Porque somos míopes quanto ao mundo da política?

Colocado as pedras do xadrez eleitoral no tabuleiro político, podemos dizer que se iniciou o jogo para os processos eleitoral da disputa deste ano de 2020, da floração dos egos inflados do mundo da política e da miopia política da sociedade, das táticas utilizadas pelas minorias e pelos detentores do poder. Acreditamos ser o principal momento de girar a chave deste horizonte político, em que podemos virar o jogo. As eleições municipais já estão a nossa porta e que não podemos é cair outra vez de paraquedas na frente das urnas, voltando em que não nos representa. O homem por ser um indivíduo político que faz política a todo momento, tomando decisões que afetam a sociedade a toda hora. Onde o grande historiador Arnold Toynbee dizia que “O maior castigo para aqueles que não se interessam por política é que serão governados pelos que se interessam”. A intuição que me levou a escrever este artigo é fazer com que os indivíduos através da discussão livre e democrática de um diálogo sincero respeitando as diferencias ideológicas, passem dar luz as próprias ideias. Que seja marcada pela convivência pacifica na procura do bem estar da sociedade. É por meio do diálogo político fazer com que as pessoas entendam de fato o que em tudo que estamos envolvidos significa política. Mostra que se não buscarmos uma conexão intelectual com a política será com certeza um beco sem saídas para nossos objetivos serem concretizados. Portanto, será execrável negarmos a nos envolver, uma vez que tudo depende da boa política.

A política é, a priori, uma ferramenta de conciliação entre pessoas em um mecanismo que busca o bem da polis (Cidade/Estado). Pós fica claro ou melhor nítido de nossas necessidades em se manter ativos dentro do sistema político. Entretanto, lutar é primordial aos nossos interesses e da população e dos cidadãos em geral. Ao se desvirtuar desse âmbito, prejudicamos não só a nós mesmos, mas toda a sociedade. O homem por ser um animal político por natureza, é essencial para a vida em sociedade, pois “conhecer é em si só ideias não basta, que só a razão pode conhecer”. Neste universo de descrença nas instituições é avassaladora. Por isso é que reformas políticas e projetos passa pelo Congresso:Deputados/Senadores e nas assembleias Estaduais/Deputados e Câmaras/Vereadores com a velocidade da luz. O cidadão pode e deve participar das administrações e decisões pública independente da sua origem, classe ou função. Na cidadania democrática, todos são iguais, tem o mesmo direito opinativo, com valores que sejam desligados da tutela religiosa prevalecendo a vontade do povo.

O ódio das massas em relação aos políticos e à política explica que os formadores de opinião tem muita culpa ou melhor fazem uma completa lavagem cerebral, em grande parte da sociedade que se diz politizada e pronta a voltarem na escolha de seus representantes no executivos e legislativo (Municipais/Estaduais/Federal), através desta alienação dos meios de comunicação de massa que nos induzi ou tentam que a rejeitamos o mundo da política, financiada por quem tem interesse em manter o sistema atual da desinformação. Se colocarmos pessoas de seriedade e ímpeto, sem falta com os compromissos assumidos em campanhas eleitorais, os caminhos se abrirão com a esperança, coragem e quebraremos esta barreira a partir de um ponto, provocando o impulso para rompermos este momento de turbulência e obscurantismo que o país está passando.

Observem o que tem acontecido nesta nação com estes anos turbulentos, como se fosse um espelho. Quantos muitos perderam a vida devido aos desgovernos que não tem compromisso com a população e sim, com o sistema capitalista nacional e internacional. A sociedade está sem nenhuma consciência política. Este é um grande erro que pode ocasionar um desastre econômico-social. Seja qual for nosso palco de atuação na sociedade e, que permita a cada cidadão questionar os políticos que se candidata aos cargos de vereadores e prefeitos nesta nação. Que possa honrarem e esclareça seus planos a ser executados no pós-eleição. Façam a se comprometerem com suas responsabilidades em relação aos cargos que lhe outorgamos.     

Bertold Brecht falava do “analfabeto político”, o alienado que não se interessa pelo assunto. Mas sofrem os que ignoram a advertência de Platão: “A punição que os bons sofrem, quando se recusam a agir, é viver sob o governo dos maus” e, que “quem não tem interesse por política é que serão governados pelos que se interessam, que continuemos a nos omitir da política. É tudo o que os malfeitores da vida pública mais querem”. Onde “o pior analfabeto é o analfabeto político”. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não quer saber de política, a renega ao segundo plano, se acha o antipolítico, porem esquece de que estamos em uma sociedade globalizada que depende das decisões políticas. O analfabeto político é tão estúpido que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que sua ignorância política, nasce as mazelas que nos está assolando, como do político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais que rouba o bem estar social e econômico de todos, onde só haverá uma mão de ida para mais acumulo de riqueza. Ficamos paralisado como se fosse uma estátua em praça pública. Se não passarmos a participar ativamente da política no Brasil esta máquina pública passar a atuar em favor das elites e, deixará de servir ao povo, será cooptada por interesses escusos, incompatíveis com o bem estar da sociedade.

Os políticos brasileiros servem sobretudo aos seus financiadores, normalmente grandes empresas privadas, interessadas em expandir lucros e mais lucros. Sobra pouco tempo para os eleitores que voltam por obrigação e não por convicção nestes vassalos subserviente do sistema. Por que somos tão apáticos e míopes em relação ao mundo político, por que não fazemos diferente? Por que não superamos a fase da indignação e passamos à prática? A maioria da sociedade não consegue dissipar essa miopia, mudando a história de que o mundo da política é um mundo de malfeitores e corruptos. Aceitamos as coisas como são e ficamos insensibilizado frente às inúmeras denúncias de corrupção e aos desmandos de nossos representantes. O fato é que temos ainda uma democracia muito imatura no Brasil, com baixo envolvimento da população e uma frágil cultura política. Por que grande maioria da população quando falam sobre a política, dizem que não gosta de política e, quais são os motivos que levam estas pessoas a adotar essa postura míope em relação ao campo político é o sentimento de descrença.

Muitos não acham que existe meios de agir na política que possa promover mudanças; não enxergam potencial de transformação social que existe na política. Há um grande desinteresse em aprofundarem em política e, passa a não se dar o devido valor. Nossa jovem democracia ainda carece de muitos aprimoramentos. Mas eles não acontecem quando nos acomodamos. A luta deve ser contínua. Melhorar a democracia é como criar nossos filhos, todos os dias temos de regar essas árvores para que elas possam florescer e da belos frutos. Se nos acomodamos, quem cuida dela são os políticos cleptocratas. É oportuno indicar, como energizar politizando este momento em que a sociedade está sitiada por eclusas, num novo modelo de circulação do poder, como sistema e mundo de vida.

Uma nova formação de regras socioeconômico, determinando o direcionamento para doutrina democrática, com uma ampla e profícua discussão para o futuro da própria sociedade moderna e democrática, superando este atual modelo tradicional acerca da realidade social. Em que não sejamos mais direcionado pela ideologia burguesa, cuja a engrenagem precípua é a manutenção do status e a denominação e a alienação do homem a uma sociedade de classes e suas relações sociais, políticas, econômicas, psicológicas. Ou seja, o homem por ser um animal que vive, se faz e acontece no espaço comunitário, como forma de se proteger ou em vista de seus próprios interesses comuns. Estabelece relações sociais como forma de desenvolver sua potencialidade, onde sua própria personalidade será formada de acordo com seu ambiente social.

Seja do fluxo descontínuo de informação, seja da censura, seja do controle sobre seus interesses sociais. A democracia passa ser um aspecto mais amplo de consciência política por parte da própria sociedade, isto só será efetivado através de uma mudança de mentalidade vital da opinião pública, que culmina em opinião e da vontade que serve para garantir o controle social, para legislar numa sociedade de analfabetos políticos. A opinião pública reflete os interesses de classes burguesas, constituindo uma falsa consciência da realidade, segundo a perspectiva marxiana. Em um Estado democrático, ser contra a política, não é uma postura crítica, mas uma postura imatura. Em um sistema representativo nos cabe eleger nossos representantes para o executivo e legislativo como influencia-los, seja criticando ou elogiando e, que não falte a ação política vigilantes sobres estes políticos. Precisa começar em algum lugar neste engajamento político, remetendo a tais como se filiar a um partido ou associação, frequentar assembleias e reuniões protestando e cobrando para que cumpra seu papel, legislando ou administrando o patrimônio público, na qual foram eleitos.

A política é tão presente na vida nossa que até quando você decide não participar dela, também age politicamente, pois está deixando que as coisas permaneçam do jeito que elas estão e não vê necessidade de mudança. É muito comum ouvirmos indivíduos dizerem que “não gosto de política”, “prefiro não me envolver com essas questões”, “todos os políticos são ladrões”, “sempre que um político aparece na televisão desliga a TV”, “horário eleitoral é um saco” ou “ política envolve corrupção e desvio de verba”, o mundo da política, geralmente as pessoas pensam como detestável, desagradável, como se este assunto fosse apenas para os especialistas ou políticos. Ou então até mesmo, pensa que a política só se restringe ao voto.  Mas será que é isso mesmo? Afinal, o que você tem a ver com a política, por que nos dizem que ela é tão importante? Não obstante da existência putrefata recheada de manipulação fraudulenta, de ações para atender interesses específicos no ato político, temos que entender que esse quadro negativo só poderá mudar através da própria política.

Porque a política é o instrumento de ação de transformação da sociedade. Daí a importância da participação cidadã. Se muitos permanecerem apáticos, deixando as decisões para terceiros, um grupo limitado acabará comandando sem oposição as decisões mais importantes do nosso país e os nossos interesses poderão não ser atendidos. Dessa forma, temos uma responsabilidade política a exercê-la. Onde cada indivíduo precisa do outro, que é da nossa própria natureza e está em nosso DNA, viver em sociedade é buscar o bem comum que se tem como a nossa índole compartilhada em tudo que ocorre neste ambiente conflituoso. Portanto, a política não se limita aos governantes e à profissão em si, mas abarca também uma participação de todos os cidadãos, para debater sobre problemas existentes e possíveis soluções para melhorar a vida daquela sociedade. A política é tão presente na vida das pessoas que até quando você decide não participar da política, você também está agindo politicamente, pois está deixando que as coisas permaneçam do jeito que elas estão e não vê necessidade de mudança.

Desde o ano de 2013 a grande mídia prática uma imprensa de guerra, essa situação reflete sobre a política brasileira, só houve agravo da crise que o Brasil está em curso. Não há exagero nenhum afirmar que esta crise foi influenciada em grande parte na atuação da mídia oligarca, os fatos neste período não teriam a dimensão que está acorrendo. Em que contexto essa relação ocorre, o da sociedade do espetáculo. Na sociedade do espetáculo, a vida política passou a ser baseada no processo de construção/desconstrução das imagens dos políticos, dos partidos e das instituições estatais em geral.

Mostrando um entrelaçamento cada vez maior, fazendo dos fatos jornalísticos um espetáculo de entretinimento político colando os políticos no corne dos ringues. Ficou evidente a união do judiciário e mídia, se fez presente na condenação do ex-presidente Lula pelo crime de corrupção que ficou conhecido mundialmente pelo nome de “triplex do Guarujá”, condenação esta que teve a participação forte dos holofotes da grande mídia. Com a construção do discurso midiático. Que a direita tinha como objetivo, que era não deixar o ex-presidente Lula disputassem mais uma eleição para presidente em 2018, que conforme pesquisas podia ter ganhado já no primeiro turno. A sociedade sabe que o julgamento do ex-presidente Lula não foi normal.

O juiz responsável pelo julgamento passou a ser capa de revistas como sendo um dos pugilistas, porque é assim que eles foram retratados, como numa luta de boxe, sendo o outro o ex-presidente Lula, o adversário. Isso já demonstra uma anormalidade de porquê juiz não pode ser um dos oponentes de quem vai julgar. Este juiz representava a justiça, para saber se a denúncia tinha sentido ou não. Ele sendo oponente, já é uma das partes em causa. Isso é muito estranho. A forma de atuação da grande mídia foi buscar ser o principal porta-voz de procuradores e juízes mediáticos e, de postura política com um viés de direita, na condução ao convencimento da sociedade de que estavam condenando pessoas corruptas e com a cooptação principalmente da classe média pêndulo que para onde balançar segue.

A grande mídia com sua postura política contrária as correntes de esquerda, passou a informar seus espectadores de forma dramática uma relação quase insuportável com o mundo político, levando a proliferação do discurso marcado pelo ódio. Discurso de ódio ficou presente em qualquer aglomerado que trate de política e, principalmente tem como alvo principal o Partido dos Trabalhadores e seus líderes regionais e nacionais. A hegemonia dos grupos midiáticos, o poder judiciário passou assumir uma postura de protagonista no cenário político brasileiro contemporâneo, passou a utilizar elementos da espetacularização. A grande mídia passou a utilização de recursos da dramatização nas coberturas jornalísticas da espetacularização para obterem maior índice de audiência fazendo sensalionismo de baixo valor jornalístico aos fatos relacionados como notícias. Os movimentos socias foram ridicularizados e relegados à invisibilidade pela grande mídia conservadora, só restaram para divulgações de suas lutas sociais as redes sociais. Essa divulgação foi fundamental para quebrar a barreira, da invisibilidade imposta pelas oligarquias do sistema financeiro nacional/internacional e da própria grande mídia patrocinada por grandes organizações que tem o maior dos interesses em quebrar os elos dos movimentos sociais que ainda tem vínculos com a sociedade. Foi fundamental para quebrar este obscurantismo impostos pelas elites dominante e, na defesa do exercício da cidadania. Anos turbulentos de entrelaçamento da mídia, judiciário ocupando o espaço do mundo político.

Será que vivemos em uma sociedade livre, que tenha a capacidade de fazer análise crítica do que está ocorrendo em torno de si mesmo, nossas escolhas estão corretas, o cidadão é livre realmente como estes oligarcas nos tenta passar essa ideia. Este cidadão realmente está apto a informações sem um viés ideológico, somo apena um joguete nas mãos destes donos do sistema, ou apenas pode se alto denominarmos de mais um analfabeto político. Somos realmente induzidos em não ter os mínimos esclarecimentos para se tomar uma decisão que vai impactar em nossas vidas e no próprio destino de nossa nação. Cada vez estamos perto das eleições e o que vimos e o aumento de analfabetos políticos, está crescendo sejam eles eleitores e candidatos aos cargos de vereadores/prefeitos. uma população que não se interessa como será administrados nossos municípios, não faz uma pesquisa dos candidatos, não se informa e não participa como se pode alcançar na política.     

Não esqueça que os candidatos após ser referendados pelo sufrágio do voto e escolhido para serem os nossos representantes, ele passa a ser funcionário daquela comunidade a qual foi designado, portanto, passa ter a obrigação de nos prestar todos os esclarecimentos que se fazer necessário. Esta pessoa não pode fugir do debate e da argumentação aos seus eleitores. Não podemos viver nesta estagnação social, cegueira esta promovida pelo conforto e a inconsciência política, produzindo fonte de águas amargas e de projetos sem lógica para o município, ter um mínimo de coerência com seus próprios projetos apresentado para seus eleitores. Há muitos candidatos Brasil afora que são um analfabeto político não sabem qual será o seu papel e suas atribuições na vida pública. A política é importantíssima para que os direitos e deveres da pólis possa ser garantido. Muitos eleitores e candidatos tratam a política com desprezo e bufonaria. Candidatos que destroem princípios constitucionais em seus discursos demonstram despreparo e desrespeito ao povo que labuta, que luta e que deseja ter uma nação mais digna de ser vivida e uma vida mais digna de ser buscada.

Caros amigos eleitores se tornem mais eleitores, saibam utilizar esta poderosa arma que é o voto. Não vote por votar porque o voto ignorante ignora o povo ignorado. Não venda seu voto porque serás um joguete nas mãos de criminosos políticos que não querem debater política, querem usá-la como trampolim financeiros. A política não se faz com manobras e nem com discursos agressivos e com vocabulário chulo. A política se faz com leitura, debate, voto, decisões e muitos outros pontos cujo foco é melhorar a pólis. O aparelho administrativo em uma política decente sem analfabetos políticos faz a Lei ser cumprida e respeitada. O analfabetismo político é o prato delicioso da corrupção. A memória política brasileira, vemos um histórico de eleitos e eleitores que estão presos na caverna da ignorância política.

O ex-senador Roberto Requião cita: “em seus discursos ele destacava que o próprio congresso em grande maioria são uns analfabetos políticos e, que esse não é um problema dos cidadãos sem cultura (Conhecimento). Que está presente nos três Poderes da República, no Ministério Público, no mundo acadêmico, na imprensa, nas igrejas e na alta sociedade. Que não consegue enxergar que as privatizações em curso no Brasil, na verdade, apenas entregam o patrimônio nacional para empresas controladas pelos governos de outros países. O senador disse ainda que o combate à corrupção tem sido apenas um pretexto para submeter o Brasil à “globalização imperial”. Para Requião, o analfabeto político não sabe o próprio custo de vida e, muito menos, que o preço dos alimentos e dos remédios depende das decisões políticas.

Requião também afirmou que este tipo de cidadão, o qual se orgulha declarar ódio à política, se encanta pelo discurso dos políticos que dizem não serem políticos. Na opinião do senador, o analfabeto político manifesta apoio aos famosos que se aventuram na política e a quem se apresenta como administrador, empresário de sucesso e gestor técnico, desde que pregue moralidade, ética e política sem partidos. O analfabeto político em sua ignorância impermeável, ceratinosa, está sempre alerta, eternamente vigilante para apoiar até mesmo um Luciano Huck, um Dória, ou quem duvida, talvez até um Alexandre Frota.”

Alguém já parou para pensar que estamos fazendo e praticando política a qualquer momento. Nossas relações sociais são mediadas pela política, seja ela em qualquer momento de nosso dia-a-dia, de interesse e tomada de decisão até em como vamos conseguir administrar algo para construirmos nosso pé-de-meia, estamos praticando política. A política é muito importante, o problema é que apenas uma pequena parcela da sociedade se usufruí. Em todas as nossas decisões a política está presente, até na não participação do indivíduo até de quem odeia política. Político é um funcionário público temporário que tem deveres e direitos constitucional. É necessário a participação da sociedade aumentando o senso crítico, realizando seu papel de cidadão, para que a verdadeira política seja construída.     

Por que o Brasil não dá certo? Isso de certa forma explica muito dos retrocessos a quais estamos vivendo, essa condição está relacionada a fatores políticos, pois ela é a condução da nossa própria existência coletiva, que será refletida na nossa experiência individual. Dessa forma, a política não é um mecanismo exclusivo de políticos e muito menos envolve apenas discursos, eleições e promessas falsas.  Não é algo distante de nós; pelo contrário, faz-se presente em nossas vidas, por menor que seja o assunto abordado. A política foi criada para que possamos debater discutir e questionar questões, sem que seja preciso a utilização da violência. Através dela, foram estabelecidas regras, leis e normas, bem como o estabelecimento de direitos e deveres para conduzir as nossas ações, na configuração e âmago do funcionamento da política. Têm que ser voltada para a busca do interesse da coletividade em geral. Cabe a cada um participar desse processo contribuindo na construção de uma política desejável, afinal, somos todos políticos.

É só através da política que sairemos dos problemas políticos que a própria política nos trouxe. É um dos instrumentos que nos permite viver juntos em torno de acordos de convivência. Só sairemos da atual crise por meio da política por meio de uma nova forma de nos relacionar colocando novos atores neste teatro de marionetes independentemente de quem esteja nos representado isso tudo, não estamos apenas crendo no potencial de mudança desses atores, mas sim no nosso potencial de transformação e de envolvimento. Fazer política é dialogar, negociar com o outro na expectativa de resolver conflitos que nos afeta nos cotidianos social e econômico e dos demais cidadãos que convivem na sociedade.

Implica em ouvirmos aqueles que são diferentes e, ao mesmo tempo, sermos ouvidos por eles. Em alguns casos isso não basta realizar uma reunião e tentar sair dela com uma decisão já concluída. Este processo pode levar a muitas reuniões. É aqui que costumamos criticar, nos sentimos afastados e pouco inseridos nas decisões. Pense que o Brasil é um país continental com uma extensão de 8,5 milhões de quilômetros quadrados e com cerca de 210 milhões de habitantes, imensa desigualdade social e econômica, além de relevantes misturas culturais. Como chegar a algo razoável em termos de acordo político? Qual o nosso papel em todo esse enorme mosaico de realidades? Perceba que estamos chamando de “fazer política” aqui algo que deseja envolver as pessoas em um determinado projeto, algo que se assemelha à lógica da Democracia. Não se ver ninguém alguém debater sobre programas de governo. Isto é reflexo de baixa educação política que temos e um certo grau de imaturidade também. Assim, as pessoas se ancoram simplesmente nas promessas e no discurso político para trazer seus argumentos de por que escolheu um ou outro. Todos os candidatos falarão de um lugar comum, simplificando o que não é simples, afinal somos uma república e há, ao menos, três poderes que juntos governam. Não obstante isto, a polarização atual, que nem é tão atual assim, impede a maioria de perceber que há nuances significativas e deveriam ser levadas em consideração. Seria fácil se só houvessem realmente dois polos, mas não há. Onde na verdade há varias narrativas contadas e aceitas por nós. A política é uma disputa de narrativas e por audiências, em essência. Quem tiver uma melhor narrativa, leva. Cada um vende seu peixe que são longas milongas dissertativas. De qualquer natureza, significa que aquele discurso faz mais sentido ao seu sistema de crenças. Isto constrói uma percepção de realidade contra o real, onde haverá argumentos sobre a realidade, é construída a partir do discurso. Afinal somos todos inerentemente míopes politicamente. Considerada por muitos um assunto complicado, ou até chato, na verdade a política está no dia a dia de todas as pessoas. É preciso que cada um dos cidadãos conheça os limites da própria ignorância e, a importância em reconhecer que somos seres ignorantes a fim de nos mantermos sempre em movimento em busca de novas respostas para as coisas possa acontecer.

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