José Dirceu o estrategista, amado por uns, odiado por outros

Perseguido, odiado e atormentado pela elite dominante, reverenciado e amado pela militância petista, Dirceu foi e sempre será um dos maiores estrategistas do Partido dos Trabalhadores e da esquerda, mostra sua capacidade de traçar estratégias de resistência. É um integrante de mais proximidade ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com quem se entende, até a distância. José Dirceu dispensa apresentações. Um dos mais conhecidos ativistas da esquerda brasileira desde a década dos anos 60. Ele sobreviveu há todas as formas de perseguições políticas e judicial nas últimas décadas. O Zé continua influente estrategista no campo político pela esquerda do campo progressista, a segunda liderança mais conhecida do Partido dos Trabalhadores. Todos sabem que a política brasileira que apesar de sucessivos deslocamentos políticos em diversas direções, desde a redemocratização do país, a hegemonia dos processos de transição encontra-se com a mesma burguesia, condutora do golpe de 1964, do golpe de 2016, ao governo neofacista.   

No período entre 2006 e 2013, foi de muita dificuldade devido está preso, em maio 2015 foi condenado na Lava Jato e confirmado sua condenação no TR4, apanhou muito da grande mídia conservadora, foi perseguido pela justiça, talvez, por ser um grande articulador e ativista político e defensor das causas sociais. Nunca deixou de dar sua opinião, luta contra a condenação e julgamento político do Superior Tribunal Federal e posteriormente foi condenado pela 13ª Vara Federal em Curitiba. Que para a militância petista, é um dos eternos comandantes da esquerda brasileira. Que para a direita não passa de chefe no estilo mafioso. Não importam a ideologia, as convicções, todos são juízes da própria consciência agindo com equidade ou irracionalidade em relação Zé Dirceu.

O ex-ministro Dirceu: “Minha participação vai ser como filiado. Eu não pretendo, nem devo voltar para a direção do Partido dos Trabalhadores e muito menos participar diretamente da cúpula partidária. Quero andar pelo Brasil, fazer palestras e participar de seminários”. Por ter forte convicção no que se dedicar a fazer no campo político, se mantém inabalável com os afagos e afronta a sua pessoa, sem já mais se abalar. O homem forte do governo do PT/Lula acredita que a prioridade agora é transmitir para os jovens o valor de lutarem pelas causas coletivas. O Dirceu critica a atual política brasileira devido ao espaço deixado, que foi ocupado pelo noticiário, jornalistas, comentaristas e âncoras dos veículos da mídia. Também falhamos, e eu já disse isso, na questão das redes sociais. Era evidente, desde a eleição à presidência dos EUA do Barack Obama, depois do Donald Trump, que esse era um espaço que a gente devia ter ocupado. Mas o espaço mais importante, que acho que poderia ter feito a diferença, foi na comunidade, no bairro, na rua, nas escolas de ensino médio e nas universidades públicas e privadas, nos lares.

Sempre foi um protagonista nos papéis de líder estudantil, guerrilheiro, deputado, presidente do PT, advogado e ministro-chefe da Casa Civil. O antipetismo ingressou fortemente numa fração importante da classe média, como se todos os males do Brasil fossem culpa do PT. Isso está muito ligado com a estratégia de criar um “inimigo interno”, para não discutir os verdadeiros problemas do país, a concentração de propriedade e de riqueza. Homem forte do governo Lula, até ser abatido pelo mensalão em 2015, Dirceu tem sido procurado e ouvido por líderes do PT e da esquerda sobre os rumos das campanhas, municipais, estaduais e presidencial. Dirceu afirma que a incitação à violência começou com as agressões aos petistas a partir do mensalão, nos expulsaram dos lugares públicos, isso é violência e ódio. Aos 72 anos, ele está bem e tranquilo. “Não fujo a prestar contas com a Justiça, eu cumpri minha pena, e se for condenado de novo, mesmo se for injusta, vou cumprir”. Porém, forjado na luta e no combate, ele não se dobra a nada. Foi abandonado à própria sorte na época do mensalão.

 A história política de José Dirceu de Oliveira e Silva, é pontuada por êxitos e reveses políticos. Depois da clandestinidade e da perseguição pela ditadura militar nos anos 60 e 70. Iniciou uma trajetória política no movimento estudantil, no início da década de 60, quando cursava direito na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Primeiro, exerceu o cargo de vice-presidente do Diretório Central dos Estudantes na universidade. Depois, foi eleito presidente da União Estadual dos Estudantes (UEE). Foi parte ativa do movimento estudantil que coincidiu com um dos períodos mais repressivos da ditadura militar. Na militância contra o regime, passou a integrar também grupos políticos de esquerda que operavam na clandestinidade. Tornou-se o ministro mais poderoso do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, a partir de 2003.Denunciado no episódio do mensalão, perdeu o cargo de ministro da Casa Civil, teve cassado o mandato de deputado federal e acabou condenado por corrupção ativa pelo Supremo Tribunal Federal, crime que nega ter cometido.

No início da década de 80, Dirceu participou da criação e estruturação do Partido dos Trabalhadores. Ganhou a primeira eleição para presidente do PT em 1995. Depois, foi reeleito mais três vezes. No partido, também foi secretário de Formação Política, secretário-geral do Diretório Regional de São Paulo e secretário-geral do Diretório Nacional. Fez carreira parlamentar o de deputado estadual em São Paulo, entre 1987 e 1990. Em 1990, elegeu-se deputado federal. Concorreu ao governo de São Paulo, em 1994, mas ficou em terceiro lugar, atrás do eleito Mário Covas (PSDB) e de Francisco Rossi (então no PDT). Voltou para a Câmara dos Deputados em 1998 e foi reeleito em 2002. Dirceu à frente do PT e da campanha, o partido conseguiu eleger o ex-metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva para presidente em 2002.

Dirceu então é convidado por Lula para ocupar o cargo de ministro-chefe da Casa Civil. Nos primeiros anos do mandato de Lula, era visto como o homem forte do governo, quase um “primeiro-ministro”. Como diz o Zé que o jogo não está jogado. Fazer luta política, cultural, ideológica, para organizar o povo. E lembra: “Os que pedem frente democrática agora se recusaram a fazê-la em 2018”, ele defende a formação de uma frente de esquerda para lutar contra o governo de Jair Bolsonaro e a política econômica do Paulo Guedes. Já tivemos esta experiência no Brasil. Temos que trabalhar para uma ruptura e uma transição por baixo nas ruas, como se deu na campanha das Diretas Já”. Dirceu reconhece que a esquerda falhou. “Um dos principais erros nossos foi não mobilizar o povo, não confrontar o nosso contra o deles, classes médias conservadoras, que eles põem nas ruas como puseram contra Dilma”.

O ex-ministro nos alerta e revela que estamos voltando ao cenário ocorrido do passado, em uma parecença com o que estamos vivenciando e dá suporte a um modelo econômico que arrocha salários, diminui custos do Estado e o centraliza para melhor servir ao mercado financeiro, ao empresariado, qualquer preocupação com o custo social dessa receita. O País deveria priorizar para escapar do caminho que vem sendo pavimentado sistematicamente por meio do desmonte de setores essenciais, além do risco de privatização de estatais brasileiras lucrativas e importantes para o desenvolvimento do Brasil. O que foi feito sem antes, os erros e acertos, e o que pode ser feito agora para evitar que se mantenha uma estrutura política e institucional que massacra e condena a população ao aprofundamento da pobreza e da desigualdade. As reformas da Previdência e Trabalhista não trouxeram os resultados esperados no cenário econômico, tampouco a reforma Administrativa, anunciada por Bolsonaro hoje que ficará para o ano que vem, deve ser a saída para a crise que não dá qualquer sinal de melhora desde o final de 2016 quando essas reformas começaram a ser colocadas em prática pelo governo ilegítimo de Michel Temer.

A política está sendo contaminada pelo ódio, Dirceu tem uma linha de pensamento de que a sociedade civil não deve tratar quem exerce cargo político/administrativo como se fosse um inimigo. O governo é muito duro com a classe trabalhadora e muito suave com sonegadores, especuladores rentistas, sabemos que o Guedes manda mais que o próprio Presidente Jair Bolsonaro. O Guedes não pensa como brasileiro para ele o trabalhador é apenas um número que ele a qualquer momento o transforma em robôs a serviço da burguesia que vive principalmente da especulação financeira. O Dirceu acha muito difícil tirar este governo neofacista, sem movimentar o tabuleiro político e dos movimentos sociais e, daquela parte da sociedade que se encontra desalentada com a atual diretriz do campo econômico e político. Dirceu considera que é preciso mais participação da sociedade civil organizada na integração de projetos governamental voltado com a distribuição de riquezas.

Em uma entrevista cedida ao Site Brasil de fato: onde ele fala que a direita foi subestimada e pouco politizamos a sociedade. Defende ampla mobilização junto aos órgãos da justiça de forma democrática na revisão dos conceitos adotados, politizando e medianizando os tribunais a partir de 2014 com a caçada implacável ao Lula e ao Partido dos Trabalhadores e a classe política em geral. O ex-ministro da Casa Civil do governo de Lula analisa a história recente do Brasil, a ação partidária do Judiciário, os movimentos políticos e as perspectivas para o futuro. Abriu o caminho para tudo o que assistimos depois na Lava Jato. Infelizmente nós não aprendemos a lição e ainda votamos uma legislação na Câmara que tem sido utilizada de maneira abusiva além do que o texto dos artigos permiti, que a Lei da Delação, a Lei da Organização Criminosa, Lavagem de Dinheiro, a Lei Antiterrorista. São legislações que têm de ser cercadas de cuidados para que não sejam usadas politicamente. Por exemplo, como é que alguém pode ficar preso quatro anos e depois delatar? Como é que alguém pode delatar preso? Os procuradores dizendo na imprensa que vão condenar a 100 anos, prendendo familiares, bloqueando bens, processando familiares. Como é que essa delação pode ser digna, espontânea, à vontade própria? Com muita pressão psicológica sobre a família do delator.

Segundo José Dirceu, ele tem uma vida de dedicação à militância esquerdista. E que o PT é vítima de uma tentativa de desfazer o legado do ex-presidente Lula, por tirar mais de 40 milhões de pessoas da extrema pobreza dando dignidade para estes invisíveis aos olhos da sociedade , foi condenado em um tribunal de exceção e posteriormente preso por atos de corrupção, é preciso fazer “o balanço histórico”. O Partido é apenas uma vítima de alguns traidores que se desviaram e acabaram em esquemas ilícitos. A elite deve estar rezando cada vez mais para que ele fique longe da política. Há um sentimento de que houve uma caçada implacável a liderança do PT e do ex-presidente Lula. Então acho que eles perderam. Historicamente é uma grande derrota da direita, mesmo vencendo o pleito eleitoral para presidente em 2018. Dirceu se mantém bastante ativo na política, apena como um militante da causa da esquerda, ele observa, dialoga e orienta os movimentos sociais.

Ele sempre que tem uma oportunidade na mídia, relata quais eram os objetivos da operação Lava-jato na sua condenação e consequentemente a “prisão ilegalmente para que delatasse”. Não o obstruiu a justiça, porem entendeu que sua prisão apena tinha o objetivo de delatar a maior liderança do PT que era o Lula. Diante da sua experiencia adquirida durantes anos de luta no campo progressista que, para tirar Bolsonaro será preciso fazer aliança com outras correntes da política. Será necessário que seja uma resistência pacifica, caso haja uma tentativa de golpe do Jair Bolsonaro. É preciso estamos em estado de alerta máxima. Temos que resistir, eliminando este fascismo que voltou a nos atormentar outra vez no Brasil. “Usando os instrumentos da luta política, social, judicial que temos. Faremos uma resistência pacífica com o apoio da sociedade. Não se pode subestimar o povo brasileiro”.

Ficou preso um ano e nove meses sem ser julgado na segunda instância. O supremo em 2016 deu o poder de investigação ao Ministério Público Federal, estadual. Passaram a partir deste aval a ser polícia judiciária na união e nos estados de investigar, acusar. “Nós temos que lutar para mudar as leis que nós consideramos injustas, faz parte. Lei é produto da sociedade, do movimento da sociedade, das lutas sociais, das lutas políticas, das transformações econômicas e sociais de um país”. Sua atual diretriz é correr o país de norte a sul e do leste ao oeste, ouvindo as pessoas sobre políticas públicas, que devido sua ausência durante cinco anos mudou muito nos últimos 15 anos, desde que o Lula foi eleito presidente. Defender o PT, defender o legado de Lula. Defender propostas com relação a várias questões importantes para a sociedade e consequentemente o país. A defesa da democracia, das liberdades, das garantias individuais, que vive neste ambiente turbulento sob ameaça.  

Dirceu também faz uma avaliação precisa sobre o atual momento que só com a mobilização popular para deter o arbítrio. “Só detém o golpe a luta popular nas ruas, a resistência, o combate. Acordos, conchavos, conciliações, não funcionam, discursos não vão resolver. Tem de haver povo na rua”. Expressou seu pensamento sobre a mistura de religião e estado, ele deixa bem claro que deve haver a separação do Estado e da religião. Este tema que voltou a ganhar relevância no espaço público. Nas eleições as instituições religiosas passaram a debater como poderiam participar do debate público, fundamentadas em posições com base na fé e na doutrina. No Congresso e, principalmente com a eleição e vitória do Bolsonaro para presidente em 2018. Com este ingrediente explosivo que é a mistura da religião/estado, aos poucos está sendo expandida em todos as repartições públicas, como se a diversidade não existisse e os problemas sociais fossem meros detalhes que podem ser facilmente adiados para abrir espaço a dogmas religiosos. Defendendo coisas absurdas, com a desculpa de que todo esse discurso ferrenho é para que comece a haver justiça no Brasil. Portanto passaram a misturar princípio da doutrina religiosa com a do estado, tal como, mandamento, princípio e regra. Passaram a debater de como a sociedade deve se comportar, pois questões de convicção pessoal não podem servir como baliza para decisões que envolvem toda uma sociedade. Porém, estão rasgando a Constituição Cidadã de 1988 que assegurou a todos o livre arbítrio e garantias fundamentais de que o Brasil é um Estado laico.

Dirceu volta afirmar de que chegou a hora de fazer a disputa política para a reconstrução de um novo ciclo de desenvolvimento para o Brasil. Mas ele também não deixa de fazer uma crítica à atuação política dos petistas e também das esquerdas. “É preciso fazer luta política, cultural, ideológica, para organizar o povo, e nós não organizamos. Por que não organizamos as mães do Bolsa Família? Por que não organizamos os filhos do ProUni? Nós subestimamos, ou acreditamos ingenuamente que a elite brasileira, o aparato do Estado, a Justiça, as Forças Armadas e o Ministério Público aceitariam”. Lembra que a força da esquerda e do PT não podem ser desprezadas porque o campo popular esteve presente nas disputas pelo comando do país e ganhou em quatro eleições seguidas, entre 2002 e 2014. E poderia ter ganho na eleição passada contra Bolsonaro. E ia eleger a quinta vez depois do golpe, se tivéssemos uma eleição limpa, nós íamos ganhar a eleição de 2018”, avalia. “Então têm forças no Brasil, tem legado, tem memória, agora o problema é se nós estamos à altura destas forças. Parece que não. Não estamos à altura deste povo, para organizá-lo, para mobilizá-lo, para conscientizá-lo. Nós é que precisamos nos colocar à altura, sempre digo que a militância do PT é muito melhor que nós, os dirigentes, e estou me incluindo”.

O ex-ministro tem plena consciência que sua exclusão da política permanecera por muitos e muitos anos, seguida pela de Lula. “Para condená-los, sem crime e sem provas, não tiveram escrúpulos de violar as mais elementares garantias constitucionais e transgrediram os princípios democráticos fundamentais”. Teve como objetivo final da aliança entre setores da tecnocracia judicial, a mídia monopolista, os partidos de direita e o grande capital. Com certeza somos o maior troféu do qual as forças mais conservantista e regressista têm em mãos, que até mesmo a proclamação da República resultou das crises que abalaram o 2º Reinado, devido principalmente a questão religiosa, a questão militar e a abolição. Não poderão abrir mão, tem o valor simbólico do isolamento e desmantelamento da esquerda brasileira, e do Partido dos Trabalhadores. Exatamente do que está em jogo, o ex-presidente nacional do PT vem resistindo e não irá capitular diante desta batalha travada nos tribunais e não abandonará a luta política. O próprio Zé sabe que seu sacrifício, por mais cruel e doloroso que seja, é uma obrigação ideológica e política para manter elevadas a moral e a esperança das fileiras da esquerda no Brasil. Por sua história pessoal, construída desde a luta revolucionária nos anos 1960, e a memória de tantos companheiros seus tombados em combate. Por compromisso em derrotar moralmente seus algozes e os do povo brasileiro, que são os mesmos. Por dever histórico de jamais decepcionar ou frustrar a combativa militância que dá vida à esquerda brasileira, e por isso vale a pena lutar pelos ideais.

O Brasil sofre por não ter levado os torturadores a julgamento, como foi feito em outros países do Continente Sul. Esta crise institucional que estamos vivendo. O período de ressurgimento do fascismo no Continente Sul-americano, com o descrédito das instituições que são os pilares da democracia, que realmente começou no pós eleição de 2014 com a reeleição da Presidente Dilma Rousseff (PT), seu adversário político já no outro dia fazia declaração da Tribuna do Congresso Nacional, não aceito o sufrágio deste pleito eleitoral. Passou a fustigar o governo exigindo recontagem dos votos. Fez uma oposição desleal no congresso aliando ao Presidente da Camará dos Deputados Federal Eduardo Cunha, aprovando pautas bombas, dificultando aprovação de projetos sociais, criou-se uma subcultura da terra arrasada. Era preciso se desfazer das obrigações sociais e redescobrir a meritocracia do eu sou capaz de fazer tudo sem a ajuda da mão do Estado. Dos valores culturais, econômicos sociais, do menos impostos para caixa do governo, menos regulação, mais tolerância com a desigualdade maior com as diferenças entre os indivíduos e menos ênfase na coesão social.

Vivemos um período de cinismo e maus modos. Período este que a sociedade está passando de crise política e social, no reinventar e renascimento como unidade que de alguma forma é nefasta, o neofascismo a cada dia se fortalece, as liberdades individuais se enfraquecem, não ocorre isso só no Brasil, vem crescendo globalmente. Esse novo crescimento do autoritarismo disfarçado de democrático se reproduz etnocentricamente. É um momento perigoso da nossa história, só observar o estado de animosidades na sociedade.

A crise do Covid-19 como está sendo administrado pelo governo, isso vai custar um preço elevado, que mais tarde alguém terá de renunciar a alguma coisa. Com a pandemia qual será a resposta das políticas públicas. O interessante será como o governo vai enfrentar esse dilema, esse com certeza será o momento da verdade. O sistema neoliberal exige os comprimentos das regras do jogo no campo rentista. Vamos nos mexer, vamos mudar esta nação, vamos substituir o Bolsonaro. Fica a pergunta que não quer calar, esta sociedade ajudaram o Bolsonaro a chegar ao Palácio da Alvorada (residência oficial) e do Palácio do Planalto sede do Poder Executivo Federal, local onde está o Gabinete Presidencial do Brasil, com o apoio desta trupe que só olha para si. Erramos em não politizar os jovens, deixando fora do jogo político, as pessoas pensam que a juventude não sabe voltar e olhar para o futuro e, de que só vivem o presente, estão completamente enganadas, eles pensam e opinam sobre o rumo que a nação precisa seguir.             

Jair Bolsonaro a sociedade em sua grande maioria já sabia que ele era de extrema direita e, não foram enganados como se divulgam nos meios de comunicações nacionais, era alertados ante da eleição pelos veículos internacionais, foi eleito presidente do Brasil, o colocaram no poder. Esta mesma sociedade que o elegeu cobra de como pode o país, dono da oitava maior economia do mundo, dar essa guinada tão retumbante à extrema direita? Mas brinda a linha adotada pelo mesmo ao neoliberalismo da economia, a destruição dos projetos sociais, das privatizações do patrimônio nacional a preço de banana. Que se diga de passagem chegou ao poder com legitimidade ajudado por esta mesma trupe que agora quer retira-lo ou ao menos deixar mudo e decorativo no sistema. O cenário foi montado com que possibilitou a eleição do capitão reformado do Exército com retórica autoritária vem se desenhando há pelo menos duas décadas. Pensaram apenas em como poderiam tirar proveito da sua vitória eleitoral, foram egocêntricos e só pensaram em ganhar e ganhar e que o outro lado da sociedade que se danem morram.    

José Dirceu voz influente na esquerda, em um de seus artigos no “Metrópoles” – “um dos fantasmas que não deixa o Bolsonaro dormir é o povo na rua”. O governo não tem nenhum compromisso com a democracia, não apenas dos militares em questão, mas das elites desses países. Os planos econômicos de ajuste fiscal e corte de gastos, privatizações e aberturas comercial e financeira, mesmo quando permitem o crescimento, aumentam a pobreza, a miséria e a queda da renda, além do nível de vida da maioria das populações, inclusive das classes médias. Grosso modo, os países crescem e a desigualdade enriquece as elites e empobrece o povo trabalha. O grave é que a nossa elite, que deu apoio ou compactuou com o golpe, a condenação e a prisão de Lula, a eleição do Bolsonaro fechou os olhos para as ilegalidades de Moro, e Dallagnol na Lava Jato estabeleceu-se em parte considerável da opinião pública a demonização do PT, como partido corrupto, defensor de ditaduras comunistas.

Hoje em dia, o antipetismo se tornou sentimento dominante no Judiciário, Ministério Público, meio empresarial, mídia, além das corporações militares, historicamente críticas do sindicalismo. Agora se opõe à agenda de extrema-direita de Bolsonaro, mas apoia suas “reformas” liberais de desmonte do Estado Nacional e das conquistas sociais e políticas da Constituição de 1988. O alinhamento incondicional à política externa norte-americana, e a radical política liberal e de mercado de Guedes. A tal oposição liberal ao governo que tem compromisso com a política neoliberal, busca uma saída sem Bolsonaro, cala-se frente à tutela militar, mas seu verdadeiro temor é Lula, o PT e a oposição de esquerda. O presidente agride e repudia a começar pela Globo e pela Folha, avança em sua política autoritária, fundamentalista, religiosa e reacionária e se prepara para a reeleição em 2022. Porém com o contraponto ‘Moro/Huck’ com o apoio irrestrito das Organizações Globos, Estadão e outros seguimentos da grande mídia oligarca.  

Pode-se dizer que atualmente a “Lava-Jato”, que de uma vez por toda assumiu audaciosamente e inquisitorialmente a direção do comando da justiça brasileira. Não têm como se defender, não têm alternativa de defesa. Juízes, procuradores, delegados fazem campanhas nas redes sociais e na mídia convencional, se utilizam da mídia para promoção de si, agem arbitrariamente em revelia a própria lei que regi os tramites judiciários. Ferindo direitos fundamentais dos acusados, sem clara e fundamentada evidência. As pessoas estão sendo alijada da legalidade por uma justiça de exceção, que viola direitos constitucionais. Esse modelo de justiça aplicado na Lava- Jato, como é o “Domínio de Fato”, “Fato Indeterminado”, “atos de oficio indeterminado”, é um profundo obscurantismo? Ou simplesmente e deliberadamente de impedir a defesa dos acusados. Doutrina contrária ao progresso civilizatório, impedindo que as massas populares tomem conhecimento da verdadeira causa. Em tempos de retrocesso, discursos de ódio, ganha peso diante do momento atual. Em tempos de ataques claros aos direitos dos trabalhadores, à democracia, à Constituição é necessário manter a resistência.

Há uma grande percentagem da sociedade brasileira que tem medo de pensar e de até falar, tem medo da verdade, ou simplesmente cala-se por levar vantagem em ficar em silencio. Isto é o que vem ocorrendo com a sociedade ela se auto destruí a si mesmo. Cito por exemplo o dialogo virtual do presidente da Argentina, Alberto Fernández, manteve com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por meio de uma iniciativa da Universidade de Buenos Aires, e que não teve praticamente nenhum registro por parte da grande imprensa brasileira ficaram no mais profundo silêncio quase que sepulcral e serviçal da elite, negando informação dos fatos. Temos uma ditadura do silêncio e da parcialidade que segue viva. É importante ter isso em mente para entender que precisamos resistir não só ao governo neofacista. Quando olharmos para o nosso passado nos dá um calafrio, isto com certeza terá um valor que irá além do valor pedagógico para chegarmos a entender melhor o nosso presente. Vamos tem um custo que pode ser bastante alto para o Brasil como nação diante da comunidade internacional.

Em um diálogo ex-presidente brasileiro Lula e o presidente da Argentina   Alberto Fernández, participaram de evento online organizado pela Universidade de Buenos Aires (UBA), que teve transmissão no YouTube. Também participam da mesa virtual o Prêmio Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel, a jurista Carol Proner e o ministro da Educação da Argentina, Nicolás Trotta:

Notas: Brasil247, DCM, GGN, Conversa Afiada, Carta Capital, Carta Maior, Opera Mundi, Viomundo, Revista Fórum, Pt.org, Metrópoles, Brasil de Fato. Portal Disparada, Roberto Requião. BBC, UOL.

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