A maioria da classe média voltou em um animador de picadeiro.

A inércia é sutil, ela vai se instalando sem que se perceba. Aqueles que renega sua própria nação é contentar-se comodamente com o ‘status quo’. A sociedade deve estar preparada para iniciar uma verdadeira batalha em prol da pátria mãe, o princípio deste baluarte dessa luta libertária, não podemos ser incautos e lânguidos. O mais terrível é o fato da sociedade civil nem ao menos terem consciência do que está ocorrendo. Não se pode ter a expectativa de apena proteger o sistema do grande capital rentista, tem que voltar para as classes menos desfavorecidas e, que anda as margens da exclusão social. Se estamos sozinhos, nesta luta abjugaria ou ficaremos entediados, é preciso construir uma grande nação. O pior é a nossa demora em compreendermos e entendermos a gravidade da situação, somada aos fatos negacionistas de um governo que não presa sua população em detrimento do econômico, algo está estranho, que a cada dia agrava ainda mais a amplitude do problema social. Segundo a imprensa internacional, há uma associação muito negativa, graças ao comportamento negligente do presidente da República Jair Bolsonaro, da luta contra a corrupção foi incorporada esta farsa como ninguém.

Neste contexto, a elite dominante veio construindo este caos social com o apoio da classe média brasileira, passaram a criminalizar e estigmatizar a soberania popular no nascedouro com a cumplicidade esta classe majoritária passou garantir só para si o orçamento do Estado, sonegação de impostos e outros assaltos legalizados. Bolsonaro é filho da baixa classe média de imigrantes italianos que vieram para o Brasil, principalmente para o interior de São Paulo, onde passaram a exercer o trabalho principalmente nas grandes fazendas cafeeiras. Para os filhos destes imigrantes a carreira no exército ou na polícia era a promessa de ascensão social segura ainda que limitada, precisamente como no caso da família do presidente Jair Bolsonaro. Parte considerável destes ‘neobrasileirismos’ ascende rapidamente, alguns passam a integrarem a elite de proprietários e de novos industriais, mas boa parte constituem a classe média de grandes cidades do interior como em São Paulo. Nas outras grandes cidades brasileiras, como Rio de Janeiro e Recife, os portugueses exerceram o mesmo papel do italiano em São Paulo.

Esta elite mesquinha e a classe média votaram em um animador de picadeiro, dando-lhe um real apoio que foi necessário para conduzi-lo ao Palácio do Planalto com o discurso do ódio. A irracionalidade de Jair Bolsonaro, sua loucura e sua idiotice são a expressão perfeita do ódio. O ódio que não se explica racionalmente, nem apenas por motivos puramente econômicos. O ódio que se vê como fracasso social é um ódio de morte. Ele não compreende as razões de sua posição social e só tem ressentimento sem direção na alma e no coração. Ódio em estado puro que Bolsonaro expressa e exprime como ninguém. Bolsonaro é a face cruel do fascismo brasileiro disfarçado de democrático. É isso que o define e o explica mais que qualquer outra coisa. Será um preço muito alto para a nação, principalmente desta elite mesquinha, tacanha e da classe média sem compromisso com a população nem com a sociedade como um todo. Mostra que a convivência entre aliados de ocasião não é fácil.

A elite não quer dividir o bolo. A classe média tradicional, imbecilizada, tão tola, superficial e narcísica que representa os interesses de verdade da classe elitista, passa ser fantoche patética sem voz, foi útil para vencer o Partido dos Trabalhadores, vão pagar a fatura com juros e correção monetária, a história se encarregará em contar os fatos. O Brasil nunca foi tão ridicularizado como hoje em dia. A causa real é a rapina da própria população pela elite, travestida de bode expiatório da “corrupção política” para a população enganada. Para estes incautos desprovidos de reflexão produzidos por uma esfera pública manipulada e comprada, a negação contra todo o mal. A raiva e o desespero do empobrecimento não explicado nas suas causas reais serão o combustível do protesto dos imbecilizados unidos. Talvez a classe média que foi temulenta esteva acordando e se recuperando da embriagues patrocinada pela elite dominante, percebam futuramente que foram, mais uma vez, feitas de palhaços. Que voltaram em um animador de picadeiro.

 A questão passa a ser como as forças progressistas poderão tirar maior proveito deste desatino, deste desastre. O instante é propício para um aprendizado político importante. Seria um erro personalizar todo o processo na figura no animador de picadeiro trapalhão. É fundamental que a sociedade acorde deste pesadelo, precisa que as massas vão as ruas e protestem exija seus direitos e, não se deixem serem cooptados pela narrativa da grande imprensa corporativa, ela tem lado. É fundamental para a criação de uma pauta proativa para não ser condenada à mera reatividade contra estes golpistas. Precisa que as grandes lideranças progressistas políticas se unam em um projeto de nação, para recuperar a terra arrasada.

Chega de pregações e manipulação reacionária, draconiana, embora no atual momento em que as esquerdas estão enfraquecidas e colonizada intelectualmente, é necessário aproveitar o momento atual, de profunda crise moral e política, para denunciar estes usurpadores como a causa de toda manipulação simbólica da sociedade pela elite e por sua imprensa. Afinal, muitos xerifes inda irão surgir. O mais clamoroso são os nossos quadros políticos atuais, não permitem e compreendam a situação em que a nação este sendo direcionada, que o cavalo selado está passando à sua frente. Mas a oportunidade de se construir uma contra narrativa da esparrela elitista, rente aos fatos e, portanto, compreensível por todos, nunca esteve tão a mão. A tarefa é ligar o desastre que Bolsonaro representa à Lava Jato e suas mentiras. Sem isso, não existirá narrativa de esquerda no Brasil.

Pois é sabido, que o nosso Presidente é um admirador e colocutor da ditadura civil-militar que governou o Brasil de 1 de abril de 1964 a 15 de março de 1985, essa doutrina, bastante influenciada pelo Estados Unidos, que passou a torturar e a reprimir a toda espécie de contestação ao regime, passa a ser fustigada por outra doutrina, de origem francesa, que radicaliza não somente a caça aos comunistas, mas principalmente a repressão a toda espécie de contestação ou ação insurgente que desponte na população, agora, a principal ameaça não é a externa, mas o inimigo interno, ou seja, o “lulapestismo”.

A estratégia incluía métodos como o interrogatório sob tortura e o desaparecimento forçado, emprestados dos franceses, que já na Segunda Guerra haviam combinado o serviço de inteligência, a polícia e grupos paramilitares para colocar em prática uma política de desaparecimento forçado que ficou conhecido como “noite e neblina”: os prisioneiros deveriam sumir na noite e na neblina, sem deixar rastros, ou seja, sem qualquer registro de seu paradeiro. Essa política foi amplamente utilizada pelos militares franceses para tentar reprimir a ação dos insurgentes que lutavam pela independência da Argélia nos anos 1950 e, na década seguinte, foi transmitida aos militares norte-americanos, então empenhados na Guerra do Vietnã, por Paul Aussaresses, agente do serviço secreto francês nomeado instrutor nas bases militares de Fort Benning, na Geórgia, e de Fort Bragg, na Carolina do Norte. Em meados dos anos 1960, militares brasileiros tiveram aulas com Paul Aussaresses nos Estados Unidos. De lá trouxeram as técnicas de tortura e de combate a guerrilhas que seriam aplicadas no Brasil, sobretudo durante o governo Médici (1969-1974). Em 1973, Paul Aussaresses foi nomeado adido militar da França no Brasil, onde residiu por dois anos.

Como diz Frei Betto, renomado escritor e frade dominicano, uma latente política de morte protagonizada pelo governo de Jair Bolsonaro. Não há como conviver com um governo genocida, em entrevista exclusiva ao Brasil de Fato, analisou o atual contexto político e socioeconômico do Brasil, agravado pela crise sanitária em decorrência da covid-19. Na opinião de Frei Betto, jornalista graduado e escritor brasileiro, que as medidas de proteção da vida aos mais pobres estão sendo desmontadas em pró de uma política intencional de genocídio. Ele aponta o Brasil como um provável epicentro da pandemia, ocupando um dos primeiros lugares no ranqueamento, devido as consequências da pandemia. A atriz Bruna Marquezine usou as redes sociais para criticar duramente os posicionamentos e pronunciamentos polêmicos de Jair Bolsonaro no enfrentamento à pandemia da Covid-19.  “Monstro genocida”, escreveu a atriz em sua conta no Instagram.

É óbvio que nos está levando a alcançar essa marca é a falta de uma política, especialmente em cima do surto do novo coronavírus.  Ele é enfático ao defender o que deve ser feito para impedir o avanço e, que não haverá outra alternativa a não ser ir para rua, no momento que a pandemia cessar, vamos para rua. Não tem outro jeito. Vamos ocupar as ruas como já tinha começado no início da pandemia, para manifestar a nossa insatisfação e tentar mudar esse quadro político. Não há como pensar na possibilidade de conviver em meio com um governo que não tem apresso a vida, um congresso omisso, uma justiça aleia aos fatos. Como foi possível o povo brasileiro escolher um Bolsonero? Isso realmente exige uma reflexão profunda de vários setores da sociedade, que se tornou uma questão sanitária. O Brasil bate recordes em sequência em número de mortes pela Covid-19.

Jair Messias Bolsonaro da democracia ao picadeiro, chegou ao poder ao posto mais alto da política brasileira, certamente não seria um evento comum. Membro do parlamento brasileiro por quase trinta anos, sobreviveu nas entranhas da Câmara legislativa construindo uma trajetória que flertou permanentemente com as franjas do poder. De um perfil ideológico conservador e reacionário, defensor de causas que pouco dialogava com a civilidade da vida pública. Diante de uma conjuntura de extremo desprestígio da política e dos próprios políticos, apresentou-se como representante de uma suposta “nova política” e se posicionou como a solução mais realista para os problemas brasileiros. Uma parcela da população reconheceu no político de extrema direita o Messias que nos salvaria do apocalipse da política decrépita. Para quem já o conhecia dos corredores do Congresso ele não cometeu nenhum estelionato eleitoral.     

Relembrando a todos os brasileiros que com a destruição da política e dos valores democráticos desde o início das grandes manifestações promovida pela FIESP com o slogan quem ‘vai pagar o pato’, com o apoio da grande mídia, zombaram de todos nós, tripudiaram sobre valores mais caros à existência humana e transformaram o país e seu sistema democrático em um grande e patético picadeiro. Entretanto, com o passar do tempo e diante do que se transformou em um caos socioeconômico, uma grande parcela daqueles que o elegeram, que pregavam o ódio ao petismo, já se mostra arrependidos. Entretanto, algo em torno de trinta por cento ainda se mantem fiel ao líder que eles preferem insistentemente chamá-lo de mito. No entanto, para aqueles que estão abandonando o navio bolsonarista sob o argumento da decepção e do estelionato eleitoral, é imprescindível reavivar suas memórias no sentido de demonstrar que a democracia cobra um preço muito alto quando optamos pela alienação voluntária.

O nosso 38º presidente da República Federativa do Brasil, sua trajetória e atuação, tornou-se um importante homem público mediante a vitória do pleito eleitoral em 2018 em que venceu a eleição presidencial e se credenciou à condição de cidadão brasileiro com maior visibilidade pública no país. o desconhecido deputado que percorria os corredores da Camará dos Deputados Federal, passou a ser enxergado por uma elite reacionária como o defensor de suas causas. Com o Bolsonaro assumindo o Executivo e com o discurso conservador, na defesa de uma agenda reacionária, voltada para uma clientela cativa formada empresários conservadores da sociedade. que tinha como esteio o atual discípulo do ultra liberal Paulo Guedes no comando da economia, do deboche e do sarcasmo sempre foi regra e não exceção. Se hoje, alguns mais incautos, se assustam com as postagens escatológicas nas redes sociais e a forma debochada e infantilizada do Jair presidente, já estava tudo lá, faltava apenas conhecermos. Do ódio na internet,” Aqui a frase é profética e já antecipava os robôs que iriam formar o exército do chamado “Gabinete do Ódio”. Perceba que entre o deputado e o presidente a mentalidade continua a mesma, é inegável que existe uma coerência, vendeu através das redes sociais uma imagem de defensor intransigente da moralidade pública. Todo seu discurso contra a corrupção. Que moral tem alguém que passou toda a vida política sob o amparo ético do malufismo, querer posar de combatente da corrupção na política?

Quem ouve hoje o discurso virulento de Bolsonaro contra o ex-presidente Lula, a quem ele desejou que permanecesse na cadeia até morrer, por ter sido, segundo ele e seus seguidores, o maior corrupto da história do Brasil, não imagina que Bolsonaro conviveu praticamente – com pequenos intervalos de tempo – por quase vinte anos ao lado de Paulo Salim Maluf em um bom exemplo da hipocrisia seletiva da “neo-velha política” bolsonarista. É bom relembrar alguns de episódios da trajetória pública de Maluf, relembrando alguns episódios da trajetória pública de Paulo Salim Maluf, referência política do atual presidente brasileiro. Conhecido popularmente como o político do “rouba, mas faz” ou do “estupra, mas não mata”. Moralismo e hipocrisia como estratégia e o seletivismo como tática, transmutando aos olhos de seus eleitores. Quando ainda ocupava o cargo de Deputado Bolsonaro o ético, o ilibado teve um enfrentamento com um jornalista e reporte do Jornal Folha de São Paulo sobre o uso do auxílio, o na época pré-candidato à presidência da República respondeu com o deboche que reafirmaria sua condição de mito entre seus seguidores, disse ele: “Como eu estava solteiro naquela época, esse dinheiro de auxílio-moradia eu usava para comer gente. Tá satisfeita agora ou não?”

Ele como ninguém sabe conviver em um ambiente desqualificado, onde prevalece o obscurantismo intelectual, sabe como atua no afastamento de setores da sociedade civil organizada em grandes temas socioeconômico estendendo seus tentáculos neste grande picadeiro de marionetes. Este processo de transmutação bolsonarista de homem em mito ocorreu no tempo e foi sendo forjado a cada frase abjeta que ajudava a revelar sua verdadeira natureza e materializar o candidato perfeito para uma parcela pusilânime da sociedade brasileira carente de uma referência que lhe desse régua e compasso, que ironia, a plateia o aplaude efusivamente e sedutivo. Assim, de frase em frase, Bolsonaro se firmava como representante legítimo de um segmento cujos valores básicos de humanismo e civilidade tornava-se uma simples questão de “politicamente correto”. A grande mídia corporativa e oligarca tem uma grande parcela na construção deste mito, ditaram o ritmo o ritmo do debate intelectual brasileiro. Os telejornais se transformaram em porta vozes do reacionarismo antipolítico. Programas de auditório, essencialmente rasos e sensacionalistas, definiram temas e pautas e os abordaram com a desenvoltura. Foi a união da fome com a vontade de comer.

A política judicializada foi outro fator principalmente a partir da ofensiva empreendida por um juiz mediático, procuradores da operação Lava Jato e com o establishment político seja de esquerda ou de direita desgastado em decorrência de operação policial. Ficou um hiato aberto para que a ultradireita saísse do tumulo ressuscitando e capitalizando para si esse momento de fragilidade da democracia brasileira. Enfim, se o picadeiro mediático não pode ser considerado o único fator de viabilidade da candidatura Jair Bolsonaro, certamente contribuiu decisivamente para colocá-lo como um agente político representativo de um eleitor vulnerável e carente de um candidato que lhes apresentasse as respostas mais simples às perguntas mais complexas. É preciso atribuir responsabilidades, uma imprensa moralmente seletiva com seu antipetismo inconsequente e irresponsável. Uma classe média cínica e moralista de ocasião que abriu mão de qualquer empatia em nome de um discurso tosco e vazio de combate à corrupção.

Será que vivemos em uma sociedade realmente preocupada com a justiça e a igualdade social. Desigualdade que vem sendo evidenciada principalmente no campo socioterritorial, que são aquelas que vivem abaixo da linha da pobreza, tal como, das periferias urbanas, em áreas rurais, em comunidades quilombolas e indígenas, com elevado indicies de mortes precoces, em decorrência do racismo e da desigualdade social. A maioria delas estão relacionadas a condição socioeconômica e são potencializadas pela falta de acesso a saúde de qualidade e econômica. Essa mesma violência se repete no letárgico plano que compõe o maior índice de taxas de homicídios, dos mais vulneráveis invisibilizados cidadãos brasileiros.

O que em primeiro lugar o que é ser temido ou não é o mesmo que ser odiado, porque este princípio é prejudicial ao governante. O governante deve proceder de forma equilibrada, com prudência e humanidade, mas que que não tenha muita confiança e nem demasiada desconfiança na sociedade. Deve sempre manter a postura de um grande líder, ele deve ser grande em seus atos. Sintetizando, o governante tem que está atento ao movimento contrário, saber se defender dos grandes. As alterações nascem principalmente de uma dificuldade natural a todos os governos eleito pelo voto direto, que é da própria natureza humana de mudar de liderança, acreditando que vai melhorar. Essa frase enquadra-se bem na política atual, onde nós pensamos que cada mudança de presidente, governador ou prefeito. Conseguiremos melhorar, essa cultura como sabemos prevalece, cabe ao presidente, governador, prefeito como administrar pelo povo e para o povo, como administradores lhes cabem anteceder os males e corta-los antes que causem algum dano ao povo.

O exemplo atual de nosso presidente Jair Bolsonaro, vem demonstrando principalmente em relação ao momento que estamos evidenciando com a Covid-19, assolando a todos sem distinção social. Como o presidente pode cobrar a sociedade empenho de seus cidadãos, se este não o faz? A nossa atual realidade é vista quando se trata de um presidente que foi ajudado por uma conjuntura desfavoráveis ao campo político, o da caça aos corruptos através da famigerada Operação Lava-Jato, que tinha como objetivo principal o poder absoluto, através da manipulação efetuada pela grande mídia na mente de cada cidadão, de que há um inimigo a ser destruído o ex-presidente Lula e o Partido dos Trabalhadores, comprometendo assim a honestidade e o domínio sobre a nação. Tinham objetivos bem claro que era voltarem ao poder não importava os meios que deveriam tomar, era de suma importância destruir a credibilidade do principal líder da esquerda brasileira a qualquer custo. Amedrontaram uma grande parte da sociedade com discursos e narrativas ideológicas renascida de uma “UDN”, que tinha como lema “o preço da liberdade é a eterna vigilância”, que estava no tumulo e que voltou a se manifestar ativamente no seio da sociedade. Não podemos esquecer o discurso de tomada de posse como Presidente do Brasil, que ocorreu no dia um de janeiro de 2019, Jair Bolsonaro deixou ao seu país uma promessa. “Prometo manter, defender e cumprir a constituição, observar as leis e promover o bem geral do povo brasileiro, sustentar a união, a integridade e a independência do Brasil.”     

Jessé Souza: “O que significa Bolsonaro no poder” – A eleição de Jair Bolsonaro foi um protesto da população brasileira. Um protesto ainda assim, um “protesto”. Uma sociedade empobrecida – cheia de desempregados, de miseráveis e violência endêmica, cujas causas, segundo a elite e a grande imprensa que a mantém, é apenas a “corrupção política” – elege o mais nefasto político que os 500 anos de história brasileira já produziu. Segundo a imprensa comprada, a corrupção é, inclusive, culpa do PT e de Lula manipulando a informação e criando uma guerra entre os pobres. Sem compreender o que acontece, a sociedade como um todo é manipulada e passa a agir contra seus melhores interesses.

A única classe social que entra no jogo sabendo o que quer é a elite de proprietários. Para a elite, o que conta é a captura do orçamento público via “dívida pública” e juros extorsivos, e ter o Estado como seu “banco particular” para encher o próprio bolso. A reforma da previdência é apenas a última máscara desta compulsão à repetição. Mas as outras classes sociais, manipuladas pela elite e sua imprensa, também participaram do esquema, sempre “contra” seus melhores interesses.

A classe média real entrou em peso no jogo, como sempre, contra os pobres para mantê-los servis, humilhados e sem chances de concorrer aos privilégios educacionais de que desfruta. Os pobres entraram no jogo parcialmente, o que se revelou decisivo do ponto de vista eleitoral, pela manipulação de sua fragilidade e pela sua divisão proposital entre pobres decentes e pobres “delinquentes”. Esses dois fatores juntos, a guerra social contra os pobres e entre os pobres, elegeram Bolsonaro e sua claque.

Foi um protesto contra o progresso material e moral da sociedade brasileira desde 1988 e que foi aprofundado a partir de 2002. Estava em curso um processo de aprendizado coletivo raro na história da sociedade brasileira. Como ninguém em sã consciência pode ser contra o progresso material e moral de todos, o pretexto construído, para produzir o atraso e mascará-lo como avanço, foi o pretexto, já velho de cem anos, da suposta luta contra a corrupção. Sérgio Moro incorporou esta farsa canalha como ninguém.

A “corrupção política”, como tenho defendido em todas as oportunidades, é a única legitimação da elite brasileira para manipular a sociedade e tornar o Estado seu banco particular. A captura do Estado pelos proprietários, obviamente, é a verdadeira corrupção que, inclusive, a “esquerda” até hoje, ainda sem contradiscurso e sem narrativa própria, parece não ter compreendido.

Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro – Agora, eleição ganha e Bolsonaro no poder, começam as brigas intestinas entre interesses muito contraditórios que haviam se unido conjunturalmente na guerra contra os pobres e seus representantes. Bolsonaro é um representante típico da baixa classe média raivosa, cuja face militarizada é a milícia, que teme a proletarização e, portanto, constrói distinções morais contra os pobres tornados “delinquentes” (supostos bandidos, prostitutas, homossexuais, etc.) e seus representantes, os “comunistas”, para legitimar seu ódio e fabricar uma distância segura em relação a eles.

Toda a sexualidade reprimida e todo o ressentimento de classe sem expressão racional cabem nesse vaso. O seu anticomunismo radical e seu anti-intelectualismo significam a sua ambivalente identificação com o opressor, um mecanismo de defesa e uma fantasia que o livra de ser assimilado à classe dos oprimidos. Olavo de Carvalho é o profeta que deu um sentido e uma orientação a essa turma de desvalidos de espírito.

É claro que Bolsonaro é um mero fantoche ocasional das elites brasileira e americana. Quando ele volta de mãos vazias dos Estados Unidos, depois de dar sem qualquer contrapartida o que os americanos nem sequer tinham pedido, a única explicação é que ele estava lá como sujeito privado e não como presidente de um país. Como sujeito privado, é bem possível que ele estivesse pagando, com dinheiro e recursos públicos, os gastos de campanha até hoje secretos e sem explicação. Mas é óbvio que sua campanha foi feita e muito provavelmente financiada pelos mesmos que fizeram e bancaram a campanha de Trump.

O seu discurso de ódio era o único remédio contra a volta do PT ao poder. E como a elite e sua imprensa querem o saque do povo, e para isso se aliam até ao diabo, ou pior, até a Bolsonaro, sua escolha teve este sentido. O ódio, por sua vez, é produzido pela revolta de quem não entende por que fica mais pobre e a única explicação oferecida pela imprensa venal é o eterno “bode expiatório” da corrupção política. Mas a corrupção política era a forma, até então, como se manipulava a falsa moralidade da classe média real. Como se chega com esse discurso manipulador também nas classes baixas? O voto da elite e da classe média no Brasil não ganha eleição nenhuma. Este é um país de pobres.

A questão interessante passa a ser como e por que setores das classes populares passaram a seguir Bolsonaro e permitiram sua eleição. Para quem Bolsonaro fala quando diz suas maluquices e suas agressões grosseiras? Ele fala, antes de tudo, para a baixa classe média iletrada dos setores mais conservadores do público evangélico. Este público que ganha entre dois e cinco salários mínimos é um pobre remediado que odeia o mais pobre e idealiza o rico. O anticomunismo, por exemplo, tem o efeito de irmanar este pobre remediado com o rico, já que é uma oportunidade de se solidarizar com o inimigo de classe que o explora e não com seu vizinho mais pobre com quem não quer ter nada em comum. Isso o faz pensar que ele, em alguma medida, também é rico – ou em vias de ser –, já que pensa como ele.

O anti-intelectualismo também está em casa na baixa classe média. Isso é importante quando queremos saber a quem Bolsonaro fala quando ataca, por exemplo, as universidades e o conhecimento. A relação da baixa classe média com o conhecimento é ambivalente: ela inveja e odeia o conhecimento que não possui, daí o ódio aos intelectuais, à universidade, à sociologia ou à filosofia. Este é o público verdadeiramente cativo de Bolsonaro e sua pregação. É onde ele está em casa, é de onde ele também vem. Obviamente esta classe é indefesa contra a mentira institucionalizada da elite e de sua imprensa. Ela é vítima tanto do ódio de classe contra ela própria, que cria uma raiva que não se compreende de onde vem, e da manipulação de seu medo de se proletarizar. Quando essas duas coisas se juntam, o pobre remediado passa a ser mais pró-rico que o Dória.

A escolha de Sérgio Moro foi uma ponte para cima com a classe média tradicional que também odeia os pobres, inveja os ricos e se imagina moralmente perfeita porque se escandaliza com a corrupção seletiva dos tolos. Mas, apesar de socialmente conservadora, ela não se identifica com a moralidade rígida nos costumes dos bolsonaristas de raiz, que estão mais perto dos pobres. Paulo Guedes, por sua vez, é o lacaio dos ricos que fica com o quinhão destinado a todos aqueles que sujam as mãos de sangue para aumentar a riqueza dos já poderosos.

Os primeiros meses de Bolsonaro mostram que a convivência desses aliados de ocasião não é fácil. A elite não quer o barulho e a baixaria de Bolsonaro e sua claque, que só prejudicam os negócios. Também a classe média tradicional se envergonha crescentemente do “capitão pateta”. Ao mesmo tempo, sem barulho nem baixaria Bolsonaro não existe. Bolsonaro “é” a baixaria. Sérgio Moro, tão tolo, superficial e narcísico como a classe que representa, é queimado em fogo brando, já que o Estado policial que almeja, para matar pobres e controlar seletivamente a política, em favor dos interesses corporativos do aparelho jurídico-policial do Estado, não interessa de verdade nem à elite nem a seus políticos. Sem a mídia a blindá-lo, Sérgio Moro é um fantoche patético em busca de uma voz.O resumo da ópera mostra a dificuldade de se dominar uma sociedade marginalizando, ainda que em graus variáveis, cerca de 80% dela. Bolsonaro e sua penetração na banda podre das classes populares foi útil para vencer o PT, mas é tão grotesco, asqueroso e primitivo que governar com ele é literalmente impossível. A idiotice dele e de sua claque no governo é literal no sentido da patologia que o termo define. Eles vivem em um mundo à parte, comandado pelo anti-intelectualismo militante, o qual não envolve apenas uma percepção distorcida do mundo. O idiota é também levado a agir segundo pulsões e afetos que não respeitam o controle da realidade externa. Um idiota de verdade no comando da nação é um preço muito alto até para uma elite e uma classe média sem compromisso com a população nem com a sociedade como um todo.  Esse é o dilema do idiota Jair Bolsonaro no poder.

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