinventou. Deixou de ser militante para se tornar Estadista. Escreveu uma carta de conciliação destinada ao povo brasileiro. Prometeu respeitar contratos e propriedade. Não foi uma carta só para os ricos. Não apenas os ricos gostam da propriedade e estabilidade. Os pobres gostam também. Propriedade pouca é ainda mais valiosa.

O pobre revolucionário é um delírio que só existe na cabeça de uma esquerda bacharelesca que torce a realidade para fazer caber no próprio desejo. Pobre é conservador, e tá certíssimo. Já vive no fio da navalha. Se o mundo chacoalha demais as coisas podem piorar. Pobre sabe que as coisas sempre podem piorar

Lula acenou, então, para pobres e ricos. Montou uma grande coalizão onde pobres e ricos ganharam, cada um dentro de seus horizontes de expectativas. Lula colocou Meirelles na presidência do Banco Central para afagar o mercado financeiro. Fez aliança com o PMDB para conseguir governar em paz. Não incomodou aos ricos, mas fez o possível para melhorar a vida dos mais pobres, como bem definiu Marcelo Odebrecht. Poucos definiram tão bem o Lula estadista.

Lula fez aliança com a Globo, nunca mexeu nos direitos de transmissão. Teve até filme em sua homenagem, com Glória Pires interpretando Dona Eurídice.

Lula se tornou estadista quando conseguiu furar a bolha do petismo raiz, se tornou amado por brasileiros que não são filiados à partido político, que não militam em movimento social. Gente que só quer viver da melhor forma possível.

A destruição do sistema político não permite mais que Lula performe o conciliador. Há uma parcela considerável da população que não quer ouvir falar no nome de Lula, que não quer vê-lo nem banhado de ouro com salpicos de nutella.

Ao ouvir isso, ao ler isso, o militante petista xinga, esbraveja. Lula sabe perfeitamente que é verdade. O militante é torcedor. Lula é perito na arte da política.

Qual o papel que a história reservou para o último Lula? O do ancião que morrerá no ostracismo? Não, de forma alguma. Lula é uma instituição.

Sobrou para Lula a radicalização à esquerda e a fidelização de sua base social orgânica. Sobrou para Lula ser dono de 25% do Brasil. 1/4 do latifúndio. Não dá pra vencer eleição, mas não é pouca coisa, não. É o bastante para continuar elegendo a maior bancada do Congresso Nacional. É o bastante pra eleger uma boa meia dúzia de governadores de Estado. Dezenas de prefeitos. Centenas de vereadores. É mais que o suficiente para continuar sendo protagonista relevante no xadrez da política nacional.

Lula leu perfeitamente o cenário. Entendeu que não dá mais ser conciliador, que não dá para ser estadista. Voltou, então, às origens, menos por convicção ideológica e mais por estratégia de sobrevivência. Por isso, não assinou o manifesto.

Por que tentar conciliar com quem não quer conciliar? Melhor mesmo é arregimentar a tropa.

Assim, em um governo de centro-esquerda comandado por outra liderança, o PT será aliado indispensável, vai governar junto. Em um governo de direita, liderará a oposição. De todo modo, o PT vence a vitória possível. Lula é inteligente o suficiente para saber que na política só se ganha vitória possíveis. Lula é perito na arte da política. A política é a arte do possível.

Lula sabe o que faz. A gente que demora um pouco para entender.}

Ele voltou a reitera que é preciso de uma frente política em defesa da democracia, entretanto, que tenha como base fundamental a retirada do capitão da extrema direita e do vice-presidente General Hamilton Mourão do trono e, da equipe econômica que está sobre a regência do Guedes que só favorece ao sistema financeiro nacional, internacional e fazer novas eleições. “O que a gente precisa saber é o seguinte: vamos tirar o Bolsonaro?”, cobrou. “Ele já cometeu vários crimes de responsabilidade e vai ser responsabilizado pela História pelo genocídio de milhares de vidas pelo coronavírus.

A gente poderia ter evitado isso, como ocorreu em outros países”, lembrou o grande estadista e mentor do Partido dos Trabalhadores. “Muita gente que defende a criação de uma ‘frente’ não defende o impeachment (de Bolsonaro)”, lamentou Lula. “Não defende a mudança do governo, da política econômica. Ora, frente contra o que, então? O ideal seria uma frente para tirar o Bolsonaro e o Mourão e fazer novas eleições”, disse. Ele disse que dificilmente o país teria uma frente ampla nos moldes do que o Uruguai experimenta há vários anos. “Mas é possível criar frentes eleitorais. Foi isso que aconteceu em 2002”, comentou Lula.

Ele ainda abordou sobre as críticas feitas pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e pelo ex-ministro Ciro Gomes, que o têm criticado e ao PT, por não aderir a manifestos da sociedade civil na defesa da democracia. Lula ainda rebateu a tese veiculada por colunistas da velha imprensa brasileira de que o PT é responsável direto pela eleição de Bolsonaro em 2018. O petista reagiu indignado: “O Ciro viaja para Paris, o FHC anula o voto e eles vêm dizer que o PT elegeu Bolsonaro? Tenha dó”. Ele comentou de que o PT e as esquerdas têm muitos nomes para disputar o cargo, como Fernando Haddad, o próprio Ciro Gomes e o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB). “Não precisam ter medo do Lula, porque estou inelegível nesse momento. Mas é preciso dar a chance de o povo escolher um representante civilizado”, que defenda a paz entre as facções econômicas e políticas, preservem a unicidade e, seja mantida como nação única.

Entrevista cedida a Carta Capital o ex-ministro da casa civil do governo do PT/Lula “José Dirceu de Oliveira e Silva” > Referiu-se sobre a nata da elite brasileira o, que querem simplesmente é uma mudança do presidente no comando da nação, por que não conseguiram controlar seus instintos destrutivo, mais que tenha como foco a não mudança do rumo da política neoliberal do Guedes. É preciso que se tenha o mínimo de organização, porque estes mesmo que agora querem mudança no comandante do Palácio da Alvorada pedindo a retirada se recusaram a fazê-la em 2018.

O ex-ministro José Dirceu defende a formação de uma frente de esquerda para lutar contra o governo de Jair Bolsonaro e para ser a alternativa de poder no Brasil. Mas ele duvida das intenções de alguns antigos aliados do PT. “Você há de convir comigo que não é esta a posição do PDT, PSB, PCdoB”, afirma. “Fernando Henrique, Ciro Gomes, Marina e a Globo avançam para uma proposta de frente ampla e é evidente que vão trabalhar para uma transição por cima que não mexa com a estrutura do poder”. Ele lembra: “Já tivemos esta experiência no Brasil. Temos que trabalhar para uma ruptura e uma transição por baixo nas ruas, como se deu na campanha das Diretas Já, não querem as massas organizada e nas ruas reivindicando políticas de inclusão social,”. Ele diz que setores do campo democrático, que hoje levantam a bandeira pela construção de uma frente ampla, rejeitaram a mesma iniciativa durante o segundo turno das eleições gerais de 2018, quando o candidato Fernando Haddad (PT) era a alternativa ao então candidato Jair Messias Bolsonaro, que se lançara pelo PSL e, na segunda rodada angariou o apoio do PDT de Ciro Gomes e do PSDB de Fernando Henrique Cardoso. Candidatos aos governos estaduais das duas legendas mostraram apoio a Bolsonaro.

Mas ele também não deixa de fazer uma crítica à atuação política dos petistas e também das esquerdas. “É preciso fazer luta política, cultural, ideológica, para organizar o povo, e nós não organizamos. Por que não organizamos as mães do Bolsa Família? Por que não organizamos os filhos do ProUni? Nós subestimamos, ou acreditamos ingenuamente que a elite brasileira, o aparato do Estado, a Justiça, as Forças Armadas e o Ministério Público aceitariam”, diz Dirceu reconhece que a esquerda falhou. “Um dos principais erros nossos foi não mobilizar o povo, não confrontar o nosso contra o deles, classes médias conservadoras, que eles põem nas ruas como puseram contra Dilma”.

E lembra que a força da esquerda e do PT não podem ser desprezadas porque o campo popular esteve presente nas disputas pelo comando do país e ganhou em quatro eleições seguidas, entre 2002 e 2014. E poderia ter ganho na eleição passada contra Bolsonaro. Ele fez uma avalia. “Então têm forças no Brasil, tem legado, tem memória, agora o problema é se nós estamos à altura destas forças. Parece que não. Não estamos à altura deste povo, para organizá-lo, para mobilizá-lo, para conscientizá-lo. Nós é que precisamos nos colocar à altura, sempre digo que a militância do PT é muito melhor que nós, os dirigentes, e estou me incluindo”. O momento é de mobilização popular para deter o arbítrio. “Só detém o golpe a luta popular nas ruas, a resistência, o combate. Acordos, conchavos, conciliações, não funcionam, discursos não vão resolver.

Tem de haver povo na rua”, aponta. “Quando [o General] Villas Bôas (ex-comandante do Exército] tuita que não pode dar habeas corpus para Lula, quando o Estado-Maior do Exército se reúne no mesmo dia do STF, vemos que o poder está nas mãos dos militares”. Dirceu também faz uma avaliação precisa sobre a situação do governo, que conta com amplo apoio por setores conservadores da sociedade e da elite econômica empresarial do país e é integrado por quadros egressos das Forças Armadas. “O governo Bolsonaro está militarizado. O [General Hamilton] Mourão militarizou a Comissão da Amazônia, o Ministério da Infraestrutura”, pondera. O ex-ministro também vê com bons olhos o fato de o ex-presidente não se apresentar como candidato ao Palácio do Planalto. “Lula tem dito que não quer ser candidato, assim estou lendo”, diz. “Ele não quer, quer contribuir para a unidade da esquerda, é a leitura que eu faço. Fala de Flávio Dino [governador do Maranhão], de Rui Costa [governador da Bahia], como tem falado de Fernando Haddad, ainda que o Haddad seja o candidato, vamos dizer assim, natural do ex-presidente”.

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