Morreu o homem José Eugênio Soares, ficou o genial Jô Soares para a cultura brasileira!

Morre o homem José Eugênio Soares mais ficou seu feito para história, como o genial “Jô Soares” para a cultura brasileira. Nesta madrugada de sexta-feira dia 05 de agosto aos 84 anos. O ícone da comédia brasileira morreu, no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo. Nos deixou o apresentador, humorista, entrevistador, ator, escritor, dramaturgo, diretor, roteirista, pintor, apontado pela crônica e pela sociedade como um dos maiores humoristas brasileiros.  Jô que teve a jocosidade no seu gracejo, uma forma genuína de se comunicar com seu público. O Jô Soares quando se apresentava no teatro, TV, no cinema, nas artes plásticas e na literatura, ele era o máximo, ele dava o máximo de si para contentar seus admiradores e seguidores. Como o próprio fazia questão de afirmar em seus depoimentos – “Tudo que fiz ou faço, sempre tem como base o humor, desde que nasci, desde sempre”. Não deixava alguém sem resposta, como também nunca escondia que era muito vaidoso.

Como o próprio dizia que era impossível alguém nessa profissão, não se sentissem vaidoso, em uma vitrine dessa, de ficar reconhecido e conhecido neste mundo fantasioso que é a televisão, o teatro, que tem sua nascente como ponto primordial a sedução dos corações. Ele fazia questão de dizer  “O meu humor tem sempre um fundo político, sempre tem uma observação do cotidiano do Brasil. Os meus personagens são muito mais baseados no lado psicológico e no social do que na caricatura pura e simples. Eu nunca fiz um personagem necessariamente gordo. Eles são gordos porque eu sou gordo.” O Jô era um cara muito apaixonado pelo Brasil. Foi assim, através dos seus mais de 60 anos de carreira dedicada ao entretenimento , foi assim um dos maiores entrevistador da televisão brasileira e, mesmo pode se dizer do mundo deixou sua marca do mundo audiovisual e escrito através de suas obras, fez a diferença com bons exemplos.

Levou alegria aos brasileiros. Levará muitas saudades e alegria, sua ausência ficará uma lacuna irreparável para a cultura audiovisual, muito estão tristes por esse momento com a passagem da vida para a morte, coisa que todos irão passar e não há outra alternativa, porque somos todos finitos. É para que todos  por ter tido a oportunidade de viver em sua época, se divertido com seus personagens, repetindo seus bordões, sorrindo com a inteligência afiada desse vocacionado comunicador, vamos todos celebrar, fazendo um brinde à sua vida vitoriosa. A vida de um cara apaixonado pelo país aonde nasceu e escolheu viver, para tentar transformar, através do riso, num lugar melhor. Você é orgulho pra todo mundo que compartilhou de alguma forma a vida com esse grande homem. Por ter dado a sorte de deixar nossas vidas mais alegres nas madrugadas, quando muitas das vezes chegava da faculdade cansado e exausto, mais sentia o prazer em assistir esse gênio entrevistando pessoas simples ou famosas da sociedade e da política. Obrigado Jô, pelas alegrias.

No teatro, Jô ficou célebre por seus monólogos, todos marcados pelo tom cômico e crítico, com sátiras da vida cotidiana e política do Brasil. Os mais conhecidos foram “Ame um gordo antes que acabe” (1976), “Viva o gordo e abaixo o regime!” (1978), “Um gordoidão no país da inflação” (1983), “O gordo ao vivo” (1988), “Um gordo em concerto” (1994) – que ficou em cartaz por dois anos – e “Na mira do gordo” (2007). Dentre os espetáculos em que trabalhou como ator nos palcos, estão ainda uma montagem de “Auto da compadecida” e “Oscar” (1961), com Cacilda Becker e Walmor Chagas. Como diretor, esteve à frente de “Soraia, Posto 2” (1960), “Os sete gatinhos” (1961), “Romeu e Julieta” (1969), “Frankenstein” (2002), “Ricardo III” (2006).

O Brasil perde um de seus maiores gênios! Jô Soares era vaidoso e genial na medida certa, às vezes ele excedia mesmo na vaidade e no exibicionismo. Mas, mesmo assim, era um prazer vê-lo desfilar sua impressionante cultura. Falava com incrível propriedade sobre os mais diversos assuntos, passando por cinema, música, especialmente o jazz, política, línguas ou futebol. Era um apaixonado torcedor do Fluminense e conhecia muito bem as histórias da Copa do Mundo. Em 1994, levou seu talk show (programa de entrevista) para os Estados Unidos, onde o torneio foi realizado e o Brasil conquistou o tetra. Jô foi com toda a equipe pra lá. As entrevistas, apesar de apresentadas bem tarde, fizeram muito sucesso. Tanto que o ‘Veja o Gordo’ só ficou no ar até 1990, para Jô se dedicar apenas ao talk show.

O programa seguiu até o ano 2000, quando a Globo decidiu contratar o humorista de novo, para apresentar o Programa do Jô, que seguia o mesmo formato da atração do SBT e foi exibida até 2016. Fez história na televisão brasileira com diversos personagens, colecionou sucessos na telinha, entre eles a “Família Trapo”, na TV Record, e o histórico “Viva o Gordo”, onde satirizava o regime militar de 1964. Mais recentemente, esteve no ar com o famoso “Programa do Jô”, na TV Globo, entre 2000 e 2016. Sua última aparição na TV foi no “Debate Final”, do Fox Sports, como comentarista da Copa do Mundo de 2018. O apresentador falava, com diferentes níveis de fluência, cinco idiomas: português, inglês, francês, italiano e espanhol, além de ter bons conhecimentos de alemão.

Uma lenda da cultura brasileira, além do sucesso como humorista e entrevistador de TV, ele escreveu vários romances, sempre apresentando um texto refinado e engraçado. São eles: O astronauta sem regime (1983), O humor nos tempos de Collor (1992), O Xangô de Baker Street (1995), O homem que matou Getúlio Vargas (1998), Assassinato na Academia Brasileira de Letras (2005), As esganadas (2011). Os dois primeiros foram publicados pela editora L&PM. Os outros, pela Companhia das Letras. O Jô Soares Onze e Meia o transformou no mais famoso entrevistador da televisão brasileira. Quando ainda criança queria ser diplomata, estudou no Colégio de São Bento do Rio de Janeiro, no Colégio São José de Petrópolis, e em Lausana, na Suíça, no Lycée Jaccard, com este objetivo. Porém, percebeu que o seu senso de humor apurado e a criatividade inata apontava para outra direção.

Criador de personagens memoráveis que fizeram os brasileiros rir até nos momentos mais difíceis, Jô Soares deixa também para a posteridade obras que atestam sua genialidade como multiartista. Como se diz no zagão teatrão as cortinas se fecham para José Eugênio Soares simplesmente conhecido pelo nome artístico (pseudônimo) de Jó Soares, segue imortal na pele de personagens memoráveis que fizeram o brasileiro rir mesmo quando o mundo parecia não ter graça nenhuma, e também por sua obra em vários outros campos da arte e da literatura. Sua história começou em 1952, nos Estados Unidos, e começou a trabalhar no veículo seis anos depois, aos 20, escrevendo e atuando nas peças policiais de TV Mistério, programa da TV Rio protagonizado por Paulo Autran, Tônia Carrero e Adolfo Celi. Mas só seria apresentado ao público como comediante pouco tempo depois, na TV Continental, e a capacidade de fazer rir o levaria a todos os canais de TV do Rio de Janeiro na época.

Sua estreia na Globo em 1970. “Eu queria um programa de humor com uma nova cara”, relata Boni, ex-chefão da emissora, em seu livro de memórias, O Livro do Boni. E continua: “Tinha um nome pronto na cabeça: ‘Faça Humor, não faça a guerra’.” O horário era o das noites de sexta, na vaga que antes cabia a Dercy Gonçalves. E, se Dercy alcançava, naquela época, 60% dos lares com televisão, Jô bateu nos 70% e foi celebrado até pelo patrão, Roberto Marinho. Posteriormente o Jô Soares passou a se dedicar integralmente ao programa de entrevistas, que cresceu, apareceu e se tornou referência do gênero na TV brasileira, mesmo que cenário e formato em muito lembrassem a matriz americana, com Johnny Carlson, da poltrona à caneca. Entre 91 e 92, foi uma das vitrines mais fortes para a crise política que levaria o então presidente Fernando Collor ao impeachment, e essa postura seria cobrada do programa por todas as ocasiões seguintes em que a política merecesse foco prioritário.

Desde sempre, sua trajetória televisiva foi acompanhada de expediente permanente no teatro, dirigindo outros ou, durante um bom tempo, montando seus próprios espetáculos. Ninguém foi mais eclético do que Jô Soares. Ficou eternizado em seus inesquecíveis bordões. Era acusado, por falar mais que o entrevistado. Ele sabia como ninguém em como seduzir seus interlocutores com seu vasto repertório. E não negava que tinha um  egocentrismo muito inflado, dizia sem falsa modéstia, pois com seus 115 quilos, não precisa ser exibido a própria natureza se encarregava. Jô na época dizia que era “mais artista que intelectual”. “Trabalho mais com a intuição do que com a razão. A TV não me preocupa, me ocupa”. Mostrava já a habilidade do ator em crônicas rápidas e influenciadas pelo estilo das piadas que fazia na televisão e no teatro.

Vale lembrar que o humorista foi cronista de jornal na década de 1980, em que escrevia sobre causos do cotidiano sem a leveza dos escritores populares do gênero na imprensa. Era típico showman, com suas frases picantes de sarcasmo e ironia, era muito impactante e atingia plenamente o consciente de seus ouvintes no teatro e na televisão. O Jô era muito mais do que simplesmente um comediante, ele tinha a percepção e fazia a plateia a sorrir e esquecer as dificuldades socioeconômicas. Ele tinha o humor contido em seu ser como instrumento de compreensão do mundo. Com um legado indiscutível de humor, Jô Soares possuía algo que transcendiam a própria carreira de apresentador e dramaturgo. Uma de suas maiores habilidades, no entanto, era ser humorista em tempo integral. Já muito debilitado, ele sempre sacava algo tal como a frase: “Morrer é fácil. Duro é fazer comédia, essa frase é muito reveladora do que foi o Jô,  ‘Viver não é tão não é tão importante. O importante é comédia’. “O medo da morte é um sentimento inútil: você vai morrer mesmo, não adianta ficar com medo. Eu tenho medo de não ser produtivo.” Tinha como característica o mote crítico e irônico mostrava um Brasil arcaico e também pretensamente moderno.

O Brasil perdeu um dos mais talentosos artista e humorista. Ele encantou e seduziu gerações no teatro, na televisão, no cinema e na literatura. Sua obra permanecerá a inspirar há outros que virão. Para alguns ele tinha um enorme ego que não cabia no seu próprio ser. Era vaidoso ao extremo, chegou a dizer que ‘já nasceu querendo seduzir o mundo’, assim o fez majestosamente durante 60 anos de carreira. Um comediante que amava a arte da dramaturgia, um ator fora de série, um entrevistador brilhante. Que ainda adolescente pensou em seguir a carreira diplomática, mas seu amor pela dramaturgia falou mais alto.

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