Brasil cansado de ser satélite do império estadunidense!

A luta pela democracia e pela legalidade é uma luta pela soberania e indecência nacional do jugo, da canga que o império estadunidense está nos impondo após o golpe disfarçado de impeachment da presidenta Dilma Rousseff do Partido dos Trabalhadores, em relação ao direito de escolhermos o rumo da descolonização e do anti-imperialismo. O Brasil precisa recuperar o respeito e o protagonismo nos arranjos internacionais. É preciso um líder que tenha a coragem e mostre ao império do norte que somos dono do nosso destino como nação soberana. O Brasil não pode aceitar passivamente esta política colonizadora. Por isso, a retomada de uma caminhada externa soberana e independente e, não dirigida por Washington. A não atuação sobre ordem de outra nação, a recuperação do respeito e o protagonismo nas políticas externas. Setores antidemocráticos da elite dominante vem sendo apoiada pelo EUA, que ameaçam e estão rasgando a legalidade com a tese do semipresidencialismo, que vem sendo articulados nos escuros corredores do congresso com um parlamentarismo de ocasião.

Já ocorrido no passado, episódio ocorrido nos anos sessenta (60) com essa mesma ladainha aventada por uma devida parte do jurídicos, políticos, empresariais e militares. Com a provável vitória do Lula em 2022. Atiça mais uma vez os oligarcas dominantes provendo mais uma vez a ruptura institucional. Elites estas não satisfeita com a assunção de Jango há época, conspiraram e continua a conspirar na imposição de aos oitenta e nove minutos do jogo, tentam impor nova regra do jogo político limitando os poderes presidencial e obstruindo qualquer projeto de governo reformista. A nação brasileira em sua atual conjuntura política e socioeconômica em que vivemos, para entende-la é fundamental tecermos algumas breves observações sobre a história dos golpes de estado no Brasil. Relembrando a célebre frase de Karl Marx, em sua obra conjuntural “O Dezoito Brumário de Louis Bonaparte”, escrita  lá pelos anos de 1852, referindo-se os fatos e personagens da história universal que se repetem duas vezes, levando-o a refletir que de fato isso ocorria, na primeira vez como tragédia e na segunda como farsa.

Tendo como fatos a formação da nação brasileira, onde ocorrera muitas coisas repetindo-se por diversas vezes e, tomando como objeto de debate o Golpe de Estado, entendemos que várias vezes se repetiram ao longo do tempo. Com a derrubada de governo constitucionalmente legítimo, podendo ser violento ou não. É golpe promove uma ruptura institucional, contrariando a normalidade da lei e submetendo o controle do Estado a alguém que não foi legalmente designado para o cargo. É golpe mesmo quando o impedimento estiver previsto na lei maior de um país, mas as condições formais para tanto não forem respeitadas pelos poderes do Estado o executivo, legislativo ou judiciário, como vem ocorrendo ao longo da nossa história republicana, ontem e hoje. No caso do Brasil, os golpes não foram mera disputa no campo das ideias, com uma cultura golpista que veio desde a revolução republicana tomada pelas oligarquias ruralista que ficou como uma herança maldita. É uma luta pela soberania e independência nacional em relação ao estrangeiro e é, também, uma luta pelo respeito à soberania popular. Biden faz questão de exibir publicamente o tratamento que confere ao Brasil, de protetorado do império.

Como ocorre em grande parte dos países periféricos capitalista, certamente que é uma ação política que vem desde os tempos o implante da Republica; entretanto, não se pode esquecer que o golpismo tem uma profunda base material, econômica, e que no plano social e político expressa a luta entre classes e frações de classe. Que se diga a República nunca chegou de fato aos menos favorecidos e invisíveis cidadãos da rale, conflagrada por movimentos abolicionistas, republicanos e positivistas, sob a tutela das Forças Armadas, com estrutura partidária capenga e uma prática política clientelista e coronelista, que continuo no mesmo sistema político da monarquia e continuou ao longo da Primeira República que já nasceu velha nas alianças e práticas políticas, enquanto oligarquia fundiária, que domina a vida política nacional até os dias de hoje, exercem forte influência, sob a couraça do agronegócio, contando com o suporte e difusão ideológica da grande mídia corporativa: jornais, revistas, rádios, televisões e hoje as redes sociais. nunca deixaram de intervir para conter dentro de limites aceitáveis para os donos do poder os movimentos sociais e para garantir a segurança e funcionamento do Estado burguês. Em vários momentos da história, os próprios militares assumiram o controle do poder, sob a justificativa da necessidade de garantir a ordem e a segurança para o progresso e desenvolvimento do país.

A nação brasileira possui uma forte tradição militar em sua história política. Nossa república foi proclamada por um marechal: Deodoro da Fonseca. Em nossa história republicana, já tivemos nove presidentes militares, incluindo os dois primeiros (Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto) e outros cinco em sequência, durante a ditadura que perdurou entre 1964 e 1985. Só dois militares foram eleitos pelo voto direto. Os militares sempre fizeram parte da nossa política principalmente no século XX, como no como no movimento tenentista dos anos 1920, na revolução de 1930, na intentona comunista de 1935 e no golpe militar de 1964.

O Brasil precisa libertar-se do jugo estadunidense, não podemos viver eternamente como satélite, se quisermos ser uma nação desenvolvida ou se queremos ser apena mais um satélite manipulado pelo interesse americano, esta nação só tem o interesse de nos colonizar e explorar nossas riquezas naturais coisa que este já não tem. Foi no contexto da campanha para as eleições parlamentares de 1962 que a intervenção norte-americana no processo político brasileiro se intensificou, ultrapassando, em muito, os níveis normais. Habitualmente fazem nos países que não segue sua cartilha, impondo e enaltecendo sua visão mundo através de propaganda ideológica e, de intervenção militar sobre o argumento que estão apena mantendo a liberdade dos habitantes locais, destroem tudo que está ao seu alcance do seu poderio militar, ou através de sansões econômicas.

Tal como, consta nos arquivos até então secretos dos Estados Unidos. O próprio embaixador Lincoln Gordon confessou que foram gastos, pelo menos, US$ 5 milhões de dólares para financiar a campanha eleitoral dos candidatos favoráveis à política norte-americana e opositores de Goulart. Naturalmente, a autorização para tal intervenção foi dada pelo presidente Kennedy. Tanto quanto o financiamento de campanha de candidatos ao pleito de 1962, também era totalmente irregular o direcionamento de recursos financeiros para os governos estaduais, que o governo Kennedy adotou, ultrapassando a autoridade do governo federal e caracterizando uma intromissão descabida. A estratégia foi adotada para evitar que recursos da Aliança para o Progresso, reservados para obras de impacto ou quaisquer iniciativas que favorecessem a imagem dos Estados Unidos, fossem parar nas mãos do governo federal ou de governadores que criticavam os Estados Unidos, como os esquerdistas Leonel Brizola e Miguel Arraes por seres governos de ideais contrário ao império estadunidense.

A Operação Brother Sam foi um movimento da Marinha norte-americana em apoio aos militares que depuseram o governo João Goulart (PTB), no dia 31 de março de 1964. Quando as tropas lideradas pelo general Olímpio Mourão Filho se deslocaram de Minas Gerais para o Rio de Janeiro, na madrugada do dia 31, havia receio, por parte dos Estados Unidos, de que o golpe falhasse ou que as forças que apoiavam Goulart, inclusive militares ainda ensaiassem algum tipo de resistência. Porém, nada aconteceu. O golpe foi bem-sucedido e, da parte do governo, não houve qualquer tentativa de se opor aos participantes do golpe, embora o presidente tivesse sido pressionado por seus apoiadores a ter um papel mais ativo com relação ao levante. Jango, contudo, diante da vitória militar, optou pelo exílio no Uruguai. As versões da história favoráveis ao presidente dão conta, é claro, de que sua saída do país não ocorreu por medo ou fraqueza, mas, sim, por saber que a resistência poderia levar a uma guerra civil inclusive, com apoio norte-americano às forças insurgentes. Nesse caso, os Estados Unidos estariam prontos a participar do conflito por meio da Operação Brother Sam.

A presença dos EUA na política brasileira A partir de meados dos anos 1950, o Brasil deu início a uma política externa relativamente independente dos Estados Unidos, o que não significa que o país tenha se afastado dos EUA. A presença norte-americana no Brasil, especialmente na economia, ainda era muito forte como ainda permanece principalmente no campo financeiro. Porém, o governo brasileiro passou a estabelecer contatos também com países que, internacionalmente, eram inimigos declarados dos Estados Unidos. Até os atuais dias os Estado Unidos continuam intervir tanto no campo político como econômico. O então secretário assistente de Estado para Negócios Interamericanos do EUA, Thomas Mann, mesmo após a morte do presidente John Kennedy continuo com a política inflexiva, declarando, já em março de 1964 que “que “os Estados Unidos não mais procurariam punir as juntas militares por derrubarem regimes democráticos”. Portanto era o que os golpistas queriam para darem continuidade as barbaridades que nos revelam e que a própria nação nos conta.  

Vivemos em um país que tem do futuro a maior premissa e princípio de ser uma potência econômica, entretanto, as elites dominantes desta nação têm pavor ao passado. Atualmente pode afirmar, de que houve mentirosos discursos, porque “neste mundo não existe verdade universal. Uma mesma verdade pode apresentar diferentes fisionomias. Tudo depende das decifrações feitas através de nossos prismas intelectuais, filosóficos, culturais e religiosos”. No Brasil cultuamos duas frustações para exercer e a dos que têm competência, mas não têm poder. Toda história há pelo menos três versões, a dos vencedores, a dos perdedores e a verdadeira.

Desde o ano de 2016 com o impeachment da presidenta Dilma Rousseff estamos a cada dia uma vergonha e, sendo paria internacionalmente, tempos de caos por causa da nossa subserviente e irresponsabilidade, imprudência daqueles que estão à frente da nação e de uma sociedade que ainda não sabe a importância do voto, o significado da instabilidade das instituições em um Estado democrático. Em 2002 o Brasil ocupava a 15ª posição no índice econômico mundial, porém com a política econômica de Luiz Inácio Lula da Silva, que lançou o ‘BRICS’, quintuplicou o ‘PIB’ em dólares, pagou a dívida com o ‘FMI’ , que estava construindo tanques, submarinos, incluindo um de propulsão nuclear, aceleradores de partículas, caças supersônicos, aviões de transportes militares, elevou a nação de 15ª para 6ª maior economia do mundo em 2011.

Mais devido as políticas irresponsáveis que tomaram o poder através de um golpe nefasto e irresponsável que culminou no tal impeachment de uma presidenta sem crime administrativo, agora caminha de volta ao passado feudal, que em questão de dias após seu afastamento da nação que era visualizada mundialmente como uma futura potência para ser apenas uma republiqueta de banana. Um país que está perdendo até sua soberania, servil aos interesses do capital especulativo nacional/estrangeiro, com a conivência daqueles que foram eleitos para nos representar nossos interesses, mas que ao invés disto estão a serviço do grande império do ocidente, agora zelam subserviente aos interesses externos em detrimento do povo tão sofrido e oprimidos que os elegeram. E como disse o Nixon, certa vez, “para onde for o Brasil, também irá a América Latina”. O que fica demonstrado na visão imperialista estadunidense, se dominarem o Brasil, eles garantem o domínio de toda a América Latina. Acorda Brasil sai desta inércia, nebulosa fumaça que nos impede de avançar. Precisa urgentemente deitar no divã e retornar até o momento que o trauma nasceu, sem medo de encarar as suas verdades. Só assim será capaz de sair desta inercia que te postaram, onde nasceu o complexo de vira-lata que pensamos que tinha sido superado pela sociedade e curar este trauma e que sabe seguir em frente com determinação, orgulho e coragem rumo ao futuro.               

Carta Testamento – Getúlio Vargas

“Deixo à sanha dos meus inimigos o legado da minha morte. Levo o pesar de não haver podido fazer, por este bom e generoso povo brasileiro e principalmente pelos mais necessitados, todo o bem que pretendia. A mentira, a calúnia, as mais torpes invencionices foram geradas pela malignidade de rancorosos e gratuitos inimigos numa publicidade dirigida, sistemática e escandalosa. Acrescente-se a fraqueza de amigos que não me defenderam nas posições que ocupavam, a felonia de hipócritas e traidores a quem beneficiei com honras e mercês e a insensibilidade moral de sicários que entreguei à justiça, contribuindo todos para criar um falso ambiente na opinião pública do país, contra a minha pessoa. Se a simples renúncia ao posto a que fui elevado pelo sufrágio do povo me permitisse viver esquecido e tranquilo no chão da pátria, de bom grado renunciaria. Mas tal renúncia daria ensejo para com fúria, perseguirem-me e humilharem. Querem destruir-me a qualquer preço. Tornei-me perigoso aos poderosos do dia e às castas privilegiadas. Velho e cansado, preferi ir prestar contas ao senhor, não de crimes que contrariei ora porque se opunham aos próprios interesses nacionais, ora porque exploravam, impiedosamente, aos pobres e aos humildes. Só Deus sabe das minhas amarguras e sofrimentos. Que o sangue de um inocente sirva para aplacar a ira dos fariseus. Agradeço aos que de perto ou de longe trouxeram-me o conforto de sua amizade. A resposta do povo virá mais tarde…

Mais uma vez as forças e os interesses contra o povo coordenaram-se e novamente se desencadeiam sobre mim. Não me acusam, insultam; não me combatem, caluniam, e não me dão o direito de defesa. Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha ação, para que eu não continue a defender, como sempre defendi, o povo e principalmente os humildes.

Sigo o destino que me é imposto. Depois de decênios de domínio e espoliação dos grupos econômicos e financeiros internacionais, fiz-me chefe de uma revolução e venci. Iniciei o trabalho de libertação e instaurei o regime de liberdade social. Tive de renunciar. Voltei ao governo nos braços do povo. A campanha subterrânea dos grupos internacionais aliou-se à dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalho. A lei de lucros extraordinários foi detida no Congresso. Contra a justiça da revisão do salário mínimo se desencadearam os ódios. Quis criar liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobrás e, mal começa esta a funcionar, a onda de agitação se avoluma. A Eletrobrás foi obstaculada até o desespero. Não querem que o trabalhador seja livre.

Não querem que o povo seja independente. Assumi o Governo dentro da espiral inflacionária que destruía os valores do trabalho. Os lucros das empresas estrangeiras alcançavam até 500% ao ano. Nas declarações de valores do que importávamos existiam fraudes constatadas de mais de 100 milhões de dólares por ano. Veio a crise do café, valorizou-se o nosso principal produto. Tentamos defender seu preço e a resposta foi uma violenta pressão sobre a nossa economia, a ponto de sermos obrigados a ceder.

Tenho lutado mês a mês, dia a dia, hora a hora, resistindo a uma pressão constante, incessante, tudo suportando em silêncio, tudo esquecendo, renunciando a mim mesmo, para defender o povo, que agora se queda desamparado. Nada mais vos posso dar, a não ser meu sangue. Se as aves de rapina querem o sangue de alguém, querem continuar sugando o povo brasileiro, eu ofereço em holocausto a minha vida.

Escolho este meio de estar sempre convosco. Quando vos humilharem, sentireis minha alma sofrendo ao vosso lado. Quando a fome bater à vossa porta, sentireis em vosso peito a energia para a luta por vós e vossos filhos. Quando vos vilipendiarem, sentireis no pensamento a força para a reação. Meu sacrifício vos manterá unidos e meu nome será a vossa bandeira de luta. Cada gota de meu sangue será uma chama imortal na vossa consciência e manterá a vibração sagrada para a resistência. Ao ódio respondo com o perdão.

 E aos que pensam que me derrotaram respondo com a minha vitória. Era escravo do povo e hoje me liberto para a vida eterna. Mas esse povo de quem fui escravo não mais será escravo de ninguém. Meu sacrifício ficará para sempre em sua alma e meu sangue será o preço do seu resgate. Lutei contra a espoliação do Brasil. Lutei contra a espoliação do povo. Tenho lutado de peito aberto. O ódio, as infâmias, a calúnia não abateram meu ânimo. Eu vos dei a minha vida. Agora vos ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História”.

(Rio de Janeiro, 23/08/1954 – Getúlio Vargas)

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