Quais serão os principais interesses do novo presidente americano em relação às outras nações?

Na verdade, a solução é realizar uma actualização da visão capitalista nos campos da governança global, que possa construir e produzir valores  e principalmente não fechar os olhos para a realidade dos povos que vivem em estado de miséria, tenha ao menos o suficiente para sobreviverem com dignidade, transformar a vida com uma redistribuição mais equânime dos recursos globais. Deve haver revolução para que as pessoas possam ter uma vida mais digna. A destruição com guerras ou políticas econômicas boicotando países que não tem a mesma visão e, baixo poder de manipulação da política global? Democracia por ser um regime político em que todos os cidadãos ou nação possam participar em igualdade diretamente ou através de representantes principalmente em proposta de desenvolvimento e criação de leis.

Não se pode conviver passivamente com império que tem comportamento impulsivo, onde as relações são marcadas por rancores e imposições unilateral é, preciso haver políticas globais que tenha como foco o bem estar. Entretanto, as grandes potências econômicas e militares querem apena garantir a supremacia sobre as demais. E preciso que haja bom senso propondo política de conciliações, restaurações de alianças contra as ambições imperialista nas esferas tecnológicas, comercial e na preservação territorial das nações globalmente. Contradições estas que as surgem na busca de imporem normas e leis as suas servis nações periféricas, refletirá em futuro próximo o tipo de sociedade que vão surgir após a batalhas vencida pelo sistema dominante aos dominados. Estas relações passaram de uma pragmática cooperação para um confronto feroz destruindo nações e mais nações. Deixam a cooperação que gera solução econômica como no campo social para voltar ao confronto destrutivo. 

Será que há democracia no mundo capitalista? Centro-me no desafio se realmente estas duas correntes contraditória de uma relação sempre tensa nos países periféricos e as grandes potências econômicas do sistema mundial capitalista estará sempre presente. Esta relação sempre terá tensões devido a dominância das potencias econômicas exerce em diferentes regiões do mundo e entre diferentes tipos de graus de intensidade. As democracias capitalistas financeira tal como foi teorizada pelo liberalismo. As potencias econômicas provocam conflito que no fundo, um conflito de classes.  A burguesia global sempre teve pavor de que as maiorias das classes baixas tomassem o poder e, passa a usar o poder econômico e político para impedir que as nações periféricas tenham autonomia e liberdade de tomarem decisões que contrariem o sistema financeiro mundial. manterá e irá manter restrições. Instrumentos este de que as nações economicamente fortes impuseram aos cidadãos. O que mudará nas relações de Joe Biden e as nações ao redor do mundo?

Quais serão os principais interesses do novo presidente americano em relação às outras nações? Os limites entre diplomacia imperioso e qual será o grau de operações secretas e escusas. Como irá manter o poderio econômico e militar no futuro governo, qual será suas necessidades de controle sobre as outras nações. Elencando fatos e situações o que se pode evidenciar interesse econômico, sempre impondo restrições à outras nações com intervenções de boicote econômico e até militar. O que seria uma ameaça à segurança estadunidense. Porque o desenvolvimento de outras nações pode ser uma ameaça para segurança norte-americana. Ou será a mais dependência de recursos naturais das nações subdesenvolvida para poderem manter-se no topo da pirâmide econômica mundial. Sempre tomaram medidas intervencionistas em outras nações na busca crescente de recursos minerais principalmente de países menos desenvolvidos. Com certeza suas preocupações a ser manifesta será com os fornecimentos de matérias-primas, por meio de investimentos privados e até de programas econômicos e pela firme presença da CIA dando suporte a essas políticas intervencionistas de acordo com seus interesses.

Com base nas projeções de agências de notícias e institutos de pesquisas, Joe Biden será novo presidente dos Estados Unidos. A vitória do democrata abre uma nova fase na política internacional, ampliando um isolamento crescente do Brasil nos últimos dois anos. Aponta o professor do “Insper” e “Instituto de Relações Internacionais da USP”, Carlos Eduardo Lins da Silva. Segundo ele: “O Brasil ficará bastante isolado, em uma situação bastante difícil, similar ou até mesmo pior ao observados nos tempos da ditadura militar em alguns aspectos” o novo presidente dos EUA deve marcar a retomada de um perfil multilateralista da diplomacia americana, o que deve se refletir numa redução das tensões com a China, principal parceiro comercial do Brasil. É possível que o relacionamento entre estas duas potencias seja menos agressiva. Estes dois países competem pela posição de liderança econômica global, mas as questões estruturais dificilmente serão eliminadas.

As relações entre Brasil e Estados Unidos englobam o conjunto de relações diplomáticas, econômicas, históricas e culturais estabelecidas entre as duas nações. Estão entre as mais antigas do continente americano, sendo os Estados Unidos o primeiro país a reconhecer a independência brasileira. Os dois países participam em concordância de várias organizações internacionais, incluindo as Nações Unidas, a Organização Mundial do Comércio, a Organização dos Estados Americanos, o G20. O Brasil é um dos países mais pró-Estados Unidos do mundo. De acordo com pesquisa de opinião global, 62% dos brasileiros ver os Estados Unidos de maneira favorável, índice que pode chegar até 73% conforme alguns institutos de pesquisas. No entanto, essas pesquisas foram realizadas antes de revelações de espionagem da Agência de Segurança Nacional para o público brasileiro, já 61% dos estadunidenses ver favoravelmente o Brasil.

Lula saúda Biden e cobra fim das agressões a América Latina patrocinado pelo governo dos Estados Unidos. Neste momento tão importante em que o povo norte-americano se manifestou contra o trumpismo e tudo o que ele representa, de rejeição de valores humanos, ódio, abandono da vida e agressões contra nossa querida América Latina, saúdo a vitória de Biden e manifesto a esperança de que ele não só internamente, mas também em suas relações com o mundo e com a América Latina, se paute pelos valores humanistas que caracterizaram a sua campanha.

A partir do século 20, a América Latina passa a ser alvo de um novo tipo de dominação denominado de Imperialismo Cultural, que se caracteriza pela ocorrência do intervencionismo militar em territórios considerados estratégicos; polarização ideológica do período entre guerras; substituição de importações em território nacional; adoção do modelo cultural americano baseado no consumo; valorização da vida rural em detrimento da urbana. Os Estados Unidos interferiram nas eleições nacionais de muitos países, inclusive no Japão nas décadas de 1950 e 1960, para manter seu partido preferencial, o Partido Liberal Democrata de centro-direita, no poder usando fundos secretos; nas Filipinas para orquestrar a campanha presidencial de Ramon Magsaysay em 1953 e no Líbano para ajudar os partidos cristãos nas eleições de 1957 usando aplicações secretas de dinheiro. Os estadunidenses executaram pelo menos 81 intervenções conhecidas e encobertas em eleições estrangeiras durante o período de 1946 a 2000. Lideraram ou apoiaram guerras para determinar a governança de vários países. Os objetivos declarados dos Estados Unidos nesses conflitos incluem lutar na Guerra ao Terror como na Guerra do Afeganistão de 2001, ou remover regimes ditatoriais e hostis como na Guerra do Iraque de 2003 e na intervenção militar na Líbia em 2011. Atualmente vem atuando agressivamente contra governos na América do Sul que tenha viés progressistas e com apoio explícito a governantes de direita no continente.

Após vários dias de disputa acirrada de democratas e republicanos, quem levar esta disputa, assumirá a partir do dia 20 de janeiro de 2021 terá uma grande responsabilidade perante a sociedade americana. Torço que não seja apena troca de individuo no comando da maior potência econômica, militar e que não será mera troca de presidentes, devido a pequena margem de votos de Biden de 51% superou o Trump com creca de 48%, diferença muito pequena, como se vê. A nação americana com certeza ficará dividida conforme está ficando os números na reta final da apuração dos votos, o Trump fica mais que vivo nesta batalha política-ideológica terá um grande cacife político com praticamente a metade do país, foi legitimado e segue vivo. O atual Presidente teve mais voto do que na eleição em que se sagrou vencedor. Os velhos caciques controlam as duas siglas partidárias cada vez mais abalada democracia representativa estadunidense, que fica a cada dia mais distante dos anseios populares. A ordem ideológica, econômica, política e legal que constitui. Sociedade de uma cultura política nutrida na agressão aos oponentes transformados em inimigos a serem liquidados, este espirito não desaparecerá de cena do próximo presidente.      

Joe Biden tem razão para não gostar do nosso caricato trumpianista tupiniquim, mas não deverá criar embaraços a um governo cujas políticas servem, bovinamente, aos interesses dos EUA. Esse fato pode frustrar algumas esperanças de certos círculos da esquerda brasileira, mas igualmente devem nos alertar de que para enfrentar e derrotar o bolsonarismo precisamos contar menos com os astros, e mais com nosso engenho e arte. O povo brasileiro, diariamente, assiste aos escândalos políticos e bovinamente continua inerte, somo uma sociedade bajuladora. Ele derrotou o atual presidente, Donald Trump, em uma eleição acirrada e atípica, realizada em meio à pandemia do novo coronavírus, segundo projeção dos meios de comunicação que faz a cobertura diariamente.

A sociedade estadunidense após este pleito eleitoral irá enxergar a própria vulnerabilidade da sua escolha. Esgarçada pela polarização política, social, racial e geográfica. Um país dividido e ressentido. Perdido na própria transição do presente que tem sempre a preservar e, do futuro entre a predominância, supremacia, competição, o faccioso, angustiada diante da decadência inelutável do império. Que em outras épocas de crises produziram grandes líderes como Lincoln e Roosevelt. Entretanto, de vez enquanto produzem personagens como George Walker Bush (2001/2009), Donald John Trump (2017/2020), sem qualquer apreço pela vida, pela lei e pela verdade, com discurso de guerra declarada unilateralmente, com a desmoralização das instituições que dão sustentação como a Organização das Nações Unidas, ou simplesmente Nações Unidas, é uma organização intergovernamental criada para promover a cooperação internacional de conflitos entre nações.

Uma sociedade conflituosa que gera consumo conspícuo, mas que não atende às necessidades das grandes massas desalojadas do mercado de trabalho, empobrecidas, embora vivendo no país mais rico do mundo. O que precisa ser analisado é a divisão que este atual mandatário irá receber, mas com certeza prevalecerá as regras do jogo impondo normas aos mais fracos economicamente e militarmente com a continuidade da beligerância unilateral. Joe Biden precisava de uma vitória avassaladora, que não teve. O que será seu governo, é difícil prever. Sabe-se o que se espera dele, o que se deseja, mas conhecemos suas limitações institucionais e políticas, a começar pela pequena margem de votos que sobrepôs ao adversário e o fato de que governará com um Senado hostil, o que limitará em muito a execução de seu programa de governo.

Interesses estruturais e geopolíticos dos EUA não se alterarão, no plano internacional, o novo presidente será festejado por aliados e pela comunidade global cansada dos maus modos de seu antecessor, o que pode ser novidade é o descarte do intervencionismo descarado do seu precedente. Apesar da retórica imperialista de Biden. Quanto ao Jair Bolsonaro, as relações continuará de abrir cada vez mais as porteira entreguistas, que é a pedra de toque, permanecerá, e os EUA muito o cultivarão por que isso atende aos interesses da sua economia, como lhes interessa a conservação de uma política externa como a nossa atual, subordinada a Washington. Do ponto de vista norte-americano, portanto, não há o que mudar. Muito menos na área militar, pois a estratégia brasileira é, e não de agora, funcionar como força auxiliar dos EUA na América do Sul. Biden negociará com Bolsonaro, ainda que certamente tenha nojo do súdito subserviente.

A democracia, ao se realizar em determinada sociedade, estratifica e seciona uma forma de dominação que o sistema nos impõe. Com periodicidade, em uma conjectura latente da discussão é a ideia de que democracia e dominação são inversas e incompatíveis com os nossos ideais. Onde há democracia não pode haver dominação; logo, se estamos discutindo no contexto de um ordenamento político democrático, a categoria dominação se torna inútil. Mas qualquer sociedade institui seu próprio regime de dominação. Afinal, “relações democráticas ainda são relações de poder e como tal são continuamente recriadas”, em teoria política, incluindo a relação entre bem-estar e cidadania, democracia e despotismo, e subjetividade e sujeição. Baseando-se em teorias de poder e na criação de súditos, como disse Barbara Cruikshank.

Isto porque não falamos de uma democracia em abstrato, mas de regimes concretos, que organizam formas de distribuição de poder, de atribuição de direitos e de regulação da intervenção política nos campos da economia e do bem social. Regula comportamentos e que indicam que, como qualquer outra forma de regime, a democracia tanto permite quanto constrange as possibilidades da ação política. A ordem democrática não anula a efetividade da dominação que se estabelece em espaços considerados pré-políticos, há poderosa tendência deformas de dominação refletida no âmbito da política. E se espelham também nos pressupostos que constroem a legitimidade contemporânea e reflexiva sobre as relações de poder dentro do sistema em vigência, os quais operam com dispositivos entranhados e móveis em todos os espaços da vida social na sociedade capitalista.

*Capitulo Especial*

Sobre a ciência para descobrir e aumentar o conhecimento humano de como “não podemos permitir que a vacinação se transforme em uma guerra ideológica em que o povo será a maior vítima” afirma o ex-presidente Lula em artigo publicado originalmente na Folha de S. Paulo em 11 de novembro de 2020. – “Carta à ciência e ao povo brasileiro, por Luiz Inácio Lula da Silva”. Uma das qualidades mais admiráveis do ser humano é a sua genialidade: a capacidade de sonhar e de transformar o sonho em realidade. Graças ao conhecimento científico acumulado ao longo de décadas, e até mesmo de séculos, o ser humano foi capaz de viajar pelo espaço. E demonstrar assim, com provas irrefutáveis, aquilo que sábios já diziam desde a Antiguidade: que a Terra é redonda.

Graças ao esforço incansável daqueles que perderam noites de sono, abriram mão do convívio com as pessoas amadas e muitas vezes arriscaram as próprias vidas, o ser humano foi capaz de desenvolver vacinas que salvaram milhões de vidas pelo mundo afora.

No Brasil de poucas décadas atrás, os mais pobres só viviam até os quarenta anos.

Sarampo, varíola, rubéola, febre amarela, poliomielite, tuberculose, meningite, difteria, coqueluche, tétano e tantas outras enfermidades que no passado matavam populações inteiras, estão hoje controladas, graças à ciência e aos médicos e pesquisadores.

Atacar as vacinas, ou lançar dúvidas infundadas sobre a vacinação, é trabalhar a favor da morte.

É, portanto, com muita indignação que vejo Bolsonaro festejar a morte de um voluntário que participava dos testes da vacina Coronavac – cuja morte, aliás, não teve qualquer relação com a vacina. Em primeiro lugar, porque não se comemora a morte de ninguém. Em segundo lugar, porque a suspensão dos testes, determinada pela Anvisa, além de errada, em nada favorece a luta contra uma pandemia que ameaça o Brasil e o mundo.

A comemoração de Bolsonaro é uma demonstração clara da sua decisão política: negar ao nosso povo o único instrumento capaz, juntamente com o isolamento social, de frear uma pandemia que já matou mais de 160 mil brasileiros e infectou mais de 5 milhões. Cercado de terraplanistas, obscurantistas e negacionistas de toda ordem, Bolsonaro debocha e faz piada com o conhecimento científico acumulado pela humanidade ao longo de sua história.

Insiste em vender como droga milagrosa um medicamento, a cloroquina, que comprovadamente não tem qualquer eficácia contra o coronavírus, e cujos efeitos colaterais podem ser fatais. Ao mesmo tempo, põe em dúvida a eficácia de vacinas que consumiram meses de trabalho intenso dos maiores cientistas do planeta.

Bolsonaro faz pouco caso das boas práticas sanitárias e despreza a ciência, a tecnologia e a educação, como demonstram os cortes irresponsáveis nos investimentos públicos destes que seriam os passaportes para o nosso futuro.  Ele, ao contrário, embarca o Brasil numa máquina do tempo rumo ao passado, quando ensaia reeditar uma triste página da nossa história: a Revolta da Vacina, que, no início do século passado, deixou o Rio de Janeiro à mercê da varíola, que ameaçava ceifar milhares de vidas, sobretudo entre os mais pobres.

Bolsonaro virou motivo de anedotas ao redor do mundo. Mas seu comportamento medieval põe em perigo 200 milhões de brasileiros, ao mesmo tempo em que despreza a ciência, os cientistas, médicos, enfermeiros e demais profissionais da saúde que diariamente arriscam suas vidas tentando salvar outras vidas – e que muitas vezes acabam, eles próprios, derrubados pela pandemia.

A verdade é uma só, e não se pode fugir dela: a vacina é um direito de todos, e a vacinação é um dever do Estado.

Ao pregar o contrário, Bolsonaro coloca em risco a saúde daqueles que teria a obrigação de defender. Ignora a experiência do nosso SUS, que com vacinas e campanhas de vacinação é a mais extensa e bem sucedida em todo o mundo. Agride instituições públicas reconhecidas internacionalmente, como a Unifesp e a USP, envolvidas no teste das vacinas, o Instituto Butantan, a Fundação Oswaldo Cruz e a Anvisa, que possuem competência técnica para dizer se uma vacina é segura e eficaz, independentemente do país em que foi produzida.

Quando fui presidente da República, um dos meus principais compromissos na área da saúde foi a vacinação dos brasileiros. Promovemos todos os anos amplas campanhas de conscientização e mobilização. Trabalhadores da saúde e agentes comunitários percorriam cidade por cidade, esquadrinhavam subúrbios e visitavam casa por casa. O próprio Bolsa Família, um dos programas de transferência de renda mais eficientes do mundo, impunha uma condição rigorosa: só recebia o benefício quem tivesse todas as crianças da família vacinadas.

Além disso decidimos que o Brasil não podia ser apenas um importador. Era preciso conquistar nossa soberania também na produção de vacinas. Foi por isso que investimos tanto na Fundação Oswaldo Cruz, não só para que ela fosse uma das principais instituições produtoras e desenvolvedoras de vacinas do mundo, mas também para que fosse capaz de exportá-las, como ocorre no caso da vacina contra a febre amarela.

Com os investimentos que fizemos no Instituto Butantan ele se tornou um dos principais fornecedores de vacinas para o SUS. Pouco importava que o Butantan fosse uma instituição pública de São Paulo, cujo governo na época fazia oposição ao Governo Federal. Para nós, acima da política, sempre em primeiro lugar, estão os interesses do povo.

Graças a todo esse esforço nosso Programa Nacional de Imunização, é reconhecido em todo o mundo. Conquistamos certificados de erradicação de doenças como rubéola, sarampo e paralisia infantil. Infelizmente, desde 2019, devido às atitudes irresponsáveis e negacionistas de Bolsonaro, estamos vendo nosso programa de vacinação definhar, ser destruído. Pela primeira vez neste século, o Brasil não atingiu as metas vacinais para as crianças.

Se hoje o Instituto Butantan e a Fundação Oswaldo Cruz são capazes de produzir vacinas para covid-19, isto é graças a uma decisão política muito clara: a vacina é uma grande descoberta da ciência, é um bem público, e é obrigação dos governos torná-la disponível para toda a população.

É urgente e inadiável, portanto, uma ampla mobilização nacional de cientistas, médicos e demais profissionais de saúde. De governadores, prefeitos, agentes da vigilância sanitária, pesquisadores e técnicos da Fundação Oswaldo Cruz e do Instituto Butantan. Do Congresso Nacional, da imprensa e da sociedade como um todo.

Não podemos permitir que a vacinação se transforme em uma guerra, como deseja Bolsonaro. Uma guerra contra o povo brasileiro, que será sem dúvida a sua principal vítima.

Este desafio gigantesco não pode ficar restrito ao esforço isolado de alguns governadores. É preciso um pacto federativo de todas as instâncias, especialmente do Governo Federal. O SUS, o Instituto Butantã e a Fiocruz necessitam de apoio, de recursos orçamentários elevados e da total mobilização dos seus profissionais, para assegurar a vacina para todos os cidadãos.

Se o Governo Bolsonaro continuar boicotando as iniciativas de médicos e pesquisadores, criando problemas para as instituições e os governos dos estados, não haverá vacina para o povo brasileiro em 2021. Derrotar o vírus, retomar com segurança as atividades econômicas e a vida social são objetivos alcançáveis, mas isso depende de uma vacina eficaz e segura. Este é hoje o maior desafio do Brasil. E mais uma vez, o governo Bolsonaro demonstra não estar à altura deste momento vital para o futuro da nação.

Tenho certeza de que você, assim como eu, está indignado com a imagem de um presidente da República fazendo chacota da vacina e gargalhando diante da trágica morte de um voluntário.

Sei que você também está indignado ao ver instituições públicas sérias como o SUS, a ANVISA, a Fiocruz e o Instituto Butantan, serem arrastadas para a lama de um campo de batalha onde a vítima é o povo brasileiro.

Imagino sua repulsa ao desrespeito de Bolsonaro pelo trabalho sério dos nossos médicos e pesquisadores.

Estou certo de que você, assim como eu, não se conforma em ver o Brasil, que já foi reconhecido pelos seus feitos extraordinários na área da saúde pública, tornar-se um mau exemplo para o mundo.  Um exemplo do que não deve ser feito por nenhum país que deseja defender seu povo e vencer a pandemia.

Não podemos continuar paralisados diante de tamanha irresponsabilidade. O direito à vacina é o direito à vida. É obrigação do Governo Federal garantir a vacinação de todos aqueles que precisam ser imunizados. É hora de assumirmos juntos esse desafio. Vacina para todos. Pela vida, pela recuperação de empregos e renda, pela dignidade do Brasil e do seu povo.

A Terra é redonda, gira em torno do sol, e não há no mundo força retrógada capaz de deter a genialidade humana. Cabe a cada brasileiro comprometido com o respeito à ciência e à saúde do nosso povo dizer “Basta!” ao obscurantismo.

Luiz Inácio Lula da Silva.

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s