Lula: “O povo brasileiro é quem vai se libertar de Bolsonaro”

Em entrevista ao britânico ‘The Guardian’, ex-presidente diz que líder de direita é um psicopata e será responsabilizado por resposta genocida à crise. Jornal aponta Lula como ‘estadista internacional’. O ex-presidente Lula não deixou dúvidas de que ‘o Brasil que está sobre a liderança do atual presidente Jair Bolsonaro está sendo riscado do mapa internacional. O Brasil pode ser resgatado depois de ser transformado em um pária global atingido pela Covid por seu “psicopata” presidente Jair Bolsonaro, insistiu o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em uma melhor posição para derrotá-lo na eleição presidencial do próximo ano 2022. Há por traz uma grande teia de dificuldades, principalmente no agrupamento dos seguimentos políticos, empresárias e trabalhadores na construção de um projeto político para a nação, um dos maiores líder da esquerda brasileira e mundial Luiz Inácio Lula da Silva, que é amplamente cotado para desafiar Bolsonaro à presidência depois de recuperar seus direitos políticos.

Falou antes de confirmar explicitamente que concorreria, que saiu da pobreza rural para se tornar o primeiro presidente da classe trabalhadora do Brasil, não deixou dúvidas de que estava tramando um final extraordinário para uma das carreiras políticas mais duradouras e dramáticas do mundo. “Corri oito quilômetros antes dessa entrevista… e costumo correr 9km por dia, de segunda a sexta-feira, porque andar pelo Brasil vai ser muito difícil, muito cansativo e preciso preparar minhas pernas para consertar os problemas deste país”, disse Lula, ex-engraxate e líder sindical que foi presidente de 2003 a 2011. “Eu farei 77 anos até [as eleições do próximo ano]. Eu pensei que era velho. Mas então eu vi o Biden Joe vencer as eleições aos 78 anos e disse: ‘Bem, eu sou um menino comparado a Biden, então talvez eu fique bem.’”

Na entrevista o ex-presidente voltou a dizer que o líder da direita brasileira e atual presidente Jair Bolsonaro é um psicopata e será responsabilizado por resposta genocida à crise, onde o Jornal britânico ‘The Guardian’ o qualifica o ex-presidente como um dos maiores ‘estadistas internacional’. A justiça não tardará. Jair Bolsonaro vai pagar caro por todo o mal que vem causando ao país, principalmente por mais de 450 mil mortes por Covid-19, prevê o ex-presidente Lula. Segundo Lula, se o líder de extrema direita não for punido por um impeachment, em decorrência das investigações da CPI da Covid, “será o povo brasileiro quem se libertará de Bolsonaro”.  A declaração foi dada ao prestigiado jornal britânico The Guardian, em entrevista publicada nesta sexta-feira (21/05). No texto da conversa com o presidente, o correspondente Tom Phillips aponta que Lula é “um enérgico estadista internacional que promoveu o Brasil como campeão progressista do mundo em desenvolvimento e líder em questões ambientais e climáticas”. Na entrevista, Lula afirma que o Brasil pode ser resgatado do destino de ser um pária internacional após o “psicopata” Bolsonaro deixar o país ser devastado pelo vírus da Covid-19. “Ele poderia ter evitado metade dessas [462.791 mil] mortes”, lamentou o ex-presidente. “Guarde minhas palavras … não será Lula quem derrotará Bolsonaro. Não será nenhum candidato que derrotará Bolsonaro. Será o povo brasileiro quem se libertará do Bolsonaro”, declarou Lula.

Liderança confiável e otimista

O correspondente do Guardian observa que Lula se posiciona como uma liderança “confiável, moderada e otimista”, em oposição ao “extremismo idiota” de Bolsonaro, especialmente depois da anulação de suas condenações nos processos da Lava Jato. O jornal assinala que o STF “decidiu que Sergio Moro, o juiz de direita que prendeu Lula antes de ingressar no gabinete de Bolsonaro, tratou o ex-presidente de maneira injusta”.

O jornal ouviu análise do cientista político Christian Lynch, baseado no Rio de Janeiro. De acordo com Guardian, o cientista considera que “membros poderosos da elite política e econômica preferem trabalhar com um negociador pragmático como Lula, em vez do “sectário intransigente” agora no poder”. Lynch também avaliou ao jornal que o retorno de Lula ao jogo político é um acontecimento “épico”.

Brasil de Bolsonaro: pária global

Na entrevista, Lula também argumentou que o país não pode mais ficar isolado do resto do mundo, não apenas pela maior crise sanitária da história brasileira, aprofundada pelo governo, mas pelos desastres diplomáticos causados pela política externa de Bolsonaro.

“Hoje, o Brasil é um pária global. Não há país com credibilidade que goste do Brasil”, sustenta Lula. “Não há país que queira receber o presidente brasileiro e nenhum presidente que queira vir aqui”, disse. O jornal observa que, recentemente, o líder petista se encontrou com enviados britânicos, alemães e sul-africanos no esforço de reconstruir pontes com o mundo

“Depois de assumir o cargo em janeiro de 2019, Bolsonaro abraçou Donald Trump e se afastou de um elenco de estrelas de líderes mundiais, incluindo o presidente francês, Emmanuel Macron, a chanceler alemã, Angela Merkel, o líder chinês, Xi Jinping, e Joe Biden, cuja vitória Bolsonaro demorou 38 dias para reconhecer”, relata o Guardian, confirmando a análise do ex-presidente.

Reconstrução do Brasil

O correspondente também destaca o trabalho de Lula para reconstruir o Brasil, destroçado por Bolsonaro social e economicamente.

“Assim que o nosso partido tiver seu candidato e estivermos em campanha, vamos pelo Brasil, visitar todos os estados, fazer debates, conversar com o povo, visitar as favelas, os recicladores, as pessoas LGBT … Quero falar com a sociedade brasileira para poder dizer: ‘É possível construirmos um novo país … É possível fazer esse país feliz novamente”, assegurou Lula.

Ele se diz otimista com o futuro do Brasil, como confirma no final da conversa com Phillips: “O Brasil é um país que pode se dar bem com todos”, aposta ele. “Eu até disse ao embaixador britânico que Boris Johnson pode se preparar, porque se eu for para o Reino Unido ele terá que fazer uma corrida de bicicleta comigo por Londres – e vou mostrar a ele como sou um ciclista competente”, brincou Lula.

Lula: “O povo brasileiro vai recuperar o país e a democracia”

Em entrevista à rádio Tiradentes do Amazonas nesta sexta-feira 28/05, Lula reafirmou sua crença de que o país vai superar a tragédia provocada por Bolsonaro e lembrou: “Não tem saída para o Brasil fora da política”.

“O povo brasileiro vai recuperar o Brasil.” Foi com essa previsão que Lula começou a entrevista que concedeu nesta sexta-feira (28) à rádio Tiradentes do Amazonas. A fala ocorreu após o ex-presidente ser indagado sobre um tuíte que postou na quinta-feira, no qual destacou uma frase que ouvia da mãe, dona Eurídice, nos momentos de dificuldade: “Hoje não tem, mas amanhã vai ter”.

“Amanhã, o povo brasileiro vai recuperar o Brasil para o povo brasileiro. Amanhã, o povo brasileiro vai recuperar a democracia para este país. Vai recuperar o orgulho de ser brasileiro. Vai recuperar a nossa soberania. Amanhã, o povo brasileiro vai recuperar a primazia que nós tivemos durante todos os meus governos do orgulho de ser brasileiro, da respeitabilidade que nós tínhamos no mundo inteiro”, explicou Lula ao jornalista Ronaldo Tiradentes.

Twitter Lula  @LulaOficial– Quero ver o povo brasileiro tendo orgulho de chegar num aeroporto e mostrar seu passaporte. Sendo parabenizado por ser brasileiro. A gente já viveu isso. É possível consertar esse país. Tudo que conseguimos fazer foi porque o povo acreditou e teve esperança.

Como tem feito nas entrevistas mais recentes, Lula não quis centrar a conversa nas eleições de 2022, embora reconheça que, se o PT e os partidos aliados assim desejarem, possa concorrer. Ele, porém, acredita que o Brasil precisa urgentemente sair da crise criada por Jair Bolsonaro. “O que temos de fazer agora, pelo amor de Deus, é garantir que todas as pessoas tomem vacina. É a única garantia que nós temos de que as coisas voltarão à normalidade. E é preciso garantir o auxílio emergencial de R$ 600 e crédito para a pequena e média empresa”, defendeu.

“É preciso garantir que as coisas funcionem e o governo tem instrumento para fazer isso. O povo precisa sobreviver. São quase 15 milhões de pessoas que estão desempregadas neste país, além de outros milhões que deixaram de procurar emprego. Está aumentando o número de pessoas que estão morando na rua. E a fome, com a qual tínhamos acabado em 2012″, acrescentou.

CPI da Covid

Na avaliação de Lula, a CPI da Covid tem feito um ótimo trabalho para mostrar como Bolsonaro e seus ministros são responsáveis por muitas das mortes durante a pandemia. “Eu acho que Bolsonaro e a turma que trabalhou na saúde com ele têm que ser responsabilizados por uma boa parte das mortes que aconteceram neste país. É por isso que eu o chamo de genocida. A falta de oxigênio em Manaus é uma parte da responsabilidade do governo federal, que não cuidou, não deu atenção necessária”, ressaltou, após notar que os integrantes e ex-membros do governo têm ido à CPI para mentir.

“A falta de oxigênio em Manaus é responsabilidade do governo federal, que não cuidou, não deu atenção necessária” (Lula) – “Não é possível um general do Exército (Eduardo Pazuello), que deveria ter tido a grandeza de recusar ser ministro da Saúde, porque ele não entende nada de saúde, absolutamente nada… Ele aceitou o cargo, cumpriu apenas as ordens do Bolsonaro e foi lá para mentir na CPI “, disse.

Twitter Lula @LulaOficial – O depoimento do Dimas Covas ontem na CPI desmascarou tudo que foi dito até agora pela turma do Bolsonaro. O que que aquele cara da Secom tinha que negociar vacina?! O Bolsonaro e a turma que trabalhou com ele são responsáveis por boa parte das mortes que ocorreram nesse país.

Lula criticou o fato de Bolsonaro, cada vez mais acuado pelas investigações no Senado, ter ameaçado o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), com o fim da Zona Franca de Manaus. Durante live, na quinta-feira, o atual presidente disse: “Imagine Manaus sem a Zona Franca. Hein, senador Aziz?” Lula rechaçou: “A Zona Franca vai continuar porque a Zona Franca é o coração do desenvolvimento do estado do Amazonas. Não adianta o presidente ficar fazendo ameaça velada ao presidente da CPI, ao governador do estado. Ele tem que saber que a Zona Franca não foi criada para contemplar políticos. A Zona Franca foi criada para contemplar o estado do Amazonas e o povo do Amazonas, que deve ter direito de acesso ao trabalho e a dignidade que todo brasileiro deve ter”.

Bolsonaro, produto da mentira

Lula ressaltou que “não tem saída para o Brasil fora da política”. “Quem achar que fora da política vai consertar o Brasil vai quebrar a cara, como quebrou com Jânio Quadros, com Collor e está quebrando com o Bolsonaro. A saída é pela política e, por isso, é importante que a gente se junte para recuperar a democracia”, pregou.

Por isso, completou Lula, Bolsonaro é uma pessoa tão danoso par ao país. “Ele não é um cidadão normal. Ele é resultado de uma mentira, com a qual boa parte da imprensa contribuiu para negar a política. E toda vez que você nega a política, o que vem é pior.”

Twitter Lula @LulaOficial – O Bolsonaro nunca trabalhou na vida, foi pro Exército, saiu de lá expulso, ficou 30 anos como deputado e agora tá na presidência da República se dando aumento de salário… Acha que eu tenho medo dele?! Eu nasci na rua, minha vida política é na rua.

Para o ex-presidente Lula o presidente Jair Bolsonaro poderia ter amenizado o surto de Covid no Brasil e a crise socioeconômica que ele gerou com esta política negacionista. Afirmou ter experiência e vontade de liderar A “recuperação” do Brasil após os danos infligidos pela incompetência de Bolsonaro, e o faria, se seu partido e eleitores quisessem. Para o ex-presidente ainda é muito cedo para lançar sua campanha presidencial. “Eu não preciso fazer promessas. Já fiz as coisas acontecerem neste país”, disse Lula, 75 anos. “Assim que nosso partido tiver seu candidato e estivermos em campanha, quero viajar pelo Brasil, visitar todos os estados, fazer debates, conversar com o povo, visitar as favelas, os recicladores, as pessoas LGBT … Quero falar com a sociedade brasileira para poder dizer: ‘É possível construirmos um novo país … É possível fazer esse país feliz novamente.” As sementes para a volta de Lula foram plantadas em março, quando um juiz da Suprema Corte anulou a condenação por corrupção que o expulsou da eleição de 2018 vencida por Bolsonaro. Logo depois, o tribunal decidiu que Sergio Moro, o juiz de direita que prendeu Lula antes de ingressar no gabinete de Bolsonaro, tratou o ex-presidente de maneira injusta.

Desde então, Lula se posicionou como uma alternativa confiável, moderada e otimista ao extremismo “idiota” de Bolsonaro e se ocupou em se reunir com poderosos cujo apoio será fundamental se ele quiser recuperar a presidência em outubro próximo. O ex-presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, fala durante uma entrevista coletiva em São Bernardo do Campo berço do Partido dos Trabalhadores (PT), perto de São Paulo, Brasil, em 10 de março de 2021. O que vem sugerindo em seguidas pesquisas que o ex-presidente Lula vem bem em todas as pesquisas de intensão e, que é apontado como o único que tem condição de derrotar o atual Presidente Jair Bolsonaro, acusado que destruição do meio ambiente e da economia, que os críticos acusam de devastar o meio ambiente e a economia do Brasil e opera a crise da saúde (Covid), uma doença que ele chamou de “gripe pequena”. O maior pesquisador do Brasil, Datafolha, previu recentemente que Lula venceria o Bolsonaro em um segundo turno por uma margem de mais de 20%.

Christian Edward Cyril Lynch Doutor em Ciência Política pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (antigo IUPERJ atual IESP-UERJ) em 2007. É professor de Pensamento Político Brasileiro no Instituto de Estudos Políticos e Sociais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IESP-UERJ – antigo IUPERJ) e pesquisador da Fundação Casa de Rui Barbosa. Disse: “Lula é claramente o favorito”, que a maioria dos eleitores estava desesperada para virar a página sobre o reinado “infernal” de Bolsonaro no comando da nação. E que muitos membros poderosos da elite política e econômica também preferem trabalhar com um negociador pragmático como Lula, em vez do “sectário intransigente” agora no poder. Isso significava que uma ressurreição cinematográfica estava em jogo para Lula, um colosso político que está na linha de frente da política brasileira desde o início dos anos 1980. “Ele é a fênix surgindo das cinzas. É algo épico”, disse Lynch.

Em pesquisas que vem sendo ocorrida quase que diária sobre a ascendência de Lula no mundo político, após a extinção dos processos anulados pelo Ministro do STF Fachin considerou a Justiça Federal do Paraná “incompetente” para julgar os processos. O petista ficou elegível em que foi condenado pelo então juiz Sérgio Moro e na segunda instância no TR4,   parece ter assustado Jair Bolsonaro e seus seguidores, cujas avaliações caíram para níveis recordes, enquanto uma investigação do Congresso investiga sua política ao grave momento que a sociedade está vivendo com pandemia do Covid. O ex-capitão em uma tentativa de arregimentar e reunir seus apoiadores ferrenhos nas últimas semanas, vem organizando carreatas em manifestações em pró do seu governo e rotulando Lula de “vigarista de nove dedos” e “filho de Satanás”.

Lula brincou com insultos como desespero de um navegante que seu barco está à deriva em um oceano revolto. “Nos últimos dois ou três anos, Bolsonaro quase não pronunciou meu nome porque pensava que eu estava fora do jogo – e agora de repente ele percebe que estou segurando todas as melhores cartas e se isso fosse pôquer ele já teria perdido,” o primeiro ex-presidente Lula disse, que estava muito velho para discutir com o adversário: “Você não está lidando com um ser humano normal. Você está lidando com um psicopata, que não tem a menor capacidade de governar. Ele poderia ter evitado metade dessas mortes”, afirmou Lula, prevendo que Bolsonaro seria responsabilizado por sua sabotagem anticientífica de medidas de contenção, como distanciamento físico e uso de máscaras. Se esse acerto de contas não vir por impeachment ou inquérito parlamentar, “Não tenho dúvidas de que ele não escapará de ser julgado pelo povo brasileiro em 2022”. O ex-presidente Lula foi contundente sobre sua avaliação da administração de Bolsonaro com relação a epidemia de Covid assola a nação e já que matou mais de 450.000 brasileiros. “Guarde minhas palavras… não será o Lula que derrotará o Bolsonaro. Não haverá nenhum candidato que derrote o Bolsonaro. Será o povo brasileiro quem se libertará do Bolsonaro”. “Hoje, o Brasil é um pária global. Não há país com credibilidade que goste do Brasil, é um país que pode se dar bem com todos.

Imprensa internacional destacou os grandes protestos de rua contra o presidente Jair Bolsonaro que tomaram as ruas de diversas cidades brasileiras neste sábado dia 29/05, pedindo a saída do presidente e mais vacinas, em oposição ao atual governo têm muitas repercussões na mídia principalmente a internacional, mostrando que dezenas de milhares de brasileiros foram as ruas para exigir o impeachment e mais vacinas para o povo. Os veículos de comunicação informam que as manifestações aconteceram em mais de 200 cidades do País e foram motivadas pelo descaso na forma como o governo tem administrado a pandemia de covid-19. A matéria classifica como “desastrosa” a resposta de Jair Bolsonaro à crise sanitária que acarretou na morte de mais de 450 mil brasileiros até o momento.

As manifestações deste sábado dia 29/05, promovidas pelos partidos políticos de oposição, dos sindicatos dos trabalhadores e por movimentos sociais organizados irão com certeza ter um peso político para que o presidente ao menos mude de postura a sua política genocida em relação a condução da pandemia (Covid) nas principais cidades do País, ocorrem no pior momento desde que assumiu o cargo em 01 de janeiro de 2019. As pesquisas sugerem uma raiva crescente com a forma como o populista de direita tem administrado a pandemia, com 57% da população apoiando seu impeachment. as notícias dos protestos chamaram a atenção a nível global. Segundo jornais, entidades de esquerda e movimentos estudantis, responsáveis pela mobilização, que foram para ruas em grandes movimentos em mais de 200 cidades gritando palavras de ordem como “Fora Bolsonaro, “Bolsonaro genocida”, “Vacina já” e “Fora Bolsovírus”. Ressaltando que desde o início da pandemia, o presidente Bolsonaro e sua tropa de choque vem afirmando do que não passava de uma “gripezinha”, o mandatário tem criticado medidas de isolamento, promovido movimentos de aglomeração sem o uso de máscara e de medicamentos sem eficiência comprovada.

Como destaque foi que os movimentos ocorrem majoritariamente de forma pacífica. No entanto, no Recife, a polícia interveio por meio do uso de gás lacrimogêneo e balas de borracha, talvez a única cidade que se registrou-se ocorrência. Os manifestantes em sua maioria usavam máscaras e tentavam respeitar os protocolos de distanciamento, mas nem sempre com sucesso, pediam vacinação mais rápida em todo o País. Muitos manifestantes compareceram, apesar das preocupações anteriores sobre a realização de grandes protestos públicos durante a pandemia. A mobilização aconteceu em meio aos trabalhos da CPI da Covid. “O presidente de extrema-direita do Brasil, Jair Bolsonaro, está enfrentando uma investigação do Senado sobre a forma como seu governo está lidando com a pandemia”.

Como de praxe quando há algo contra o atual presidente Jair Bolsonaro, seus seguidores tentam minimizar em suas redes sociais atos contra este desgoverno. Foi possível visualizar em meio as multidões Brasil afora, faixas contra o presidente Bolsonaro e de boneco gigante inflado pelos movimentos do próprio presidente representando como a morte, segurando uma caixa que simula uma embalagem de cloroquina. A população e lideranças de movimentos sociais, centrais sindicais e partidos de oposição decidiram abandonar o “fique em casa” na pandemia e ir às ruas. Houve resistência e discordâncias e os atos foram convocados com orientações de cuidado como distanciamento social e uso de máscaras PFF2. Mais que houve muita aglomeração mesmo assim.

Para Vladimir Pinheiro Safatle filósofo, professor titular da cadeira de Teoria das Ciências Humanas da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP). Em entrevista exclusiva à Carta Maior. Auscultar o futuro é tarefa que requer um agudo senso histórico, revela-se um analista perspicaz. “Ninguém ocupa o Estado brasileiro com 7 mil militares para sair no ano que vem”, diz. “A ditadura militar terminou por negociação. Por isso ela nunca terminou. Por isso ela se preservou, por isso ela volta agora.” De que não se podemos iludir com o engodo de eleições e, que é preciso uma verdade que brotaria das urnas em 2022. “Hoje a gente sabe que não houve eleição em 2018. Foi uma eleição de República Velha, completamente forjada. A gente viveu um golpe dito em baixa voz e prolongado. Não foi um golpe gritado. Foi um novo modelo de golpe. É um golpe em câmera lenta. Será necessária uma grande radicalização democrática das esquerdas e centro, porque a extrema-direita desde os anos de 2014 até os atuais dias estão radicalizando, se não vamos mais uma vez sermos usurpados como foi as eleições de 2018.

 As elites dominantes deste país estão em processo revolucionário que está sendo capitaneado pela extrema-direita. Ou a esquerda acorda recuperando a capacidade de organizar-se e de mobilizar-se, ou irá decretar a própria morte. Vai sendo feito durante anos”. É preciso sermos realista mesmo diante de uma vitória de Lula mesmo com sua habilidade de negociação, tudo isso já está demonstrado atualmente que só sairemos maior se houver essa estratégia for do confronto a esta velha oligarquia enraizada no senso comum do sempre achar um jeitinho a moda brasileira de sair pelo alto será apenas mais engodo, mais uma negociata nos porões do poder. É preciso encarnar situação revolucionária e progressistas. Para o sociólogo português Boaventura de Souza Santos, só o povo nas ruas é que irá dar um suporte e legitimidade à CPI e garantir a eleição presencial de 2022. Sem precisar ir as ruas sem um banho de sangue?

A ausência de mobilização convocada não teve adensamento o resultado esperado devido a letargia, a inércia que tomou conta da sociedade. Sabemos que não há política sem povo na rua. A sequência latino-americana de revoltas e insurreições que a gente está vendo mostra isso claramente. No Brasil, existe povo na rua só que vem da direita. A situação brasileira é muito singular em relação aos outros países da América Latina porque há uma extrema-direita popular que consegue se mobilizar.

É inaceitável o que o Brasil vive com Bolsonaro, destruidor e negacionista, precisamos ser mais enfáticos e contundentes, estamos vivendo muitas coisas inaceitáveis que estão empurrando goela abaixo. Parece que quer nos destrói, perturba a nossa essência, nossa consciência e nega até a ciência, promove o ódio é inimigo dos trabalhadores. Si posta como absolutista diante de seus seguidores, prega o negacionismo e a desinformação, a mentira. Será como ponto primordial que a sociedade se conscientize que é preciso afastar esse presidente psicopata, tirar Bolsonaro da Presidência será a nossa chance de evitarmos a destruição que está predominando no país. O povo ainda não acordou que este grupo de extrema direita está atrás dando o suporte. E isso não só no Brasil, mas no mundo, mas a perversidade deste senhor está sobressaindo e precisa ser freada. Porém, é preciso entender que a é política precisa ser um instrumento de exercício da democracia, este grupo que se encontra no Palácio da Alvorada e com o respaldo de uma parcela grande dos deputados/senadores e até do judiciário, que apoia estes desmandos precisam ser expurgados, se quisermos de fato ser uma verdadeira nação democrática.

As manifestações de 29 de maio foram o início de uma vitória da militância e dos ativistas sociais. Expressaram que aos poucos a sociedade organizada vai acordando do que está ocorrendo com este desgoverno do Jair Bolsonaro. Indignação que se encontrava adormecida no peito aos poucos vai sendo exposta pelas massas. Não era mais possível aceitar que as ruas fossem ocupadas apenas por defensores de um governo que leva o povo brasileiro para o matadouro. Não era mais possível não se manifestar contra o governo do genocídio, da mentira sistemática, do desemprego, do descaso e do escárnio. Não era mais possível calar contra um governo da indiferença perante a morte de milhares de pessoas, da zombaria para com dor dos familiares e amigos que perderam entes queridos e do vilipêndio para com os mortos. Não era mais possível que a sociedade brasileira não despertasse e não saísse às ruas.

Pensei que os brasileiros iriam continuar drogado e inconsciente do que está ocorrendo globalmente e, principalmente no Continente Sul-americano, onde os povos da Colômbia estão se erguendo em rebelião contra um governo autocrática, autoritário e déspota. No Chile o povo depois de irem as ruas contra o governo arrancaram uma Assembleia Constituinte para pôr fim à Constituição de Pinochet, vendo o povo da Bolívia derrotar o golpe e vendo o povo do Paraguai se mobilizar contra um governo que lhe negou vacina e proteção. No ano passado, este nosso povo viu milhões de norte-americanos tomarem as ruas das cidades para protestar contra o brutal assassinato de George Floyd. A indignação represada estava explodindo no peito e no coração dos brasileiros, principalmente no peito e no coração daquele que ama esta nação. Só seremos capazes de extirpar este desgoverno com as massas indo as ruas protestando e reivindicando melhoria, na educação, saúde e economia.  

O mérito deste movimento 29 de maio foi em quebrar a resistência, a inércia que assola a sociedade, não há nada que nos conduza a vitória sem um movimento com essa pressão que vem das bases. Só ela conseguiu desentocar os líderes políticos partidários e sindicais do conforto de seus lares, da insipidez de suas lives, da impotência de suas estantes de livros. Esses líderes não foram capazes de perceber que o isolamento social só existe para as classes médias para cima. O povo pobre das periferias ficou abandonado, desempregado. Nem todos os necessitados conseguiram o auxílio emergencial miserável do governo. Estudo da Universidade USP comprova que enquanto os bairros pobres da cidade de São Paulo registraram sessenta ou mais mortes por ‘Covid-19’ para cada sem mil habitantes, os bairros de classe média, média alta registraram menos de dez a vinte mortes para cada dez mil habitantes. Em contrapartida, as regiões mais ricas imunizaram, até final de abril, 12,5% de seus habitantes, enquanto as regiões mais pobres imunizaram \apenas de 5% a 7,5% de seus moradores. Tal como ocorre no mundo, aqui dentro do Brasil existe um brutal apartheid da vacina, que sacrifica os pobres. Não se pode aceitar esta injusta situação criminosa na base das lives que sequer denunciam esta brutalidade.

É preciso perceber que a centralidade da luta do povo é para sobreviver à pandemia, à fome e ao desemprego. É preciso perceber que a inflação dos alimentos está tirando comida da mesa dos brasileiros. A classe política, industrial e econômica deste país não pode fazer vistas grossas e só olhar para o próprio umbigo, precisam sair desta redoma e estender as mãos para os mais necessitados e desarmarem os picadeiros do faz de conta que estão acolhendo estes invisíveis, deixando a própria sorte. Que não se pode esperar até 0 próximo para derrotar este desgoverno que simboliza a morte. A manutenção deste presidente e de sua trupe significa mais mortes, mais desemprego, mais fome, mais destruição do Brasil e desmoralização do país perante ao mundo. Precisamos deixar esse lado ideológico e olhar os miseráveis que estão sem assistência, não podemos conviver com uma multidão de zumbires. Por outro lado, não se pode cair no ufanismo de que as manifestações do dia 29 de maio já são suficientes para provocar o impeachment. O impeachment só virá se as manifestações continuarem e forem muito mais amplas e vigorosas do que foram. Pesquisa Datafolha mostra que 49% da população quer o impeachment contra 46%.

O mesmo instituto mostrou que à véspera 16/04/2026 do impeachment-golpe contra Dilma, 61% da população apoiavam o seu afastamento e 33% eram contrárias. Apenas 13% consideravam o governo bom e ótimo. Na pesquisa Datafolha de maio, Bolsonaro teve 24% de bom e ótimo. Desta forma, para que o impeachment realmente ocorra é preciso uma intensa pressão da sociedade sobre a Câmara dos Deputados e seu presidente. Há um grande caminho para percorremos, há muitas batalhas de persuasão e convencimento a ser travada. O cenário principal dessa batalha não está na internet, nos gabinetes confortáveis e sim, mas nas ruas. O que ficou demonstrado neste movimento foi o sentimento antibolsonarista demonstrado nos rostos de cada cidadão.

Esta ruptura com este desgoverno só poderá vir das ruas, não podemos recuar. Ele poderá se recuperar com o apoio das elites dominantes, dos políticos oportunistas e do mercado financeiro. Eles nunca tiveram apreço pela democracia e sim pelo acumulo de riqueza, só analisar as pesquisas de empresas especializada do sistema financeiro que a cada dia mais se acumula riquezas. A remoção de Bolsonaro é uma demanda da dignidade humana, é uma petição civilizatória. O povo brasileiro não pode mais viver com este continuado horror encarnado por este governo. Porque quem é firme em seus propósitos molda o mundo. É melhor morrer de pé do que viver de joelho. A presença marcante da juventude nos atos, com grande peso por todo o país, demonstra a oportunidade e coloca o desafio de aproveitar esse engajamento político, que muitas vezes brota nas redes sociais. Fomentar a organização mais orgânica da juventude, para além de atos esporádicos, é fundamental para construir uma força social e um novo ciclo de lutas. Os progressistas e movimentos socias precisa colocar o bloco na rua do ‘Fora Bolsonaro’ de forma efetiva. 

* No final da tarde desta segunda-feira 31/05, o Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass) atualizou os números diários sobre a pandemia do novo coronavírus no Brasil. Segundo os últimos dados, o país agora possui 16.545.554 casos confirmados e 462.791 mortes pela Covid-19.

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