O que pensa José Dirceu do governo Bolsonaro (BR) e Joe Biden (US)

Ex-ministro da Casa Civil, no governo Lula/PT, vem afirmando em cada uma de suas entrevistas aos meios de comunicações, tanto nacionais como internacionais, de que o Brasil nunca tive um governo em tempo democrático como este atual governo de extrema-direita, obscurantista e fundamentalista, nem mesmo na época da ditadura civil-militar, se porta acima da lei. Em uma entrevista ao (UOL), ele voltou afirmar que “Vivemos à beira de um precipício. Nossa democracia, Estado Nacional e de Bem-Estar estão em risco de um colapso ou ruptura. Não há mais dúvidas. Bolsonaro e seu bando não podem e não devem continuar governando o Brasil. Não podemos esperar por 2022 para derrotar este desgoverno. Nossa tarefa principal, em 2021, é remover Bolsonaro do cargo de presidente, de forma legal e constitucional”. Pede que a sociedade se una em torno dos ideais democratas, progressistas, nacionalistas na luta contra Bolsonaro e a construção de uma “Frente Popular de esquerda para organizar a resistência popular, lutar pela vacinação pública e gratuita para todos, pelo auxílio emergencial, por um plano de investimentos para criar empregos e renda e para disputar as eleições presidenciais em 2022.

Dirceu não teme a crítica e não furta à autocritica. Por diversas ocasiões e em momentos cruciais de perseguições políticas, judicial sempre se manifesta livremente seu lado revolucionário. Sempre foi leal ao Partido dos Trabalhadores e seus companheiros desde a época estudantil quando atuava   como líder estudantil entre 1965 e 1968, ano em que foi preso em Ibiúna, no interior de São Paulo, durante uma tentativa de realização do XXX Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE). Elegeu-se deputado estadual de São Paulo em 1986 e deputado federal em 1990, sendo novamente eleito para a câmara federal em 1998 e 2002. Em janeiro de 2003, após tomar posse na Câmara dos Deputados, licenciou-se para assumir o cargo de Ministro-Chefe da Casa Civil da Presidência da República, onde permaneceu até junho de 2005, quando deixou o Governo Federal, acusado, por Roberto Jefferson, de ser o mentor do escândalo do mensalão. Viveu momentos cruciais em sua longa vida política.

Esse sentimento antipetismo aflorou ainda no primeiro turno das eleições de 2014, a partir da tática tucana, quando seu candidato por não ter mais nada a perder, abandonou a política e se aclamou como única alternativa aos que queriam “tirar o PT do poder”. Isso permitiu aos descontentes se juntar aos odiosos. Esse núcleo duro do antipetismo, o núcleo que tem valores antidemocráticos, que se posicionaram contra políticas sociais, enfim, que tem postura ideológica radicalmente oposta ao PT, ou seja, são antipetistas rituais. Nesse rico legado deste grande ser podemos destacar sua bravura em não ceder, destacando que não se pode ter ilusão de aplacar a agressão do tigre apenas arrancando-lhe os dentes. O poder da direita de exercer o domínio imperial e de cooptar é muito maior do que se supõe.

O Brasil devido sua atual situação política e social, além de um governo negacionista e subserviente a classe burguesa rentistas, se faz muito presente na nossa sociedade que em sua maioria se pode considerar de centro direita conservadora em seus princípios éticos e morais. As ações e marginalizações e de colaboradores para manter governos neoliberal. entretanto, devido todas estas dificuldades de cunho ideológica da sociedade brasileira, Dirceu se faz presente o estrategista reverenciado pela militância petista e de esquerda, mostra ao longo dos tempos sua capacidade de reinventar-se. Foi e é um ativista da esquerda brasileira desde sua época de estudante nos anos 60. Viveu grandes dificuldades com perseguições no âmbito político e judicial no período de 2006 e 2013, em maio de 2015 foi condenado na lava-jato e confirmado sua condenação no TR4, foi muito perseguido pela grande mídia corporativa comercial e pela justiça de primeira e segunda instância, talvez, por ser um grande articulador e ativista político e defensor das causas sociais.  

Para José Dirceu, a eleição de Jair Bolsonaro foi consequência que tinha como objetivo fundamental de interromper a série de governos petistas do país, uma ofensiva iniciada em 2012/2013. Com o impeachment da Dilma Rousseff em 31 de agosto de 2016 sendo impedida de assumir o restante do seu mandato de Presidente da República após três meses de tramitação do processo iniciado no Senado, retirando-a do posto que a sociedade lhe tinha outorgado pelo sufrágio do voto. O vice-presidente Michel Temer assumiu a presidência mais foi engavetado de imediato, tendo que assumir uma agenda contrária ao que foi eleita. O ex-presidente Lula passou a ter confinamento militar. Tudo indica que foi um acordo das forças conservadoras tradicionais que se impôs a sociedade um desgoverno negacionista do presidente Jair Bolsonaro com o apoio da armada brasileira e das elites dominantes. Sobretudo quando o objetivo era a mudança de governos do PT que era considerado indesejável ao sistema financeiro nacional e internacional. O ex-ministro afirma estar “sempre preparado para o pior”, seus admiradores o chamam de “comandante”.

Para José Dirceu o governo americano o que pensava e pensa em relação ao governo do Bolsonaro que seja apena mais um simples vassalo ao seu serviço. Ou há um governo que tenha autonomia na sua política interna e externa. O que se pode observar é o tom de quando o presidente Biden assumiu a presidência dos Estados Unidos e atualmente de uma política de mediação com o governo do Bolsonaro e, não com um governo aliado a esquerda com projetos de desenvolvimentos nacional brasileiro autônomo e soberano, de integração sul-americana, onde o Brasil seja o protagonista e restaurem sua política de independência ao EUA e, que seja contrário aos interesses americanos.

Dirceu continua falando do desastre deste desgoverno, conclama os partidos e movimentos sociais há um chamamento para a solidariedade social, da vacina para todos, pelo auxilio emergencial, por emprego para os mais vulneráveis social. Convoca para os seguimentos acadêmicos, empresariais, sindicatos, partidos políticos e movimentos social, levarem afeto e alimentação, porque a fome está batendo à porta de milhões de famílias brasileira. Pede que a sociedade se engaje para retirar este desgoverno, lutar para que o Brasil tenha um governo que governe para todos e, que atenda às expectativas da nação. O Brasil está sendo conduzido para uma tragédia humanitária que pode ainda ser evitada. O Brasil é um país que presa pelo social e, é uma potência científica e tecnológica. A situação brasileira é trágica. Temos um presidente obscurantista, fundamentalista religioso, que a cada dia mais envolvido em escândalos.

Dirceu ainda nos faz lembrar do assassinato de Marielle e do Anderson, do Queiroz, do Ronnie Lessa, lembra dos centos e dezessetes fuzis! Tomados sem um tiro, aquilo foi uma operação de inteligência, uma investigação. Entretanto, o que assistimos no Jacarezinho foi um massacre. Nos proíbe de gastar devido o engessamento da Constituição quando da sua aprovação da PEC emergencial e, agora a autonomia do Banco Central, constitucionalizando uma aberração que é tirar do parlamento e do presidente a soberania sobre a política econômica, impondo ao Brasil aquilo que está superado no mundo.

Comentou que a pobreza e a desigualdade socioeconômica são os maiores entraves ao nosso crescimento, tal como, da concentração de renda nas mãos de poucos, onde o sistema bancário expropriam grande parte da renda da classe trabalhadora, porque quem compra à crédito paga o dobro. É uma tragédia, é jogar fora o que já foi construído nesse país, com essa figura política, cômica, que é esse presidente Bolsonaro e seu ministro da economia Paulo Guedes.

Finalmente ele falou sobre a CPI da Pandemia, de que, ela irá reunir provas daquilo que é público e notório. Este será o principal papel desta comissão; dar consciência, à população, formar uma opinião pública. Dormimos com o inimigo, o impeachment não sai porque a elite, empresarial, política não quer. No fundo eles estão dormindo com o inimigo dos próprios interesses deles. Há uma verdadeira tolerância, uma convivência, um conluio, porque ele é um meio mais seguro para que a esquerda não assume o poder político e econômico da nação e não tem alternativa, destruíram a vida político-partidária, desmoralizaram os políticos, a elite brasileira é essa. Não tenho nada contra as Forças Armadas. Pelo contrário, gostaria que tivéssemos Forças Armadas altamente adestradas e desenvolvidas tecnologicamente e profissionais.

Lula está no caminho certo. Para governar o Brasil, tem que ter diálogo com todas correntes e forças políticas, tem de ter compromisso com o bem estar e segurança da nação, sem distinção de classe. Lula tem um papel importante na reconciliação e pacificação, sem que isso signifique abandonar as reformas que precisa fazer e a radicalização da democracia, que é preciso sair do papel. Lula fará uma política a mais ampla possível para superar o bolsonarismo. O mundo não é um mundo em revolução; é um mundo em transformação, mais que está enfrentando uma grande encruzilhada. Ele fala sobre democracia e soberania: em primeiro lugar, reimplantar a democracia no Brasil – segunda tarefa retomar a autonomia da política econômica e da externa – terceiro fazer uma revolução social no país. Se vamos conseguir ou não, é outra questão!                   

José Dirceu é homem de grande caráter, corajoso e leal aos seus princípios e, aos seus companheiros. Sua trajetória honra a todos a se engajar com ele na luta contra as forças antidemocráticas do nosso país. Os seus ideais irão permanecer vivos e dão-nos a força para continuar essa batalha por uma nação soberana, independente de ideologias. Forjado na luta e no combate, ele não se dobra a nada. A história política de José Dirceu, é pontuada por êxitos e reveses políticos. Dê acordo com o que vem dizendo que não participará da direção do Partido dos Trabalhadores, mas será para sempre um filiado e seguidor desta sigla partidária de viés de esquerda. Se manterá inabalável com suas convicções a priori é transmitir para os jovens o valor de lutarem pelas causas coletivas e pela nação brasileira. Sempre foi um protagonista em qualquer papel que assuma pelas causas coletivas e sociais das massas.      

*** Eleonora de Lucena e Rodolfo Lucena, no Tutaméia entrevistaram José Dirceu: {Governo Biden muda e passa a conciliar com Bolsonaro.} “Os americanos já estão mudando de postura em relação a Bolsonaro por causa dos riscos de um governo soberano, democrático e autônomo no Brasil. O tom do Departamento de Estado em relação a Bolsonaro já é de conciliação”, diz o ex-ministro José Dirceu.

 “Os americanos já estão mudando de postura em relação a Bolsonaro por causa dos riscos de um governo soberano, democrático e autônomo no Brasil. O tom do Departamento de Estado em relação a Bolsonaro já é de conciliação. Uma coisa é a política ambiental, com a União Europeia e com os americanos. Outra coisa é o tratamento que eles estão dando para o Bolsonaro. Pode observar que ou há o silêncio ou há uma política de mediação. Porque eles não querem uma alternativa realmente, que sejamos nós, porque eles conhecem. No fundo, o projeto de desenvolvimento nacional brasileiro autônomo e soberano, de integração sul-americana, de presença do Brasil no mundo e de uma forte reestruturação do capitalismo brasileiro, de reformas sociais profundas no Brasil, que nós defendemos, é incompatível com os interesses dos Estados Unidos.”

É a avaliação de José Dirceu, ministro da Casa Civil no governo Lula, em entrevista ao TUTAMÉIA em que ele analisa a crise sanitária, a crise econômica e o papel das Forças Armadas, além de apontar tarefas imediatas para o enfrentamento da crise e saídas para o Brasil.

Ainda sobre o ativismo dos EUA, o ex-líder estudantil e militante da resistência contra a ditadura militar no país afirma: “Os Estados Unidos são um império e uma plutocracia. Toda a dinâmica norte-americana é o interesse dos Estados Unidos no mundo. Aliás, o Biden está deixando isso claríssimo. Uma coisa é eles tolerarem um governo como o do Bolsonaro. Outra coisa é eles contribuírem para esse governo sofrer um processo de impeachment. Ao contrário do que fizeram conosco, quando eles foram um destacamento avançado nessa articulação, como foram abertamente em 1964, como é agora na Bolívia”.

Falando sobre o desastre que atinge o país, Dirceu conclama os partidos e movimentos sociais para uma grande corrente em defesa da vida:

“Quero fazer um apelo, um chamamento a todos e todas para a solidariedade social: a luta pela vacina e pelo auxílio emergencial até o fim da vacinação, por um programa de emprego para os jovens, para as favelas, para as populações mais necessitadas do Brasil. Nossa primeira tarefa agora é essa, a solidariedade social. Todos os centros acadêmicos, sindicatos, os militantes de partidos, todos os militantes voluntários, os militantes sociais, vamos sustentar nesse momento o nosso povo. Levar afeto, carinho. E também levar alimentos, porque a fome está batendo à porta de milhões de famílias brasileiras. E vamos lutar. Lutar pelo FORA BOLSONARO!, lutar para que o Brasil tenha um governo à altura do Brasil. Um governo democrático, um governo que atenda aos anseios e às expectativas de nosso povo.”

TRAGÉDIA HUMANITÁRIA

O país infelizmente foi conduzido para essa tragédia. Essa é a primeira característica, infelizmente do momento histórico que nós vivemos. Uma tragédia humanitária que poderia ter sido evitada –o Brasil é um país que tem uma tradição consolidada com vacinação geral da população e é uma potência científica e tecnológica. E temos o SUS, uma grande conquista, uma das que querem destruir ao falar em enterrar a era Vargas, a era Lula. Está na Constituição de 1988 como uma grande conquista histórica das classes populares, das classes trabalhadoras.

A situação do Brasil é trágica. Temos um presidente obscurantista, fundamentalista religioso, cada dia mais envolvido –agora tem esse Bolsolão — em Nacional, a Câmara dos Deputados, todos têm processos, investigações, denúncias. É rachadinha, é laranjal, é o assassinato de Marielle e do Anderson, é o Queiroz, é o Ronnie Lessa –vocês se lembram dos fuzis do Ronnie Lessa? Cento e dezessete fuzis! Tomados sem um tiro, aquilo foi uma operação de inteligência, uma investigação.

O que nós assistimos no Jacarezinho é a expressão do que o Bolsonaro pretende. O país está sempre na borda, na fronteira de uma provocação, de uma tentativa de golpe do Bolsonaro, que fica mobilizando suas milícias, seus ativistas, liberando armamento no país –ilegalmente, espero que o Supremo coíba e que o Congresso derrube esses decretos dele. E ao mesmo tempo, procurando cooptar as Forças Armadas, o Exército, basicamente, de baixo para cima, para sua aventura autoritária e golpista, protofascista.

AUTONOMIA DO BANCO CENTRAL

Nós vivemos uma situação que parece inacreditável. A União Europeia está falando em dez trilhões para reativar a economia nos próximos anos. Nós aqui estamos falando em teto de gastos, em regra de ouro! Engessamos a Constituição. Ao aprovar a PEC emergencial, já com o teto de gastos e, depois, a autonomia do Banco Central, nós constitucionalizamos uma aberração, que é tirar do parlamento e do presidente da República a soberania sobre a política econômica. Se você entregou para o presidente do Banco Central e para sua diretoria, que é uma porta giratória do sistema bancário-financeiro, a política cambial –que era do Conselho Monetário–, a de crédito também foi entregue. Você entregou, portanto, a política econômica do país.

Querem desmontar o Estado nacional, bancos públicos e estatais, e impor no Brasil aquilo que está superado no mundo, desmontar os direitos sociais que nós conquistamos –que é o objetivo claro e explícito do Paulo Guedes.

Agora querem abrir nosso mercado de serviços e compras governamentais. O Biden acabou de fechar! A Inglaterra, a Alemanha, a França estão fechando! E o governo quer abrir! Esse Guedes! Como é que pode? Como é que pode a classe média e a lite brasileira acreditar nisso? O que nós vamos ser? Colônia dos Estados Unidos? Vamos ser uma grande fazenda?

POTENCIAL JOGADO FORA

A pobreza e a desigualdade são a principal causa do não crescimento do Brasil, da concentração de renda, riqueza e patrimônio e do déficit público e da dívida pública. Isso é causa. Os bancos expropriam grande parte da renda da classe trabalhadora, porque quem compra uma geladeira [a crédito] paga duas, quem compra um fogão e paga dois. Ou seja, deixa-se de produzir dois e se apropria da renda. Se a estrutura tributária se apropria também, o Brasil cai no subconsumo estrutural. Como os bancos públicos não incentivam mais o crescimento, com as estatais estão sendo privatizadas, nós vamos ficar à espera do capital financeiro internacional, vamos ficar à mercê deles. Quem não controla os capitais, não controla a política cambial e monetária. É o nosso caso.

O Brasil é a quinta do mundo em território, sexta do mundo em população, uma das dez maiores economias do mundo, com um histórico de cem anos de construção de uma indústria de base, de uma estrutura científica e tecnológica, de uma soberania alimentar, energética, que tem energia nuclear, que pode ter gás, que tem tudo para fazer uma revolução científica e tecnológica, uma revolução social. Imagine então o potencial que nós temos. E o que nós estamos assistindo? É uma tragédia histórica, é jogar fora o que nossos pais e nossos avós construíram durante cem anos neste país, com essa figura patética, não fosse trágica, cômica, que é esse presidente Bolsonaro.

CPI DA PANDEMIA

A CPI é necessária, está atuando bem. Vai consolidar, organizar, reunir, as provas daquilo que é público e notório: que houve uma política deliberada, primeiro, de desacreditar a vacina; depois, de impedir a compra, sabotar. Com relação ao isolamento, idem: desacreditar o isolamento e o uso da máscara. E não se tomou nenhuma providência em relação á reconversão da indústria. Nós podíamos ter a vacina! Cuba tem a vacina! Por não o Brasil não tem laboratórios de nível 4, como é o caso de Cuba? Porque só se cortam recursos da saúde, da pesquisa. Aliás, o Bolsonaro fez isso no orçamento. Esse é o papel da CPI, além de dar consciência à população, formar uma opinião pública consolidada sobre isso.

DORMINDO COM O INIMIGO

O impeachment não sai porque a elite do país, empresarial, política, não quer. Se ela quisesse, sairia. Ela tem maioria no Congresso, nós não temos. Temos cento e trinta, cento e quarenta deputados, dezoito, vinte e dois senadores. Não é só o centrão. O PMDB, o DEM e o PSDB, são eles que decidem isso. É a Faria Lima!. No fundo, eles estão dormindo com o inimigo. Porque o Bolsonaro é o inimigo dos próprios interesses deles. Nós sabemos como acaba isso –a Itália fascista, a Alemanha nazista. Vamos lembrar que, quando acabou a Segunda Guerra Mundial, a Europa toda estava destruída. Isso é o resultado. O que Bolsonaro está fazendo é levar todo o rebanho a ser contaminado, morrem um milhão, um milhão e meio, dois milhões para se resolver o problema. É a destruição da economia do país. Nós estamos vivendo essa situação na economia por responsabilidade dele. Quanto mais fossem efetivos o isolamento, a vacinação, mais rápido a economia andaria.

Quem não tem vontade política de tirar Bolsonaro são as elites. Há na verdade uma tolerância, uma convivência, um conluio com Bolsonaro porque ele foi um seguro contra as esquerdas e continua sendo, de certa maneira. Como eles não têm alternativa ao Bolsonaro, porque eles destruíram a vida político-partidária do país, desmoralizaram os políticos, agora eles estão com um dilema. A elite brasileira, a face dela é essa. Estamos vendo a irresponsabilidade histórica que ela está cometendo

FORÇAS ARMADAS

O Brasil precisa de Forças Armadas, muito superiores às que nós temos, porque tem seiscentos, setecentos barcos pescando ilegalmente no nosso Atlântico Sul. Temos todo o Atlântico para defender, o pré-sal, toda a infraestrutura do país, a foz do Amazonas, precisamos desenvolver a energia nuclear, precisamos desenvolver o veículo de lançamento para ter uma defesa de mísseis no país. Mais isso significa um país soberano e autônomo. Não. Eles querem submeter nossas Forças Armadas ao Comando Sul norte-americano e à Otan. Nós vamos ficar sob o guarda-chuva dos Estados Unidos! O Brasil! Os Estados Unidos vão defender o Brasil? Vão nada!

Não há nada contra os militares nem de eles terem um status constitucional, um status previdenciário em condições salariais, profissionais diferenciadas. Porque eles estão para ir para a guerra. É evidente que ninguém está contra as Forças Armadas. Pelo contrário. Eu gostaria que tivéssemos Forças Armadas altamente desenvolvidos tecnologicamente, um Exército profissional, agora um Exército que não pode falar em política. Pode discutir, debater os assuntos nacionais, pode opinar nos fóruns que o Estado tem, que o governo tem, mas não pode participar de política, não pode dizer absolutamente nada sobre as decisões do parlamento, do Judiciário, do presidente da República. Não pode. Nem eles nem as Polícias Militares. Por que se não, não é democracia, é governo militar. Então eles que assumam as consequências disso. Assumiram de 1964 até 1985, e as consequência o país conhece: grande parte do atraso político institucional brasileiro, do atraso das lideranças políticas foram os 21 anos de ditadura.

LULA

Lula está no caminho completamente correto. Para governar o Brasil, nós temos de dialogar com todas as forças políticas. A situação em que o país está exige isso. Aliás, nós sempre dialogamos.

Ao mesmo tempo em que ele tem dito que vai fazer reformas, que tem um compromisso de superar o bolsonarismo, ele também sinaliza que quer o diálogo, que busca compor uma aliança mais ampla que a esquerda. Qual será a amplitude dessa aliança depende muito também das outras forças políticas, que também não estão definidas ainda.

Lula tem um papel importante no país. Acredito que ele pode conduzir o Brasil para se reconciliar consigo mesmo, para pacificar o país, sem que isso signifique abandonar as reformas que nós queremos fazer e a radicalização da democracia que nós queremos.

Acredito que Lula fará uma política a mais ampla possível para superar o bolsonarismo. Fará o impossível para ela ser consequente com o compromisso que ele tem de fazer profundas reforças sociais no Brasil.

Nós não vivemos um período revolucionário. O mundo não é um mundo em revolução; é um mundo em transformação, em mudança, que está também enfrentando uma grande encruzilhada. É um momento em que precisamos ter consciência de nossos limites, não para que nós não ousemos ultrapassá-los, mas para que tenhamos consciência e da real situação em que vamos assumir o governo.

DEMOCRACIA E SOBERANIA

Primeira tarefa democrática: afastar Bolsonaro e reimplantar a democracia no Brasil. Temos de ser o mais amplo possível contra Bolsonaro, o mais consequente possível em termos de formar um governo.

Segunda tarefa: Soberania, retomar a autonomia da política econômica e da política externa, do nosso lugar no mundo.

Terceiro: fazer uma revolução social no país.

Se vamos conseguir ou não, é outra questão. Essas têm de ser as lutas de nossas forças. ***

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