O bolsonarismo divertir-se com a crise de conduta e crença, sem qualquer princípio ético ou moral?

O objetivo não é conjecturar com base em indícios sobre a verdade do que se passou, mas refletir sobre um possível novo futuro.  Todos nós desejamos ajudar uns aos outros, por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Entretanto, o ciúme egoístico corrompe o homem, construindo paredão da malevolência e da antipatia. Tem nos feito caminhar passo a passo para a paupérie e inópia; passando há nos sentimos prisioneiro da nossa própria ignorância cognitiva. Elegemos com voto popular um pirrônico maníaco e tinhoso, um destruidor de vidas. Como dizia Charles Chaplin – “não se mede o valor de um homem pelas suas roupas ou pelos bens que possui, o verdadeiro valor do homem é o seu caráter, suas ideias e a nobreza dos seus ideais. Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido, os antocratas que tem índole perversa que nos tenta dominar, sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. Sei que os homens morrem, mas a liberdade não perecerá jamais. O caminho da vida pode ser o da liberdade, porém nos extraviamos, é preciso reconquistar”.

O fascismo bateu a nossa porta com um presidente eleito democraticamente, mais que representa a extrema direita fascista, ‘que atire a primeira pedra’ quem nunca viu tal tipo de acusação no Facebook ou no Twitter. Mas quem é afinal o Mike Godwin, ele ficou conhecido por atuar em áreas como liberdade de expressão na internet, políticas de tecnologia e direitos globais e, porque raios foram pedir permissão para ele no Twitter? Ainda no período eleitoral brasileiro da eleição de 2018 ele publicou uma foto em apoio à campanha #EleNão, que era contra Jair Bolsonaro. Desde então, o advogado estadunidense vem respondendo a uma série de Tweets para brasileiros. Alguns deles o parabenizam pelo posicionamento já outros fazem duras críticas devidas sua opinião, e que o presidente Bolsonaro tem alguma semelhança ao ditador Adolfo Hitler. Em seus discursos tem um víeis de construção voltada para a ideia anticorrupção de Estado e militarizada da Alemanha de 1932.

Jair Messias Bolsonaro representa o que há de mais sinistro na extrema direita que tem crescido no mundo ultimamente, é uma figura política fascista e, que tem um forte desviou ético e moral. Ele representa o ódio ao outro, a negação, não dá voz a sociedade. Portanto, ao disseminar nas redes sociais este seu rancor, se assemelha ao nazismo espalhando inverdades. Não podemos esquecer o passado da Alemanha de Adolf Hitler, tinha um lema que era repetido muitas vezes “Deutschland über alles”, em português – “Alemanha acima de tudo”. Bolsonaro tem semelhante slogan patriota – “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”, continua a valer os exageros retóricos. Mas quando se trata de governar, enfrenta problemas sociais que precisam efetivamente ser resolvidos e confronta com demandas concretas que precisam ser atendidas. Por estamos vivendo ainda num país que se diz de democrático é preciso respeitar outros poderes, tem-se pela frente judiciário e casas legislativas que se tem que negociar, é preciso formular, aprovar e programar políticas públicas tem que lidar com as contingências do orçamento público. E tudo isso sob o olhar e o risco de sanções dos órgãos de controle, do sistema político, da oposição inevitável e legítima, dos meios de comunicação e, ultimamente, da opinião pública hiperativa das mídias sociais.   

 O governo consiste numa frente, que são os ultraconservadores de direita e o núcleo militar. Aqui está o coração do governo bolsonarista. De um lado, o conservadorismo de tipo reacionário, mobilizado para realizar uma guerra cultural de retomadas dos antigos valores ultraliberais, religiosos e pré-democráticos, para o qual os grandes problemas do país são problemas morais, culturais. Do outro lado, o militarismo autoritário e serviente, para o qual os últimos 35 anos de governos civis representaram uma perda moral da nação. Militarismo que foi mobilizado como uma espécie de chancela anticorrupção moral e política e uma garantia de que os seus interesses estariam garantidos no governo, o terreno entre o conservadorismo e o militarismo na plataforma representada por Bolsonaro. Fazendo veladas ameaças à democracia e aos movimentos sociais, ao Estado laico com citações manipuladora bíblico. O discurso religioso tem como principal esteio a construção de um projeto que é, na verdade, contrário ao povo e, não só da população mais pobre, mas mesmo da classe média. Como é sabido, o Brasil é um dos países de maior desigualdade social do mundo.

Desde que nos tornamos independentes politicamente da coroa portuguesa, a classe dominante fez questão de que o nosso país aparecesse como em tudo igual às nações ditas civilizadas; ou seja, como um país no qual todos são iguais. Em nossa vida cotidiana, afirmando, negando, desejando, aceitando ou recusando coisas, pessoas, situações. Somos muito subjetivos quando o assunto é ideológico. O passado pode ser lembrado ou esquecido, e o futuro, desejado ou temido. Será que sabemos diferenciar a razão da realidade existente. Onde não tinha um ser que não tivesse conhecimento da personalidade do nosso presidente. Há um velho ditado popular que diz – “onde há fumaça, há fogo”, acredita-se que existem relações de causa e efeito entre as coisas, que algo esteja acontecendo certamente haverá uma causa para ela, ou que essa coisa é causa de alguma outra “o fogo causa a fumaça como efeito”. Assim, que a realidade é feita de causalidades, que as coisas, os fatos, as situações se encadeiam em relações causais que podemos conhecer e, até mesmo, controlar para o uso de nossa vida, distorcendo a realidade.

O que prevalece será sempre à vontade dos senhores da Casa Grande, mesmo em momento de estabilidade democrática, a soberania ou poder de decisão que deveria pertencer ao povo. Essa concepção idealística sempre voltou à cena, quando saímos de um regime autoritário, reescrevendo e adotando uma nova Constituição, como sucedeu em 1934, em 1946 e, sobretudo em 1988, com a chamada Constituição Cidadã. Infelizmente, esse idealismo jamais chegou a penetrar na cabeça da ralé. Nem mesmo das elites, o que mais importa não é, e nunca foi, o direito de eleger os governantes, mas sim a possibilidade do proletário obter emprego nem que seja mal remunerado, o precário serviço médico e uma aposentadoria que não supre as necessidades básicas do cidadão e, a elite dominante manterem seus privilégios e poderem explorar o proletário. É bem provável que após vencermos a batalha do coronavírus, o povo brasileiro abrace novo tipo de líder político autocrático ou ditatorial, que consiga prometer ao povo a política do ‘Pão e circo’, para mantê-la fiel à ordem estabelecida e conquistar o seu apoio. Todos ficam contentes e apaziguados, a popularidade do governante entre os mais humildes ficava consolidada e, assim seja feita a vontade da elite dominante.

A história mais uma vez é repetida com a vitória da extrema direita projetando-se como uma força política ressuscitando ideologias que parecia sepultada no passado. Por descuido das forças de esquerdas progressistas, voltaram a ressurgir crescendo assustadoramente. O neofascismo veio com uma nova roupagem autoritária com promessas demagógicas e fazendo ameaças. Ela se faz presente nos Estados Unidos com a eleição para presidente Donald Trump, a Europa com a formação de governos com esmagadora maioria da extrema direita nos parlamentos e, na Alemanha os neonazistas recuperam espaço, no Brasil liderado pelo presidente Jair Messias Bolsonaro. Com o esfacelamento das forças progressistas, levaram a extrema direita ao poder pela via do voto popular.

Só iremos derrotar estes neofascistas se formar uma ampla coalização das forças progressistas se, formos consistente em defesa da democracia, da liberdade e dos direitos dos povos. Só com a soma de forças democráticas, de diferentes matrizes, é que se vai combater o crescimento do autoritarismo e do neofascismo no Brasil, com o avanço do bolsonarismo. É preciso resgatar a história marxista, à luta política e a ideologia progressista. O país está com indigestão fascista e, os oportunistas que construíram esta barca; imporcionaram dando visibilidade e validade aos discursos da extrema direita buscou falsear a realidade, durante anos expelia ranço reacionário travestido de roupagem democrática. Chocaram o ovo da serpente fascista e fermentaram seu crescimento intelectual de ataque aos setores democráticos. Estes pensadores que agora querem distância deste governo. Estes surfistas que plainaram em suas ondas foi indutores deste movimento turbulentos e os alpinistas ocasionais que fica a espera do próximo pico para ser escalado até seu cume.         

Com a derrubada do governo de Dilma Rousseff por meio de um golpe de Estado em 2016, avançaram mais uma etapa em sua intrusão, conseguindo que o Congresso Nacional representado por maioria da direita conservadora aprovasse lei ultraliberais e, outros vários benefícios de grande importância concedidos à classe dominante. Pois bem, agora que conseguiram tudo o que queriam, e que sua preocupação atual é com as eleições presidenciais de 2022, infelizmente muitos ainda permanecem esperando qual será o papel do serviente Sérgio Moro e, qual será delegado à próxima missão neste jogo político que se projeta para o atual cenário de tantas incertezas econômicas e sociais. Qual será o significado e quais devem ser os seus desdobramentos? Deixa de ser importante na ligação entre esse grupo que está encastelado no poder? Ao que parece, no entanto, ele já não goza do mesmo prestígio. Não obstante, agora que ele está fora dos escuros becos do poder no Brasil.

O Presidente Jair Bolsonaro nunca passou de um representante dos interesses da radical ultradireita, é um sujeito cuja mentalidade foi que aprendeu a odiar quem tem um viés de esquerda. Vê-se, isto é, que há ameaça em todos os lugares; compartilha uma mentalidade segundo a qual a liberdade e a igualdade, princípios básicos da democracia liberal, são elementos perturbadores da vida social. Como ultraconservador e provenientes de grupos religiosos neopentecostais, que são um repositório de votos de considerável de peso eleitoral e em ascensão contínua pelo menos nos últimos vinte anos. Como não se pode descartar, o Olavo Luiz Pimentel de Carvalho influenciador digital e ideólogo que foi jornalista e astrólogo e se autoproclamou filósofo, um representante do conservadorismo no Brasil. Que opera ideológica e astutamente, aqueles que desejam serem intelectuais de direita, mas não têm uma cultura neuronal necessária sequer para serem intelectuais. Não passa do discurso de temas da direita popular estadunidense, acrescido de seu antipestismo e antimarxismo.

Na democracia pleiteia-se que as pessoas com diferentes princípios e olhares políticos antagônicos, possam conviver e dialogar em outras esferas da vida, apesar das diferenças. Quando os níveis de polarização são muito altos, a democracia corre perigo. Não podemos olhar quem pensa diferente e que não concorda com a linha de pensamento, como um inimigo, uma ameaça à sociedade e até mesmo a segurança da nação. Quando a sociedade fica dividida e, aceita que alguém sofra perseguições politicas, seja até mesmo expulsa e até presa por motivos políticos é muitíssimo perigoso ao Estado democrático de Direito. Esse nível de polarização está muito evidente no Brasil e nos Estados Unidos. É um indicador de que há crise democrática. Contudo, estamos evidenciando que os atuais governantes se colocam como imperadores absolutistas, dono da verdade. Agem como se fossem ‘os donos do poder’. Por isso, é mais fácil acreditar que o poder que do povo não passa de teoria, pois, se o Estado existe, tão só por conta do cidadão, deve servi-lo e não ao contrário.

O presidente Jair Bolsonaro não e nunca foi um amigo do povo, pode parecer em seu modo de agir algumas características. Ele não chegou ao poder prometendo cravejar as antigas elites, mais simplesmente defender os privilégios delas. Bolsonaro foi abraçado por boa parte da elite. Os alvos de seus ataques são à esquerda, os trabalhadores e aos que mais precisa da mão do Estado para sobreviverem a esta selva capitalista rentista. O governo muito previsível, assim como nos Estados Unidos sobre o bastão de Donald Trump. Mas é sempre um risco ter na Presidência da República alguém que não é totalmente comprometido com os valores democráticos. É um perigo que os EUA e o Brasil enfrentam hoje. Não vivemos em uma democracia atualmente, talvez em uma democracia representatividade de interesses pessoais e particulares, do privado sobrepondo ao público. O povo não tem participação na criação de lei, ou de temas que seja de interesse da maioria da sociedade, aceitamos tudo que o nossos representantes interpõe, onde está a soberania do povo? A voz do povo?

O bolsonarismo é uma ideologia de classe média ressentida, dos capatazes a serviço dos senhores endinheirados. É um político que tende a posição pública grosseira e antiética e, na verdade, discursa para seu reduto eleitoral de poder, e oligarcas tradicionais. A propaganda massiva espalhou-se, num contexto de aparência democrática isso faz parte da luta política. Mas, com o golpe, a situação política no País virou uma construção diabólica, de destruição do Estado e principalmente com a chegada ao poder executivo do antecessor e, consequentemente com este senhor que não passa de um obscurantista, com um projeto autoritário de poder. O escritor chileno Ariel Dorfman afirmou que “O Brasil continua de costas para seu passado. A impunidade das Forças Armadas brasileiras abriu o caminho para Bolsonaro ser presidente e dizer às barbaridades que pronuncia diariamente”. Onde nada mais foi do que uma negociação sobre uma transição pretensamente democrática feita com os militares, em não processarem os mesmos e, era preciso uma anistia sem punição para ambas as partes envolvidas na transição de regime autoritário para o democrático. Este acordão com a Comissão Nacional da Verdade desfez o pacto, mais incorreram em um grande erro que foi fatal, não julgaram os torturadores e responsáveis por crimes contra a humanidade.

Publicado originalmente na Revista Cult por Wilson Gomes – “Quem é responsável pela tragédia do bolsonarismo?” Em um curso de filosofia é comum que nas primeiras aulas de Filosofia Moral se apresente uma questão, que não por acaso é introdutória para a discussão sobre a bondade ou a maldade dos atos humanos. Trata-se do chamado enigma da decisão moral e consiste basicamente em perguntar se uma ação pode ser julgada boa ou má quando quem a pratica não tem informações suficientes para avaliar as consequências futuras do seu ato. Da resposta a esta questão nascem às distinções entre moralidade e amoralidade, que são fundamentais para uma ética à altura do homem e uma Filosofia Moral baseada em atitudes e não em valores abstratos.

Na tradição aristotélica, a Filosofia Moral, ou Ética, compõe com a Filosofia Política um subconjunto chamado de Filosofia Prática. Isto porque é claro que as questões morais se transformam frequentemente em questões políticas e que ações políticas envolvem, não de raro, dilemas morais. Um destes dilemas é certamente o da avaliação moral do voto ou de qualquer outra forma de autorização para o exercício legítimo do Poder, e o modo como o enigma da decisão moral está implicado nisto. Para garantir que o voto fosse um ato livre e consciente, vez que liberdade e consciência são condições essenciais para a moralidade de uma ação, a democracia moderna fez o que pôde no seu desenho institucional para assegurar o sigilo eleitoral, por exemplo, que é a única forma de assegurar a liberdade de consciência do eleitor. E para certificar-se de que o eleitor tivesse todas as informações possíveis para uma decisão bem-informada, posto que o conhecimento é outra condição fundamental para a moralidade do voto, as instituições da democracia liberal salvaguardaram as liberdades de publicar, opinar, discutir, reunir-se e de organizar-se em partidos, e as estabeleceram como cláusulas fundamentais do pacto constitucional.

Isto estabelecido, não há como negar a moralidade do voto. Isto quer dizer que o membro da comunidade política é doravante moralmente responsável pelo que elege e pelas consequências que daí resultam. É isto que os iluministas chamaram de “maioridade”, isto é, a posse das condições fundamentais para que alguém assuma a responsabilidade moral pelas próprias decisões. Ser um cidadão, quer dizer, um sujeito de direitos e de obrigações, implica, portanto, em ser responsabilizável, moralmente quando não também legalmente, pelas consequências das próprias escolhas.

Claro, nem sempre quando tomo uma decisão eleitoral todas as consequências daquela minha escolha estão presentes no ato em que decido. O candidato pode me enganar no futuro e fazer tudo diferente do que me garantia fazer. Ou podem sobrevir fatos absolutamente imprevistos para fazer face aos quais o partido ou o candidato não eram as melhores escolhas. Ou seja, o enigma moral se repropõe sempre a cada um de nós, na política como na vida: um homem com um conhecimento finito sobre as consequências futuras da sua escolha decide com base no que sabe, mas é moralmente responsável pelo universo dos resultados e decorrências da sua decisão.

Da Ética para a política nacional, o que me causa espanto é que os que votaram em Bolsonaro em 2018 e não são fanáticos ideológicos ou fascistas, porque estes estão fora do alcance dos nossos valores, continuam não se implicando nas consequências do seu voto. Deram um cheque em branco ao fascismo quando todos os que realmente se importavam com a democracia lhes dizia tratar-se de um pacto mefistofélico, mas não se incomodaram com isso, vez que tinham outras prioridades em mente.

Neste momento, o Brasil conta os mortos que se empilham médicos já têm que fazer escolhas de Sofia para decidir quem vive ou morre em decorrência da escassez de respiradores, a desigualdade (iniquidade) social mostra a sua face mais medonha na pandemia, com uma parte da população tendo que escolher entre morrer de fome ou de Covid-19. A este ponto é claro que o Estado é chefiado por um homem incapaz de liderar a nação, que trabalha diuturnamente para construir trincheiras e jogar uns contra os outros, que para além dos seus interesses tribais e familiares não é capaz de conceber um país. Enquanto isso, o presidente & filhos incitam a turba para atacar o STF, o Congresso e o jornalismo, as últimas instituições que podem lhes impor limites, pit bulls da direita cospem em enfermeiras e chutam jornalistas por estímulo do chefe do governo, mas ainda assim a maioria deles não se implica no que resultou da sua decisão eleitoral. E não o fazem simplesmente porque não querem se responsabilizar.

Reproduzo o diálogo como um amigo eleitor não fascista de Bolsonaro esta semana. O tema era a responsabilização moral pela tragédia do governo bolsonarista e a pergunta era se ele se sentia de alguma forma responsável pelo abismo em que fomos lançados. “Não! De jeito nenhum. Eu fui forçado a votar em Bolsonaro. A culpa da eleição de Bolsonaro é de Lula e do PT. Eles é que deveriam fazer à autocrítica”, respondeu. “Ah, entendi. Quer dizer que a culpa do nazismo na Alemanha foi dos banqueiros judeus, que provocaram o ódio que Hitler manipulou para galvanizar o fascismo”?,  pergunto. “Não sei disso. Sei que não tive escolha. Queria que eu votasse na quadrilha do PT”? -“Ou talvez Hitler seja culpa do Tratado de Versalhes, cuja mão excessivamente pesada contra a Alemanha produziu a miséria e a revolta para a qual o Partido Nazista ofereceu explicação e solução”? – “Não estou dizendo nada disso”.

Não estava, mas a analogia se sustenta. O que os eleitores não fascistas de Bolsonaro estão dizendo é que todas as circunstâncias sociais e políticas são determinantes para Bolsonaro ter chegado ao poder, menos a principal, que consistiu na decisão, consciente e esclarecida, dos cidadãos que o escolheram diante das demais alternativas eleitorais e apesar de saberem tudo o que era necessário saber sobre ele para prever todas as consequências que se estão verificando.

Nada há que Bolsonaro faça ou tenha feito que não pudesse ter sido previsto em outubro de 2018. Portanto, o que os eleitores não fascistas de Bolsonaro, mas também os que lavaram as mãos não votando ou votando em branco, estão tentando fazer é não se implicar nas consequências do seu voto. Estão tentando uma operação psicológica de autoindulgência, autoabsolvição da responsabilização moral por uma decisão trágica que, entretanto, foi tomada de olhos bem abertos, atribuindo tudo ao contexto e às circunstâncias. É culpa do gato, da bola ou da lei da gravidade, não minha.

Mas não, sistema e circunstâncias importam, mas só geram consequências políticas através de votos e do apoio popular. Aos votos e ao apoio, portanto, cabem a responsabilização direta por suas consequências. Os culpados pelo nazismo, de um ponto de vista moral, foram a sociedade nazista e os indivíduos nazistas e não simplesmente as estruturas e circunstâncias. Do mesmo modo, no final das contas, em um universo moral, cada um dos eleitores de Bolsonaro é indesculpavelmente responsável pelas consequências do bolsonarismo. Mesmo que assuma isto apenas ante o tribunal da própria consciência moral, na esperança de que tenham uma.

Wilson Gomes é doutor em Filosofia, professor titular da Faculdade de Comunicação da UFBA e autor de A democracia no mundo digital: história, problemas e temas (Edições SESC SP)

Bolsonaro talvez seja o único dirigente que rejeita completamente a sugestão científica do isolamento e tem sido tratado como um exilado por causa disso; por motivos de interesses e egos emergidos de seus patrocinadores e seguidores que são de uma perversidade ultrajante. Devido sua formação política que tem como base a elogiar torturadores. É um processo que exige fôlego e disposição para o diálogo. Na prática, não raro, quem julga essas pessoas são também aqueles que caem em suas próprias armadilhas retóricas. A coerência política é um processo em permanente construção. Diante de um governo autoritário onde ganham força grupos de extrema-direita. Resolver esse problema é uma tarefa muito difícil porque a crítica livre é uma condição fundamental da democracia, e figuras públicas precisam ser confrontadas. O problema é sempre o limite entre a crítica e o massacre do adversário ideológico aniquilando reputações. Essa lógica autodestruidora é insustentável. Ajuda a entender o atual momento que a sociedade brasileira está vivendo, apresenta diversas características a partir de então, tais como a análise psicológica e a crise sanitária, econômica e social. O desafio do futuro imediato é não deixar que esse sentimento de injustiça e indignação escorregue em ressentimento individual, mas que seja capaz de se transmutar em ação e projeto coletivo.

A democracia como instituição regulamenta os direitos que define o cidadão em três fundamentos: igualdade, liberdade, e participação no poder. Para se compreender esta relação do indivíduo com uma sociedade democrática, onde o cidadão cumpra as leis e, onde cada cidadão possuem os mesmos direitos e deveres. Por esse motivo Aristóteles afirmava que era preciso igualar os desiguais, seja pela redistribuição da riqueza social, seja pela garantia de participação nos poderes organizados: Executivo, Legislativo, Justiça. Também pelo mesmo motivo, Marx afirmava que a igualdade só se tornaria um direito concreto quando não houvesse escravos, servos e assalariados explorado devido o homem ser um “animal politico” de convivência comunitária. Mais com o descarrilho da normalidade parece um prenúncio de incerteza.

Somo uma democracia nova com três decas, talvez, o que estamos passando nesse momento conturbado, no campo político, no econômico e, principalmente no campo sanitário, em momento de pandemia que assola a todos, desnuda a falta de direção do Presidente Jair Bolsonaro. Precisa que alguém tenha ao menos a percepção e lucideis que estamos lidando com algo que não e normal. Um governo que não tem apreço pela vida de seus com cidadãos, simplesmente virou a costa para a população, ataca quem defende a vida. Este louco precisa ser contido, porém será preciso alertar uma grande parcela da sociedade que o endeusa, fazem carreatas, quebram protocolo da Organização Mundial de Saúde (OMS). Entretanto, não se pode esquecer de que existe em um determinado seguimento da sociedade um espírito de demonização da política.

Somos induzidos a odiar políticos, entretanto, quando analisarmos friamente sem partidarismo ideológico sobre a classe política logo se chega à conclusão, de que não são eles que corrompem o sistema, mas o sistema excludente que os corrompem, tal como, instituições, organizações empresariais calçadas na perpetuação de privilégios de certas elites e, dentro deste sistema, cada um luta para obter privilégios. O presidente nada mais é do que a cria do sistema que antagoniza o sistema que se auto alimentar-se. Pois este sistema visa favorecer a poucos, comumente não fazemos parte desta organização. O bolsonarismo gera uma crise de conduta e crença? Ora, por mais que pensem nas terríveis desordens que este desgoverno está produzindo; onde quer que se manifeste, a saúde moral decai.

Bolsonaro capitalizou a chamas da insatisfação popular, munindo-se da mitologia messiânica disseminada no interior da fé neopentecostais, tirou proveito da insatisfação da sociedade disseminando o ódio à política. É fácil de frustrar com a política, ela exige a construção de acordos e de consenso. Requer a transposição de deferências políticas e até fidelidades ideológicas, sejam abandonadas e seja excluída. Bolsonaro quando se encontra acuado, de pronto sai às ruas e joga gasolina na indignação popular, que voltam a se digladiarem, assim consegue angariar aliados para sua causa. É um ser que se sente carente de prestígio, ele ambiciona impor-se a qualquer custo, robustecendo ainda mais a sua posição ditatorial perante aos seus seguidores. Afinal a função de um governo é ajudar a desenvolver o individuo não usá-lo e maltratá-lo.

A raposa será que abocanhou mais do que podia mastigar. Isso está ocorrendo tanto sob o aspecto objetivo, quanto sob o subjetivo da destruição da política como um elo entre as classes sociais. O Bolsonaro é o produto e resultado deste momento triste, a democracia encontra-se em frangalho, abrindo espaço para cada vez mais a ultradireita sair das trevas, tal como, em uma noite de tempestade em que os raios dos relampados cortam o céu e, os trovões com seu barulho assustador vão raiando em berço esplendido. Propostas são bem genéricas e sem clareza em relação aos objetivos táticos e estratégicos. Esta atual política neofascista, ataca as instituições, despreza e desqualifica o pensamento e a ciência. A sociedade tem que engajar com o intuito de construir um projeto político de saída para a crise isolando este vírus chamado Bolsonaro. O Brasil “não é para principiantes”, atribuída ao Maestro Tom Jobim, permanece atual. Somos uma nau à deriva que perpétua as classes populares sem voz, com uma capacidade ideológica fascistas da teoria e manipulação para criar o temor em quem nada tem a perder.

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